Ao Vivo

31 de dezembro de 2015

Record estreia segunda temporada de "Conselho Tutelar" no lugar de Xuxa


Do UOL, em São Paulo
  • Munir Chatack/TV Record
    Roberto Bomtempo como Sereno, protagonista de "Conselho Tutelar", série da Record
    Roberto Bomtempo como Sereno, protagonista de "Conselho Tutelar", série da Record
A Record estreará na próxima segunda-feira (4) a segunda temporada da série "Conselho Tutelar". A produção, exibida diariamente, irá ao ar às 22h30 e substituirá Xuxa Meneghel, que voltará com seu programa semanal ainda em janeiro, segundo a emissora.
Baseado em fatos reais, a série de cinco episódios denuncia casos de violência infantil, como assédio sexual, abandono de crianças e agressões dos pais, e mostra o trabalho de conselheiros tutelares.
Roberto Bomtempo segue como protagonista de "Conselho Tutelar". Na segunda temporada, seu personagem, Sereno, começa a questionar sua própria vida, sua saúde e o relacionamento com o filho e a ex-mulher, Flávia (Cássia Linhares).
O elenco da série também conta com Rafaela Mandelli, Silvio Guindane, Milhem Cortaz, Paulo Cesar Grande, Cristina Pereira, Caio Junqueira, Andre Ramiro, Umberto Magnani e Luciana Braga, entre outros atores.
"Conselho Tutelar" é escrita por Marcos Borges e tem direção-geral de Rudi Lagemann, em uma coprodução da Record com Visom Digital e NBC Universal. A primeira temporada, também com cinco episódios, foi ao ar em dezembro de 2014.


A vigência obrigatória do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa passa a valer a partir do dia 1º de janeiro de 2016. A implementação estava prevista para 2013, mas o governo brasileiro adiou a medida para alinhar o cronograma com o de outros países lusófonos e dar prazo maior para a adaptação da população. O Acordo tem como objetivo unificar as regras do português escrito em todos os países que têm a língua portuguesa como idioma oficial. Confira a seguir quais serão as mudanças para os brasileiros Arte/UOL
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Professora foi inspiração para 


personagem de "Star Wars", segundo 


diretor

Do UOL, em São Paulo
  • Movie Pilot
    A personagem Maz Kanata, ao lado da professora Rose Gilbert, na qual foi inspirada
    A personagem Maz Kanata, ao lado da professora Rose Gilbert, na qual foi inspirada
O diretor de cinema J. J. Abrams, responsável pelo novo filme da franquia "Star Wars" ("Star Wars: O Despertar da Força"), revelou que a inspiração para uma das personagens do longa foi sua professora de inglês do ensino médio.
A professora Rose Gilbert começou a dar aulas em 1961. Ela era conhecida pelo entusiasmo com o qual ensinava literatura. O carisma dela inspirou Abrams, que fez da personagem Maz Kanata, interpretada pela atriz Lupita Nyong'o, uma homenagem à professora.
"Nós queríamos muito que a história ficasse autêntica, apesar de ser uma ficção. Eu mencionei Rose, essa figura sábia que eu conheci, em uma das primeiras reuniões de roteiro", contou Abrams ao jornal norte-americano Palisadian-Post. "Enquanto nós experimentávamos os visuais e estilos, antes de chegar ao design final da personagem, ela sempre estava na minha cabeça como inspiração para Maz".
Apesar da homenagem, Rose não chegou a saber que o novo Star Wars teria uma personagem baseada nela. A professora morreu em 2013, aos 95 anos. "Eu planejava falar com ela e mostrar o trabalho, mas ela infelizmente faleceu enquanto estávamos preparando o filme", lamentou J. J. Abrams. 
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Filho do criador da sandália de Lampião vira queridinho do mundo fashion
Fernanda da Escóssia
De Nova Olinda (CE) para a BBC Brasil
  • BBC BRASIL/Fernanda da Escóssia
    Espedito Seleiro, filho do criador da sandália de Lampião, virou grife valorizada no mundo da moda e do design
    Espedito Seleiro, filho do criador da sandália de Lampião, virou grife valorizada no mundo da moda e do design
"O cabra chegou para meu pai e disse que queria uma sandália diferente, de solado quadrado, sem marca da curva da sola do pé. Mostrou um modelo desenhado. Meu pai disse que fazia. Dias depois o cabra veio buscar a encomenda e perguntou a meu pai se ele sabia para quem era a sandália. 'Não é para você?', meu pai perguntou. 'Não, é para o Capitão Virgulino'. 'Pois leve a sandália e nem precisa pagar'".
É assim que Espedito Velozo de Carvalho, o Mestre Espedito Seleiro, 77 anos, resume como surgiu a sandália mais famosa de tantas de seu ateliê em Nova Olinda, cidade do interior do Ceará, a 500 km de Fortaleza.
A sandália de solado quadrado era mesmo para o Capitão Virgulino Ferreira, o Lampião, chefe do bando de cangaceiros que impunha medo, respeito e fascínio no interior do Nordeste nos anos 1930.
O solado quadrado, sem indicar qual era a frente da sandália, tinha um propósito: despistar as volantes, como eram chamadas as equipes policiais que caçavam os cangaceiros pelo sertão. "O solado quadrado deixava uma pegada quadrada, de modo que a volante não conseguia saber para que lado Lampião tinha ido, se estava indo ou voltando", explica Espedito Seleiro.
O filho do criador da sandália de Lampião se transformou, nos últimos anos, em uma assinatura valorizada no mundo da moda, do cinema e do design. Espedito (assim mesmo com S) Seleiro fez peças para marcas como Farm, Cavallera e Cantão.
Em 2006, participou da São Paulo Fashion Week. Sua obra foi tema da exposição "Da Sela à Passarela", que passou por São Paulo e Rio de Janeiro. É criação de Espedito Seleiro o gibão colorido de couro usado pelo personagem do ator Marcos Palmeira no filme O Homem que Desafiou o Diabo (2007).
BBC BRASIL/Fernanda da Escóssia
Seleiro apareceu no programa da global Regina Casé, cliente de suas sandálias. Recebeu em 2011 a Ordem do Mérito, concedida pelo Ministério da Cultura a personalidades do setor. Seu trabalho cheio de referências do sertão, com couro colorido e enfeitado, atraiu os designers Humberto e Fernando Campana, que fizeram em 2015 uma parceria com Seleiro para uma linha de móveis intitulada Coleção Cangaço, juntando madeira, palhinha e couro, e os móveis são a novidade em seu trabalho.
"É bom variar, fazer coisas novas", filosofa o artesão.
Talento e aprendizado em família
Ainda menino, Espedito aprendeu com o pai, Raimundo Seleiro, que aprendeu com o pai dele, Gonçalves Seleiro, filho de Antônio Seleiro, a arte de tratar e transformar o couro de boi e de cabra em peças usadas pelos vaqueiros, como selas, cintos e chicotes.
Para vaqueiro, mesmo, ele nunca teve talento: no primeiro dia em que montou no cavalo para laçar um boi levou uma queda tão feia que desistiu da profissão.
Quando ele ainda era criança, sua família fugiu da seca e trocou o sertão dos Inhamuns, área mais árida do Ceará, pelo quase sempre verde Cariri, na região sul do Estado, divisa com Pernambuco. Aos 16 anos, em busca de uma vida melhor, Espedito foi embora para o Paraná. Ficou três anos, sempre trabalhando com couro, e voltou para o Cariri.
Um dia, cansado de tantas peças parecidas - sandálias de couro são uma tradição no interior do Ceará, vendidas em cada esquina e cada mercado popular-, viu que precisava inovar. Usando produtos naturais, como a tintura da casca do angico, árvore comum na região, tingiu o couro.
BBC BRASIL/Fernanda da Escóssia
Fez sandálias vermelhas, azuis, amarelas e roxas, cheias de desenhos. Levou para um conhecido no mercado vender. No outro dia vieram pedir mais, e as sandálias coloridas abriram caminho para que ele se diferenciasse dos demais artesãos.
O criador das sandálias coloridas ganhou a admiração da então secretária de Cultura do Ceará Violeta Arraes - de uma família tradicional do Cariri e irmã de Miguel Arraes, cearense que fez carreira política em Pernambuco, Estado que governou três vezes.
O diretor de TV e cinema Guel Arraes, filho de Miguel Arraes, também se tornou cliente das sandálias de couro de Seleiro, e a fama do artesão foi se espalhando.
Um dia, o educador Alemberg Quindins, criador da Fundação Casa Grande, premiada organização de Nova Olinda que capacita crianças e jovens para as artes, pediu a Seleiro que fizesse uma sandália igual à de Lampião para uma exposição sobre o Cariri.
Seleiro tinha guardado os desenhos do pai e reproduziu a sandália "cobertão", de solado quadrado. "Mudei o nome para sandália Lampião. E quando me pediram um modelo para mulher, fiz a sandália Maria Bonita", explica o artesão.
Tradição e inovação lado a lado
Do Cariri para o Brasil, aos poucos o E.S. de Espedito Seleiro, numa letra bem desenhada, foi marcando sandálias, bolsas e mochilas em couro que se espalharam no circuito fashion.
O trabalho atraiu também a atenção da pesquisadora Heloisa Bueno Rodrigues, que fez de Seleiro personagem principal de sua dissertação de mestrado defendida em outubro de 2015 no Programa de Cultura e Territorialidades da UFF (Universidade Federal Fluminense) e intitulada Espedito Seleiro: filho dos Inhamuns, mestre do Cariri e artista do Brasil.
BBC BRASIL/Fernanda da Escóssia
Num estudo sobre economia criativa e cultura, apresentado num seminário na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, a pesquisadora analisa como Seleiro se diferenciou dos demais artesãos ao inovar dentro da tradição popular, mantendo sua identidade. Ao mesmo tempo, explica que o trabalho de Seleiro não é só produto de sua sensibilidade individual de artista, mas resultado de um conjunto de conhecimentos, histórias e tradições.
"O Ceará é muito marcado pelo que historiadores como Capistrano de Abreu chamam de civilização do couro, um ciclo econômico baseado na criação de gado. A obra de Espedito Seleiro traduz essas tradições dos vaqueiros, dos cangaceiros, dos ciganos, desses homens que se espalharam pelo interior do Nordeste. E ele conseguiu manter sua originalidade dentro dessa tradição, conseguiu se diferenciar", afirma a pesquisadora.
Assim como aprendeu o ofício em família, Seleiro ensina o que sabe aos filhos, netos e sobrinhos, e juntos eles mantêm a cooperativa Associação Familiar Espedito Seleiro, que reúne 22 profissionais.
Mestre Seleiro é um professor exigente, que acorda de madrugada, cobra qualidade em cada passo do trabalho e manda recomeçar tudo se achar algo errado. "Eu ensino, eles fazem, eu vejo se ficou bom. Se estiver boa, assino a sandália. Se estiver ruim, desmancho e mando fazer de novo".
Em sua oficina, entre aprendizes e cortes de couro, Seleiro recebe quem chega e tem sempre tempo para um dedo de prosa. Ao lado da oficina criou o Museu do Couro, que conta a história de sua obra e também a saga dos vaqueiros no sertão.
Seleiro sabe que é imitado por muitos, mas não liga. Às vezes pensa em registrar sua marca, às vezes não. De olho nas novidades, investe em capas para celulares e tablets e selas de moto. Comprada na lojinha de Seleiro em Nova Olinda, a sandália Maria Bonita custa R$ 80.
Entre bolsas, mochilas, carteiras e sandálias, as peças trazem tons e desenhos inusitados. Lembram vestidos coloridos numa quadrilha, disputas de vaquejadas, cangaceiros em luta, leques ciganos, flores brotando - e todas as cores do sertão em dias de chuva depois dos meses de seca.
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