Canções natalinas em clima de festival de verão
Comemoramos o Natal nórdico, com neve de algodão, pinheiros de plástico, Santa Claus, o popular Papai Noel vestido para o frio, num calor de 40 graus. Mas disco de Natal nunca pegou no Brasil, a não ser do harpista paraguaio Luis Bordon (1926/2006), e eventuais fenômenos isolados, caso de Simone com a versão de Merry Xmas (war is over), de John Lennon, a famigerada Então é Natal.
A Som Livre que tornar o Natal dos lares brasileiros melhor e mais animado, musicalmente falando, e reuniu seu cast de sertanejos, pagodeiros e axezeiros para celebrar a data máxima da cristandade no CD Natal em família.
O álbum traz os clássicos mais conhecidos do repertório natalino na voz de estrelas de ocasião da música que domina FMs e programas de TV do Brasil (e já são exportados para países de língua portuguesa). Ponha o chester no prato, acompanhado da indefectível maionese, arroz com passas, frutas cristalizadas, a sidra na taça, ou a cerveja latão na tulipa. Agora deguste a ceia com uma trilha que tem, entre outras faixas:
Então é Natal, com Luan Santana, Natal branco, com Fernando & Sorocaba, Boas festas, com Gaby Amarantos, Noite feliz, com Victor & Léo, Sino de Belém, com Michel Teló, Meu menino Jesus, com Cláudia Leite, ou Natal todo dia, com Sorriso Maroto.
O problema do disco, não é nem pelo fato de que o pessoal que está nele não ser exatamente de grandes intérpretes, ou integrar o segmento populista e popularesco da Som Livre (alguns são de outras gravadoras), mas o tipo de interpretação, que confunde Natal com festival de verão de Salvador.
Será que a esfuziante paraense Gaby Amarantos parou pra ler a letra de Boas festas?Se parou, deu para entender que ela é a mais triste e pungente (e a mais brasileira) das canções natalinas (feita por um compositor, Assis Valente, que teve um fim trágico?). A música é tocada em levada meio reggae, meio carimbó, com um arranjo que lembra base de karaokê.
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