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11 de dezembro de 2013

Homenagem » feita no dia 10 de dezembroUma pedalada para conhecer o Recife de Clarice LispectorNa data de nascimento da escritora que adotou o Recife como cidade natal, veja lugares que marcaram a infância da autora



Foto: Cosac Naify/divulgação

Dos 4 aos 15 anos de idade, Clarice Lispector viveu por entre as ruas do bairro da Boa Vista, no Centro do Recife. A cidade abrigou a futura escritora após ela ter emigrado da Ucrânia (onde nasceu) junto com os pais e as duas irmãs. Nas décadas de 1920 e 1930, a família Lispector integrou efervescente comunidade judaica, viveu na pobreza e passou por tempos difíceis, como quando a mãe dela morreu. Mesmo tendo morado no Rio de Janeiro e no exterior, as reminiscências da infância no Recife acompanhariam Clarice até o fim da vida. 

Caso estivesse viva, a autora de A hora da estrela completaria, hoje, 93 anos. Para a pesquisadora Nádia Gotlib, doutora em literatura brasileira, a cidade teve grande importância para Clarice, a ponto de aparecer em vários contos autobiográficos. “Ela rememora o carnaval e a mãe doente em Restos do carnaval, lembra-se da colega de escola rica, filha de dono da livraria Imperatriz, que não lhe empresta o livro desejado, em Felicidade clandestina. Reconta, com saudade, os tempos em que ia de madrugada do Recife para Olinda tomar banho de mar na praia do Carmo, em Banhos de mar”, destaca a biógrafa de Clarice.
 
 
TRÊS PERGUNTAS >>> NÁDIA GOTLIB >> BIÓGRAFA DE CLARICE LISPECTOR 
Quão relevante foi o Recife para Clarice Lispector?
Muito importante. Em 1976, um jornalista lhe perguntou “se o Recife continua existindo em Clarice Lispector”, e ela respondeu: “Está todo vivo em mim”. A entrevista foi quando Clarice voltou ao Recife para rever lugares da infância, que aparecem nos contos autobiográficos. As lembranças ficaram gravadas para todo o sempre. Ela pode ser considerada uma “cronista da cidade do Recife”'.

A relação foi intensa no caso das irmãs, Tania e Elisa Lispector?
As três guardaram Recife na memória. Clarice é a que faz mais referências explícitas ao Recife, tanto em entrevistas quanto em contos e crônicas. Elisa escreveu cerca de dez livros, muitos autobiográficos, mas não se refere à cidade nos termos em que Clarice o faz, cita sobretudo a ascendência judaica. Tania foi quem me apresentou o casarão em que a família morou na praça Maciel Pinheiro. Ela se referia a esse prédio sempre com saudade. 

Fala-se muito sobre transformar o local em casa-museu para abrigar o acervo cultural das Lispector, mas o projeto não se concretiza. Seria importante? 
Torço para que o projeto siga em frente e possa ser executado. Não é qualquer cidade que pode contar com a feliz constatação de que ali viveu uma escritora tão importante quanto Clarice, e que, além de Clarice, a cidade também abrigou duas outras escritoras, ainda que menos conhecidas que a primeira - Elisa e Tania. Há muitos anos nós, leitores e admiradores da literatura das Lispector e da cultura nordestina, estamos esperando por isso.
 
>> o  passeio
Para lembrar a relação de Clarice com o Recife, o Viver sugere um passeio ciclístico pelos locais que marcaram e foram marcados pela escritora.
 
 Fellipe Torres - Diario de Pernambuco
 

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