Orquestra Jovem e Fafá de Belém executam sinfonia de Dom Helder
Concerto aberto, regido pelo maestro Rafael Garcia, vai trazer a peça Sinfonia dos dois mundos
Do JC Online
Foto: Guga Matos/JC Imagem
Na década de 1970, o
arcebispo emérito de Olinda e do Recife Dom Helder Câmara decidiu criar
uma sinfonia – uma forma de continuar sua luta pelos necessitados, uma
constante em missas, textos e, principalmente, na sua vida. Nos versos,
propôs uma reflexão sobre a realidade social do mundo e os caminhos
humanos. Ao finalizá-los, procurou o padre e compositor suíço Pierre
Kaelin para ajudar com a harmonia. Surgia a Sinfonia dos dois mundos,
peça em seis movimentos para coral e orquestra que foi executada por
todo o mundo até os anos 1990, com o próprio Dom Helder como recitante.
Neste domingo, o público recifense tem a
chance de ver uma nova montagem da peça musical, executada pela
Orquestra Jovem de Pernambuco com regência do maestro Rafael Garcia. O
time de solistas é ilustre, com a cantora Fafá de Belém e o professor da
UFPE Adriano Pinheiro, além de Frei Rinaldo, que assume o papel de
desempenhado por Dom Helder. A apresentação gratuita acontece no Parque
Dona Lindu, a partir das 18h.
Fafá de Belém faz as vezes de
meio-soprano, papel que já havia desempenhado quando a obra foi
apresentada no Rio de Janeiro, em 1985, sob a regência de Isaac
Karabtchevsky. “Dom Helder participou do concerto. Eu fiquei super
emocionada. Foi depois da campanha das Diretas Já, quando começávamos a
viver aquela liberdade que, junto com a justiça social, havia sido uma
das bandeiras dele”, relembra a cantora. A ideia era fazer uma nova
apresentação em 2009, para celebrar o centenário do arcebispo, mas não
foi possível. “Agora, vamos aproveitar o período das festas para mostrar
a luz dessa música, que discute temas tão atuais quando a necessidade
de unir primeiro e terceiro mundo e enfrentar a miséria”, ela comenta.
Animada para executar pela primeira vez a Sinfonia dos dois mundos
em um espaço aberto no Recife, Fafá conta que mergulhou há 15 dias na
estrutura para treinar melhor o estilo de canto erudito. “Mas é uma
sinfonia para todos, simples e tocante como Dom Helder era. É uma
reflexão, mas cheia de esperança e da possibilidade de renovação através
do amor”, aponta a cantora. “Convido todos a chorarem comigo durante o
concerto”.
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