Discurso de Obama deve se concentrar na desigualdade
Caso os democratas percam a maioria no Senado em novembro, o presidente perderá todas as suas expectativas de aprovação de seus projetos no Congresso
Da Agência Estado
Foto: JEWEL SAMAD / AFP
O discurso do presidente
Barack Obama sobre o Estado da União um ano atrás, foi uma ampla
declaração de valores liberais, que só foi possível por que ele havia
sido reeleito recentemente. Neste ano, depois de seus objetivos
legislativos terem, em sua maioria se desfeito no que tem sido
considerado o pior ano de sua presidência, Obama é menos popular do que
antes.
A maior parte do Congresso será
substituída em novembro e o discurso de Obama na noite de terça-feira
não deve colaborar muito para a reeleição dos democratas, que tentam
manter sua frágil maioria no Senado. Embora não explicitamente político,
seu discurso, que será visto em milhões de televisores do país, trará
argumentos econômicos que, esperam os democratas, repercutam entre os
eleitores.
Caso os democratas percam a maioria no
Senado em novembro, o presidente perderá todas as suas expectativas de
aprovação de seus projetos no Congresso. Os democratas estão menos
confiantes a respeito das perspectiva de retomar o controle da Câmara
dos Representantes, onde os republicanos devem manter a maioria.
Obama deve falar sobre a escolha entre
manter um país onde todos os estratos da população têm oportunidades
para melhorar suas vidas e um no qual a prosperidade é
desproporcionalmente desfrutada por um grupo seleto.
Nas últimas semanas, o presidente tentou
concentrar a atenção do país na tendência de desigualdade e baixa
mobilidade social que ele deve destacar em seus últimos anos de mandato.
Embora a economia ainda seja a principal
questão para muitos eleitores, os democratas veem as questões a
respeito da justiça econômica e da expansão do acesso à classe média
como sua melhor chance de conquistar ou permanecer em cargos eleitos do
governo.
"A segurança da classe média é uma
questão definidora de nosso tempo", disse o deputado Steve Israel, que
preside o braço de campanha democrata para a Câmara dos Representantes.
Quando Obama convidou os democratas do
Senado para uma reunião na Casa Branca neste mês, a maior parte do tempo
foi destinada à discussão sobre como os integrantes de seu partido
queriam que o presidente tratasse da ideia de expansão de oportunidades
econômicas no discurso sobre o Estados da União, disse um funcionários
da Casa Branca, que falou em condição de anonimato por não ter
autorização para discutir os acontecimentos da reunião.
Pesquisa AP/NORC Center for Public
Affairs Research realizada no mês passado mostrou que 68% dos
entrevistados gostariam que o governo federal gastasse uma quantidade de
recursos moderada a alta para reduzir a distância entre ricos e pobres.
Por outro lado, menos da metade quer que o governo se concentre no
avanço dos direitos dos gays ou no combate às mudanças climáticas.
Encontrar um tema que atinja eleitores
dos dois partidos é muito importante para a legenda de Obama neste ano,
quando democratas disputam 21 dos 35 assentos no Senado, muitos dos
quais na região sul do país, em Estados de tendência conservadora onde
as baixas taxas de aprovação de Obama devem atingir os democratas no
geral.
Mas o presidente pode concentrar a
atenção do público no que os democratas querem fazer para combater o
desemprego, melhorar a educação e os salários, questões que repercutem
profundamente nesses Estados.
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