Elke Maravilha diz que nunca foi mulher e não se arrepende de ter feito abortos
do BOL, em São Paulo
Nascida na Rússia em 1945, ela chegou ao Brasil com oito anos de idade, voltou para a Europa no período da ditadura militar e até plantou fumo na Grécia. Durante a entrevista, a performática Elke comentou um pouco sobre sua trajetória e ainda abordou assuntos polêmicos, como uso de drogas e aborto, que ela, inclusive, já fez.
Sobre sua experiência com abortos, ela foi taxativa: não se arrepende. "Eu tive consciência plena, não fiz filho porque eu não sei educar uma criança, e porque não posso ter âncoras, filhos são âncoras. Inclusive fiz abortos. Sem a menor culpa, porque, eu não saberia educar uma criança. Quando você fizer um filho, você tem que estar consciente de que está dando a vida e está dando a morte".
"Quanto mais velha eu fico mais eu acho que acertei", continuou a atriz ao comentar sobre sua decisão de fazer abortos, aproveitando para emendar o tema com sua visão de religião. "Eu tenho muitos deuses, sou politeísta. Eu vejo que as pessoas tem uma ideia muito de gente de deus, 'deus é fiel'. Fiel? Fiel é um adjetivo que fizeram pra gente, deus não cabe em um adjetivo que fizeram pra gente", rebateu. "Eu nunca fui obediente, mas na minha geração você não podia trepar sem casar. Eu nunca fui mulher, então não tive esse problema, trepei e pronto. Só fazem com você o que você permite".
Sobre o uso de entorpecentes, Elke revelou que teve experiências com algumas e que não sabe a solução para o tema criminalização das drogas. "Mas uma coisa eu sei, as campanhas que se fazem são completamente equivocadas, as pessoas não divulgam que a droga é gostosa. Se tua vida for preenchida de certas coisas, você não vai precisar da droga."
Para exemplificar seu ponto de vista, a atriz citou suas próprias impressões. "Maconha é relaxante. Eu fumando maconha, já fumei muitas vezes, durmo, porque eu já sou relaxada, não é algo de que eu precise. A cocaína é uma droga de poder, dá a sensação de que você é poderosíssimo. Eu não preciso dessa sensação de poder, mas tem gente que se sente uma merda tão grande, que precisa dessa sensação. Também já fumei crack, o crack é uma euforia, eu não preciso, mas criança de rua não precisa? Precisa", disse ela.
"Para você tirar uma pessoa do crack, além do problema físico, você tem que dar uma coisa mais gostosa pra ela. E outra coisa, droga não é pra fuga, é pra encontro. A minha geração tomou drogas pra autoconhecimento, agora eu não vejo mais gente tomando droga pra autoconhecimento, eu só vejo ou pra curtir, ou pra fugir. O poder é a pior droga e ninguém persegue o poder", concluiu Elke.
(Com informações do site Brasília em Pauta)
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