Italiana escreve livro sobre submissão feminina: "A mulher tem que ser doce para que o homem sinta o desejo de dar a vida por ela"
A polêmica - e controversa - Costanza Miriano é autora de "Casada e Submissa", publicação que se transformou em best-seller e está causando (muita!) discussão na Europa. Em entrevista à Marie Claire, a escritora fala sobre o livro, feminismo e homossexualidade e diz que não tem medo de ser criticada: "apenas luto pelo bem dos meus filhos e pelos dos outros que não podem se defender, como a Igreja"
Marie Claire - Qual foi seu objetivo ao escrever “Casada e Submissa”?
Costanza Miriano - Eu simplesmente queria dizer aos meus amigos que casar é bom, engraçado, emocionante, e que permanece assim mesmo depois de anos. E que ter filhos é a maior alegria que pode acontecer a uma mulher. O amor não é só emoção: em certos momentos é uma decisão. A restrição nos prende e nos protege de nosso coração que, às vezes, também pode ser não-confiável. Comecei a escrever cartas aos meus amigos que decidiram se casar porque me pareceu que as contradições que separam o casamento da felicidade eram pequenas e sem importância. Em suma, queria ligar para todos eles e escrevi um livro para economizar dinheiro na conta de telefone. Nunca pensei que teria esse barulho todo ao redor disso!
C.M - Sou católica e minha visão do mundo, da vida, do casamento não pode fugir disso. Falo de Deus em todas as coisas que faço. Dito isto, acredito que os dez mandamentos são o manual do ser humano. Meu livro também é um manual de instruções e ninguém é obrigado a acreditar na minha bíblia. Mas, você não precisa ser religioso para ser fiel a uma única pessoa. Todos, quando começam uma história, querem que seja para sempre. Está escrito no coração humano.
C.M - Se você olhar no dicionário a palavra sexismo significa "discriminação em razão do sexo". Discriminar significa literalmente "julgar de forma diferente". Acho que é certo que os gêneros são discriminados: homens e mulheres são tão diferentes que nem sequer falam a mesma língua. Mesmo quando fazem a mesma coisa, sai de modo diferente. Nossa diferença é proveitosa e maravilhosa. Não quero ser igual a um homem. Mulheres que exigem os mesmos direitos deles não têm ambição nem imaginação.
MC: Você acha que as mulheres ainda são submissas aos seus maridos ou o feminismo e a independência estão cada vez maior?
C.M: São duas categorias incomparáveis. A expressão referida a São Paulo, ao qual dediquei dois livros, é uma atitude totalmente espiritual. O feminismo foi uma coisa boa, até que serviu para mulheres afirmarem um olhar atento e respeitoso na sociedade. O problema é que o feminismo tem adotado a mesma lógica dos homens. As mulheres, liberadas da repressão masculina, começaram a exercê-la em si mesmas e em seus filhos com métodos de contracepção e aborto. Independência da mulher é uma coisa boa, se isso significa que ela se livre do poder dos homens. A submissão para as mulheres deve significar a capacidade de renunciar ao seu desejo de controlar o homem. A mulher tem que ser doce e amigável para que o homem sinta o desejo de dar a vida por ela. Quando ele vê que ela tem o prazer de fazê-lo feliz, ele está disposto a morrer por ela.
C.M: Na Itália foram vendidos 45 mil exemplares. As razões para o sucesso italiano estão no fato de que encontrei uma nova linguagem humorística para falar sobre sérios problemas que geralmente estavam ligados a histórias chatas. Misturei os princípios do matrimônio cristão com a sátira dos dias de hoje de uma mãe moderna com quatro filhos, que é jornalista e corredora de maratona, e que quer ter o jantar sempre pronto, cuidar dos filhos, fazer seus trabalhos e ainda telefonar para as amigas, tudo em uma fração de tempo caótica. Na Espanha, mesmo vendendo tanto, todos os jornais e TV têm falado mal do meu livro! Em parte, a aversão foi desencadeada pelo fato de que ele foi publicado pela editora do Arcebispo de Granada, e o clima lá é muito avesso à Igreja. A palavra "submissa" também provocou grande escândalo, embora poucos tenham lido e entendido realmente. Há uma forte pressão do governo e das agências de notícias em favor de teorias de gênero, que são o oposto da Igreja e do que escrevo.
C.M: As palavras de Javier Martinez foram distorcidas e não é culpa dele. A mídia me trata como se eu não tivesse nenhuma boa-fé e fazem a mesma coisa com ele. O arcebispo falou que o aborto é a pior violência sobre o corpo da mulher e que é uma violência maior ainda deixar as mulheres livres para decidir as consequências desta terrível experiência. Eu concordo. Acompanhei o discurso dele e não houve incentivo ao estupro. De qualquer forma, cada um é responsável por suas próprias palavras. Ou seja, meu livro deve ser julgado por minhas palavras, não pelas palavras dele!
MC: Você foi acusada pela Izquierda Unida (movimento político e social espanhol) de “incitar a violência contra as mulheres”. Como reagiu a essa acusação?
C.M: Tenho mesmo que responder a isso? Meu livro é sobre outras coisas. Falo de relações normais entre homens e mulheres, não tem nada de violência nele. Escrevo para meus amigos, e nenhum deles sofreu violência, então porque eu teria que falar sobre isso? Violência contra as mulheres é coisa para os juízes e psiquiatras. Sou mulher, mãe e jornalista. Mais de 60 mil pessoas no mundo até agora leram meu livro. Quem não quiser ler, não leia. Mas foi pedido que retirem ele do mercado porque, segundo a ministra espanhola Ana Mato, "o livro incita os homens a cometerem crimes contra a mulher". Sendo assim, gostaria de saber em que ponto está o crime. Se é a palavra "submissa" que incomoda, que queimem todas as bíblias do mundo.
MC: Você apoia o "Manif pour tous" (movimento de oposição ao casamento gay na França)? Ao lançar este livro, não teve receio da reação dos grupos feministas e de ativismo em prol do público LGBT?
C.M: Medo? Você está brincando? Dizem que na Europa ninguém deve ter medo de defender suas ideias, mas e as da Igreja? Respeito os homossexuais e todos os movimentos LGBT. Conheço alguns homossexuais que querem apenas o bem e nunca pensei que alguém poderia ser violento comigo. Se eles já saem nas ruas, é um sinal de que há mais liberdade, civilização, humanidade. Mas eu, particularmente, não tenho medo de expor minhas ideias. Apenas luto pelo bem dos meus filhos e pelos dos outros que não podem se defender, como a Igreja.
C.M: Francamente, não creio nessa hipótese. As feministas pediram aos procuradores para investigarem meu livro. Tenho certeza de que até mesmo uma equipe de juízes nunca vai encontrar uma vírgula que é criminalmente relevante nele, nenhum incitamento ou justificação e minimização da violência. No entanto, se você já tem a ideia de censura dentro de si, é um mau sinal. Na Itália a liberdade de expressão não é crime, mesmo que judicialmente queiram fazer leis para isso. Você acha correto punir uma pessoa só porque ela tem uma opinião, se expressa com coerência, respeito, sem ofender ninguém e mostra uma visão do mundo?
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