Morre Lúcia Rocha, mãe do cineasta Glauber Rocha, aos 95 anos, no Rio
O falecimento foi confirmado na internet por Paloma Rocha, neta de Lúcia
CorreioWeb
A mãe do cineasta Glauber Rocha, Lúcia Rocha, morreu no começo da tarde desta sexta-feira (3), no Rio de Janeiro. O falecimento foi confirmado por Paloma Rocha, neta de Lúcia, via Facebook. A morte se deu por causas naturais, segundo outro neto, Henrique Cavalleiro.
De acordo com Paloma, o velório será realizado esta noite, na Fundação Tempo Glauber, também na capital fluminense. A mãe de Glauber Rocha tinha 95 anos e participava ativamente da Fundação dedicada à memória da obra do cineasta, expoente do cinema novo nacional.
"Com muita tristeza aviso aos amigos que minha avó está partindo. Para aqueles que quiserem se despedir, o velório será hoje a noite no Tempo Glauber", informou Paloma na rede social.
Em março de 2013, Lúcia Rocha concedeu entrevista ao Correio e falou sobre a reabertura do Tempo Glauber, contou como era a relação com o filho cineasta e relatou como superou a perda dos três filhos.
Memória
Nascida em 1918 na cidade baiana de Vitória da Conquista, Lúcia Mendes de Andrade casou-se com o engenheiro Adamastor Rocha. O casal teve três filhos, entre eles, Glauber Rocha, que se tornaria famoso na década de 1960 com o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, indicado à Palma de Ouro e o preferido de Lúcia. Em 1947, a família de Glauber mudou-se para Salvador, pois o pai abriu um comércio na Rua Chile, a tradicional loja de roupas masculinas “O Adamastor”.
Tragicamente, Dona Lúcia enterrou o marido e os três filhos. A primeira, Ana Marcelina, com apenas 13 anos, vítima de leucemia, em 1943. A outra filha, Anecy, morreu no auge da carreira de atriz quando caiu no poço do elevador do prédio onde morava, em 1976. Cinco anos depois, foi a vez de Glauber: faleceu aos 42 anos, vítima de uma pericardite viral - complicação infecciosa. Um antes, em 1980, Dona Lúcia havia perdido o marido.
Trechos de "A primavera do dragão", de Nelson Mota, em referência a Dona Lúcia
“Para nascer, ele quase matou a mãe. No casarão da rua da Várzea, Lucinha viveu uma longa noite de suor e lágrimas, padecendo com as dores terríveis das contrações. Com 20 anos, a pequena e frágil estava exausta e poderia desfalecer a qualquer momento. Só a emoção do primeiro filho a mantinha lutando…. Por suas mãos e ferros, Glauber nasceu com cinco quilos, moreno, peludo e chorando alto. Raiava o 14 de março e a Bahia comemorava o 92º aniversário do poeta Castro Alves, morto aos 24 anos, marcado pela glória, paixão e tragédia.”
“Lucinha era filha de fazendeiro, vivia com os pais e 13 irmãos no casarão de sete quartos e quatro salas na rua da Várzea. Foi educada nos rígidos padrões morais da Igreja Batista, lendo a Bíblia e frequentando cultos dominicias. Empolgada com a companhia mambembe de teatro que se arpresentara na cidade, Lucinha se encantou com a atriz que fazia a heroína, que a maledicência provinciana dizia ter largado o marido para fugir com trapezista de circo. Quando se formou no colégio, pediu um presente ao pai: que a deixasse estudar teatro, ser atriz”.
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| Lucia Rocha em julho de 1991. Foto: Eraldo Peres/CB/D. A Press |
A mãe do cineasta Glauber Rocha, Lúcia Rocha, morreu no começo da tarde desta sexta-feira (3), no Rio de Janeiro. O falecimento foi confirmado por Paloma Rocha, neta de Lúcia, via Facebook. A morte se deu por causas naturais, segundo outro neto, Henrique Cavalleiro.
De acordo com Paloma, o velório será realizado esta noite, na Fundação Tempo Glauber, também na capital fluminense. A mãe de Glauber Rocha tinha 95 anos e participava ativamente da Fundação dedicada à memória da obra do cineasta, expoente do cinema novo nacional.
"Com muita tristeza aviso aos amigos que minha avó está partindo. Para aqueles que quiserem se despedir, o velório será hoje a noite no Tempo Glauber", informou Paloma na rede social.
Em março de 2013, Lúcia Rocha concedeu entrevista ao Correio e falou sobre a reabertura do Tempo Glauber, contou como era a relação com o filho cineasta e relatou como superou a perda dos três filhos.
Memória
Nascida em 1918 na cidade baiana de Vitória da Conquista, Lúcia Mendes de Andrade casou-se com o engenheiro Adamastor Rocha. O casal teve três filhos, entre eles, Glauber Rocha, que se tornaria famoso na década de 1960 com o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, indicado à Palma de Ouro e o preferido de Lúcia. Em 1947, a família de Glauber mudou-se para Salvador, pois o pai abriu um comércio na Rua Chile, a tradicional loja de roupas masculinas “O Adamastor”.
Tragicamente, Dona Lúcia enterrou o marido e os três filhos. A primeira, Ana Marcelina, com apenas 13 anos, vítima de leucemia, em 1943. A outra filha, Anecy, morreu no auge da carreira de atriz quando caiu no poço do elevador do prédio onde morava, em 1976. Cinco anos depois, foi a vez de Glauber: faleceu aos 42 anos, vítima de uma pericardite viral - complicação infecciosa. Um antes, em 1980, Dona Lúcia havia perdido o marido.
Trechos de "A primavera do dragão", de Nelson Mota, em referência a Dona Lúcia
“Para nascer, ele quase matou a mãe. No casarão da rua da Várzea, Lucinha viveu uma longa noite de suor e lágrimas, padecendo com as dores terríveis das contrações. Com 20 anos, a pequena e frágil estava exausta e poderia desfalecer a qualquer momento. Só a emoção do primeiro filho a mantinha lutando…. Por suas mãos e ferros, Glauber nasceu com cinco quilos, moreno, peludo e chorando alto. Raiava o 14 de março e a Bahia comemorava o 92º aniversário do poeta Castro Alves, morto aos 24 anos, marcado pela glória, paixão e tragédia.”
“Lucinha era filha de fazendeiro, vivia com os pais e 13 irmãos no casarão de sete quartos e quatro salas na rua da Várzea. Foi educada nos rígidos padrões morais da Igreja Batista, lendo a Bíblia e frequentando cultos dominicias. Empolgada com a companhia mambembe de teatro que se arpresentara na cidade, Lucinha se encantou com a atriz que fazia a heroína, que a maledicência provinciana dizia ter largado o marido para fugir com trapezista de circo. Quando se formou no colégio, pediu um presente ao pai: que a deixasse estudar teatro, ser atriz”.
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