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27 de janeiro de 2014

Polêmica » Padre volta a celebrar missas Após a polêmica da versão de funk nas redes sociais, padre Hewerton di Castro retoma obrigações




Religioso não se referiu à polêmica durante os sermões. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press
Religioso não se referiu à polêmica durante os sermões. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press

O padre Hewerton di Castro Alves, 37 anos, quebrou, ontem, o silêncio e decidiu falar sobre a repercussão envolvendo seu nome após aparecer nas redes sociais cantando e dançando uma versão religiosa do funk Show das poderosas, da cantora Anitta. Aparentemente abatido, mas tentando retomar a rotina, o religioso celebrou, na manhã de ontem, as missas das 9h, na Capela de Santo Antônio, em Vila Tamandaré, na Estância, e das 11h, na Comunidade Divino Pai Eterno, na Vila Cardeal e Silva, após ausentar-se das pregações do sábado. O religioso disse ao Diario que, após a polêmica, decidiu que não irá mais cantar ou mesmo continuar com perfis no Facebook, onde tinha cerca de 14 mil seguidores.

Durante a missa, o padre evitou falar na polêmica do vídeo na hora do sermão, mas recebeu apoio do público enquanto desejava a paz a cada um deles, como faz costumeiramente. “Ele agiu conforme a conveniência dele e o vídeo não agride. Se fosse outra música, não haveria tanta confusão”, defendeu uma mulher, que participou da missa. A celebração da manhã costuma ser frequentada por pessoas mais idosas e ontem a igreja estava cheia, mas não lotada.

O vídeo no qual o padre aparece cantando e dançando o funk religioso foi gravado durante um culto ecumênico de uma turma de direito da Universidade Católica de Pernambuco, na Arcádia Paço Alfândega. O material foi postado, no último dia 17, no YouTube. A releitura foi criada pelo músico Thiago Pigozzo e ficou conhecida durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, em julho, onde não causou polêmica.

Até ontem à tarde, quase 65 mil pessoas já haviam visto o vídeo. Na última sexta-feira, os formandos de direito que assistiram à apresentação do padre publicaram uma carta aberta no Facebook defendendo o religioso. Hewerton tornou-se padre em dezembro de 2012, após entrar para o Seminário de Olinda. Chegou a iniciar cursos em duas universidades, mas preferiu não informar quais foram. É considerado um padre extrovertido e vaidoso e chega a frequentar a academia três vezes por semana. Filho de mãe judia, preferiu optar pelo catolicismo, onde costumava fazer a liturgia com músicas e danças, dentro do Movimento de Renovação Carismática.

Entrevista >> Padre Hewerton

“Não canto mais”

O senhor acha que errou ao interpretar um funk religioso?
Acho que não errei. Mas, se fiz algo e causei polêmica e respostas agressivas, não é bom voltar a fazer. Não é essa a minha função como padre. Eu não sou padre cantor. Acho que se fosse a versão da música de outro cantor, não teria essa polêmica. 

O senhor critica a atuação dos padres cantores?
Acho o máximo, mas esse recurso não vou mais usar. Não vou mais cantar.

Como o senhor se sente hoje após a repercussão?
É tudo tão surreal o que está acontecendo comigo. Você liga a TV, vê a internet, e eu estou lá. Claro que já pedi desculpas a quem ofendi. A intenção não foi ser polêmico ou ficar famoso. Quem criticou é gente de fora da diocese. São Paulo dizia que tudo converge para o bem daqueles que amam a Deus, então tudo isso trará algum benefício para a igreja, tudo bem, mas não para mim. 

O senhor produziu camisas e canecas com sua imagem.
Foi para angariar fundos para a construção da casa paroquial. Também fiz dois shows, um no Conjunto Inês Andreazza e outro e no Clube dos Fornecedores de Cana. A música que foi divulgada na internet aconteceu durante um culto ecumênico, onde eu preguei. Inclusive, tiraram a parte da pregação e colocaram só a dança.

Como foi a conversa com dom Fernando Saburido?
A conversa foi de um filho com um pai. Já cheguei para ele dizendo que não iria mais fazer esse tipo de apresentação.

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