Tyson tenta se entender com traumas: 'Só sabia machucar as pessoas'
Ex-boxeador diz que brigas da mãe com namorados explicam seu comportamento violento com as mulheres: 'É por isso que eu era sexualmente disfuncional'
Tyson recorda da trágica perda de sua filha, Exodus, que morreu em 2009 aos quatro anos, quando brincava na esteira de casa e acabou se enforcando com uma corda amarrada do aparelho de ginástica.
- Eu nunca vou superar isso. Eu simplesmente não posso - disse, com lágrimas nos olhos - Se eu não fosse casado seria bem diferente. Eu teria sido o idiota violento porque era tudo o que eu sabia, como machucar pessoas. Costumava fazer isso e nunca me preocupava com as repercussões. Mas eu me rendi agora. Estava pensando na minha filha quando... (ele aponta para os olhos lacrimejantes)... mas estou apenas feliz, não sou a mesma pessoa.
O ex-campeão dos pesos pesados diz com orgulho que está há cinco meses longe das drogas. Lembra que ficou três anos sóbrio, mas que não vivia com sobriedade. Ainda era uma pessoa ruim e manipuladora. Leu um livro sobre definições de famosos sobre a felicidade e pensou qual seria a sua:
Eu costumava ver a mulher em igualdade física nos confrontos. Eu deveria ter levado as mulheres à sério.
Mike Tyson
A matéria do Guardian cita passagens de sua biografia, "Undisputed Truth" (A verdade incontestável, em tradução livre), onde Tyson lembra da títmida infância e das brigas feias da mãe com um ex-namorado Eddie. Depois de levar um soco que lhe arrancou o dente, Lorna se vingou jogando água fervendo nele. Bastou Eddie lhe dar uma garrafa de bebida de presente para que tudo ficasse em paz.
- É por isso que eu era sexualmente disfuncional. Eu costumava ver a mulher em igualdade física nos confrontos. Eu deveria ter levado as mulheres à sério. Tentei explicar no livro que eu não cresci cercado de mulheres amedrontadas. Elas podem te matar, principalmente se você as desrespeitá-las. Eu me lembro da minha mãe atacando esse homem. Era uma casa violenta.
A mãe também não acreditava nele. Quando saíram as primeiras matérias nos jornais sobre o filho, perguntou o que "aquela gente branca via nele". Tyson também lembrou de seu irmão, Rodney, cinco anos mais velho. Cirurgião assistente em um hospital da California, ele ficou traumatizado pela infância pobre e não quis ler a biografia do parente. Ele chegou a ser baleado por amigos de Tyson, que lamenta a relação distante entre os dois:
- Não nos vemos muito. Não temos uma relação próxima. São muitos demônios, muita dor.
Sobre o seu primeiro treinador, o falecido Cus D'Amato, Tyson lembra das infrutíferas tentativas em disciplina-lo através do boxe. Foi ele quem percebeu que o lutador não conseguia receber um não como resposta. Principalmente de alguma garota por quem se interessasse. Nietzsche, Richard Wagner, Dostoevsdy, Tostoy e Napoleão são algumas das personalidades citadas por Tyson para tentar se explicar.
- Você pode ser um idiota e ainda aprender alguma coisa com esses caras. Você não precisa ir para a escola. Eu aprendi muito e os altos e baixos me ajudaram bastante.
- Minha mulher me deu a percepção de gratidão que eu nunca tive. Isso é como um paraíso comparado com o que era antes.
Com sua empresa de promoções, seu livro e o show onde conta as histórias de sua vida, Tyson tem o bastante para se sustentar. Por fim, a tatuagem no seu rosto virou assunto:
- No começo algumas pessoas ficavam assustadas. Ela não tem nenhum significado. Essa tatuagem sou eu. Às vezes eu vejo pessoas com tatuagens no rosto como eu e digo "Uau, esse cara é louco!". Esqueço que eu tenho uma na cara!
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