Com mais de 30 Carnavais, Alceu Valença diz que nunca se moldou ao mercado
Leonardo Rodrigues
Do UOL, de São Paulo
Do UOL, de São Paulo
- Divulgação
O músico Alceu Valença, uma das atrações do Carnaval do Recife
"Costumo dizer que sou um espelho do meu povo. Eu me reconheço nele e ele se reconhece em mim como uma extensão de sua própria cultura. É por isso que o povo diz que meu show é o melhor do Carnaval pernambucano. Nunca fiz concessões para moldar minha música de acordo com os caprichos do mercado. Sempre fui e continuo sendo um amigo da arte", conta por e-mail ao UOL o músico, escrevendo de Lisboa, onde finalizava as gravações de um documentário sobre os primeiros anos de sua prolífica carreira.
Natural da pequena São Bento do Una, a 215 km da capital, Alceu é do mundo, mas, como bom pernambucano, jamais dá de ombros às raízes. Em conversas e entrevistas, é comum vê-lo saindo em defesa dos blocos populares e da legítima música de rua, feita por emboladores, cantadores de coco e cegos de feira. Suas maiores influências, diz.
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Capa do novo álbum do músico Alceu Valença
As novas músicas, no entanto, já estrearam em show no Rio de Janeiro, no último fim de semana. Engatilhado há uma década, o álbum é uma extensão natural do projeto "Asas da América", do compositor caruaruense Carlos Fernando. Foi ele quem introduziu Alceu ao frevo e ao Carnaval nos anos 1980, e é por ele que o autor de "Tropicana" nutre uma de suas mais profundas admirações.
"Eu tinha alguma reserva em cantar frevo, mas Carlinhos me incentivava muito e eu acabei compondo uma série de frevos com ele. Muita coisa mudou de lá para cá, a folia tomou proporções muito maiores. Mas o espírito do Carnaval pernambucano permanece o mesmo."
O espírito artístico de Alceu anda atualmente dividido. Está prestes a, enfim, lançar o filme "A Luneta do Tempo", após 14 anos de produção. Dirigido por ele, o longa tem lançamento previsto para o segundo semestre. Antes, em maio, será a vez do do DVD ao vivo "Valencianas", gravado em Belo Horizonte, ao lado da Orquestra Ouro Preto.
"Sou um artista múltiplo, com diversas tendências. O Carnaval é uma delas", afirma, para em seguida filosofar sobre o significado da onírica "Sonhos de Valsa", na qual versa sobre uma espécie de extrato carnavalesco. "O éter do Carnaval é o sonho, os mitos carnavalescos que habitam seu inconsciente, seus símbolos, sua expressão. Seria pouco ou demais segredo. Seria treva, mas também seria luz."
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