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26 de fevereiro de 2014

Com mais de 30 Carnavais, Alceu Valença diz que nunca se moldou ao mercado

Leonardo Rodrigues
Do UOL, de São Paulo
  • Divulgação
    O músico Alceu Valença, uma das atrações do Carnaval do Recife O músico Alceu Valença, uma das atrações do Carnaval do Recife
Do alto de seus 67 anos, pouco mais de trinta deles dedicados ao Carnaval, Alceu Valença não se avexa em se autoproclamar o "espelho do seu povo". E não sem motivo. É praticamente impossível vislumbrar a folia recifense sem a sua tão aguardada presença. Desta vez, em 2014, o pernambucano dará início à tradicional maratona de shows ancorado por "Amigo da Arte", seu mais recente trabalho --o primeiro em seis anos. No repertório, o mais puro sal de sua terra: frevo, maracatu, cirandas e caboclinhos.
"Costumo dizer que sou um espelho do meu povo. Eu me reconheço nele e ele se reconhece em mim como uma extensão de sua própria cultura. É por isso que o povo diz que meu show é o melhor do Carnaval pernambucano. Nunca fiz concessões para moldar minha música de acordo com os caprichos do mercado. Sempre fui e continuo sendo um amigo da arte", conta por e-mail ao UOL o músico, escrevendo de Lisboa, onde finalizava as gravações de um documentário sobre os primeiros anos de sua prolífica carreira.
Natural da pequena São Bento do Una, a 215 km da capital, Alceu é do mundo, mas, como bom pernambucano, jamais dá de ombros às raízes. Em conversas e entrevistas, é comum vê-lo saindo em defesa dos blocos populares e da legítima música de rua, feita por emboladores, cantadores de coco e cegos de feira. Suas maiores influências, diz.
  • Capa do novo álbum do músico Alceu Valença
Entre regravações --"Nas Asas de um Passarinho" e "Amigo da Arte"-- e números nunca lançados oficialmente --"Ciranda da Aliança", "Frevo da Lua--, as novas faixas serão apresentadas no Recife apenas no encerramento da festa, no dia 4 de março, no tradicional show do Marco Zero.

As novas músicas, no entanto, já estrearam em show no Rio de Janeiro, no último fim de semana. Engatilhado há uma década, o álbum é uma extensão natural do projeto "Asas da América", do compositor caruaruense Carlos Fernando. Foi ele quem introduziu Alceu ao frevo e ao Carnaval nos anos 1980, e é por ele que o autor de "Tropicana" nutre uma de suas mais profundas admirações.

"Eu tinha alguma reserva em cantar frevo, mas Carlinhos me incentivava muito e eu acabei compondo uma série de frevos com ele. Muita coisa mudou de lá para cá, a folia tomou proporções muito maiores. Mas o espírito do Carnaval pernambucano permanece o mesmo."

O espírito artístico de Alceu anda atualmente dividido. Está prestes a, enfim, lançar o filme "A Luneta do Tempo", após 14 anos de produção. Dirigido por ele, o longa tem lançamento previsto para o segundo semestre. Antes, em maio, será a vez do do DVD ao vivo "Valencianas", gravado em Belo Horizonte, ao lado da Orquestra Ouro Preto.

"Sou um artista múltiplo, com diversas tendências. O Carnaval é uma delas", afirma, para em seguida filosofar sobre o significado da onírica "Sonhos de Valsa", na qual versa sobre uma espécie de extrato carnavalesco. "O éter do Carnaval é o sonho, os mitos carnavalescos que habitam seu inconsciente, seus símbolos, sua expressão. Seria pouco ou demais segredo. Seria treva, mas também seria luz."
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