Jogadores do Corinthians atacam organizadas e apoiam greve no Paulista
Por UOL Esporte
Os jogadores do Corinthians
quebraram o silêncio sobre a invasão do CT Joaquim Grava. Três dias
depois do dia de terror, o grupo emitiu uma nota oficial em que lamenta o
próprio desempenho em campo, mas diz não admitir novos episódios de
violência como aqueles ocorridos no último sábado, e anunciam o apoio à
paralisação do Campeonato Paulista.
"Não admitiremos mais nenhum desrespeito
ao nosso compromisso de profissionais dedicados e honestos com o clube e
sua enorme massa torcedora. A nossa vida e a nossa segurança valem mais
do que qualquer contrato ou interesse político/financeiro/particular de
terceiros", disse o documento, publicado no site oficial do
Corinthians.
Leia a íntegra da nota abaixo:
"Os atletas profissionais do Sport Club
Corinthians Paulista vêm a público se manifestar a respeito dos fatos
lamentáveis ocorridos na manhã de sábado, 1 de fevereiro, no CT Joaquim
Grava, onde a equipe realiza seus treinamentos.
Estamos fartos com a irracionalidade e
com os atos de violência impunes que envolvem inúmeras situações ligadas
ao futebol. As cenas grotescas vividas neste último sábado por nós
jogadores e por todos os funcionários do SCCP determinam que uma
tragédia sem precedentes está prestes a ocorrer no ambiente de trabalho
de qualquer clube de futebol profissional no país e nós não seremos
coniventes com isso. É preciso dar um basta e unir uma força tarefa
capaz de oferecer segurança aos profissionais e aos torcedores de bem.
Sabemos que esta não é a primeira, mas
deveria ser a última vez que marginais ligados às torcidas organizadas
invadam propriedade privada, agridam jogadores e funcionários do clube e
os ameacem com armas. Sabemos também que estes mesmos marginais,
infiltrados nas torcidas de todo o país, provocaram mais de 90 % das
brigas nos estádios nos últimos anos, causaram mortes e afastaram o
público e suas famílias dos campos de futebol.
Assim como há uma maioria de jogadores
dedicados e profissionais, há também, como em qualquer profissão,
jogadores menos responsáveis e menos comprometidos. Nos momentos de
derrota e nas fases difíceis, os torcedores revoltados se sentem no
direito de nivelar por baixo e tratar todos os atletas da mesma forma.
Mas quando, em momentos de crise e de violência, as torcidas
organizadas, compostas por pessoas boas e pessoas ruins, sofrem esse
mesmo preconceito e são tratadas como um todo, se revoltam com a
injustiça.
Admitimos o nosso fracasso dentro de
campo nos últimos meses e admitimos um fracasso ainda maior por termos
ido a campo no último final de semana quando, na verdade, poderíamos ter
dado um basta a essa situação e chamado a atenção de todo o país, das
autoridades, dos clubes e dos organizadores dos campeonatos para uma
tragédia que há de acontecer se nada for feito para estancar a violência
em todos os níveis do futebol.
Fracassamos por causa dos riscos
contratuais do clube com os patrocinadores, com a Federação Paulista de
Futebol, com a Rede Globo de Televisão e em respeito à verdadeira
torcida corinthiana. Se isso não demonstrar o comprometimento deste
grupo de atletas com o SCCP, não há mais nada a dizer.
Queremos que fique claro que nós,
enquanto jogadores, não nos sentimos credores de coisa alguma. Ao
contrário, nos sentimos honrados e extremamente felizes por termos
conquistado tanto com a gloriosa camisa corinthiana e até nos sentimos
em dívida com a Fiel, a de verdade, pelo que não conseguimos fazer nos
últimos meses.
Mas nós, jogadores do Corinthians,
reivindicamos que haja segurança para que possamos trabalhar em paz em
busca de novas vitórias. Ninguém mais do que nós sente o desgosto da
derrota. E é por isso que exigimos que nos deem condições para a volta
por cima que buscamos.
Afirmamos que as vitórias do futuro
próximo só virão se todos jogarmos juntos, com a mesma receita das
vitórias do passado recente.
Finalmente, não admitiremos mais nenhum
desrespeito ao nosso compromisso de profissionais dedicados e honestos
com o clube e sua enorme massa torcedora. A nossa vida e a nossa
segurança valem mais do que qualquer contrato ou interesse
político/financeiro/particular de terceiros. Nós tornamos público o
nosso apoio à iminente paralisação proposta pelo sindicato dos atletas
profissionais do Estado de São Paulo para o fim de semana, visando
melhorias nas condições de trabalho para os empregados de todos os
clubes de futebol do país.
Estamos à disposição das autoridades e
dos órgãos públicos para identificar e colaborar com a punição dos
responsáveis por essa barbárie e pela criação de medidas que evitem o
risco de novas ações violentas.
Atenciosamente,
Grupo de atletas profissionais do SCCP"
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