Médico do Corinthians relata tensão em invasão ao CT: "foi vandalismo"
Do UOL, em São Paulo
"Minha sorte foi que um me reconheceu, fiquei extremamente nervoso, bati meu cotovelo. Eu caí no meio daquele terror e passei mal, tive uma arritmia, minha pressão chegou ao máximo de 21 por 15", relatou Grava, que definiu o protesto de sábado como o pior que viu em 35 anos de clube. "Estou no Corinthians desde 1979, já presenciei vários protestos, mas não desse jeito, não foi um protesto na verdade, foi uma agressão, um vandalismo".
Os jogadores do Corinthians ficaram trancados em uma sala no CT do clube, enquanto o atacante Guerrero chegou a ser agredido pelos torcedores. "O Guerrero estava na sala de massagem e foi salvo pelo auxiliar de coordenação física, e mesmo assim parece que conseguiram tocar nele", disse o médico.
O médico criticou a ação da polícia durante a invasão e disse que a corporação não estava preparada para o episódio. "Alguma coisa teria que ter sido feita, mas a polícia nossa não está podendo fazer isso. Não é em São Paulo, não é no Corinthians. É no Brasil todo", criticou.
A invasão de torcedores aconteceu no momento em que o técnico Mano Menezes iria começar os trabalhos de treinamento do Corinthians para o jogo contra a Ponte Preta, disputado no domingo em Campinas. O elenco precisou ficar trancado em um vestiário por cerca de três horas, até que a situação ficasse mais calma.
O presidente do Corinthians, Mário Gobbi, disse na última segunda-feira que o clube não tem nada a ver com as torcidas organizadas e jogou a responsabilidade de punições sobre os órgãos públicos de investigação.
"As torcidas são associações legalmente constituídas, e tem uma lei que regula a fiscalização delas, e não é o Corinthians que fiscaliza se elas podem ou não podem atuar. Vocês precisam cobrar de quem tem o poder de ver, atuar e fiscalizar as torcidas", disse o dirigente.
A Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians, se manifestou por meio de nota oficial horas mais tarde, negando envolvimento com a invasão. Mesmo assim, a entidade criticou os jogadores pelo recente desempenho do clube no Paulistão. O Alvinegro perdeu os últimos três jogos para São Bernardo, Santos e Ponte Preta.
"A situação ocorrida no último sábado, no Centro de Treinamento do Corinthians, demonstra não apenas o descontentamento por parte do torcedor organizado em relação à falta de comprometimento por parte dos jogadores e dirigentes do clube, mas sim de todo corintiano. Porém, os Gaviões da Fiel Torcida lamenta [sic] a linha de conduta violenta em que se deu o protesto. Em nenhum momento a diretoria dos Gaviões da Fiel Torcida compactuou para que houvesse um protesto com atos de vandalismo", disse o comunicado.
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