Tática para aumentar indicados transforma Oscar em terrenos para poucos
Chico Fireman
Do UOL, em São Paulo
Do UOL, em São Paulo
Na prática, a ideia era agradar os estúdios, fazer média com o cinema independente e deixar o Oscar mais antenado com o mercado. É bom lembrar que, um ano antes, dois filmes considerados favoritos a aparecer na lista de indicados ("Batman, o Cavaleiro das Trevas" e "Wall-E") foram excluídos, gerando uma revolta geral em Hollywood. O aumento do número de filmes finalistas era uma maneira de não pisar na bola de novo. Mas parece que o efeito foi o contrário, pelo menos neste ano.
Em 2014, apenas 12 filmes conseguiram emplacar indicações no chamado Top 8, as oito principais categorias do Oscar: filme, direção, os quatro quesitos de elenco e os dois de roteiro. Estas categorias, juntas, representam um total de 40 a 45 indicações, dependendo do número de finalistas a melhor filme. As 44 vagas deste ano foram divididas entre apenas 12 produções. Em outros anos --na época das cinco indicações para melhor filme-- 16, 18, 20 ou até mais longas conseguiam representação no Top 8.
Ouro e do prêmio do SAG, o Sindicato dos Atores, dois
termômetros para o Oscar. Como seus longas eram candidatos em potencial
para melhor filme, eles terminaram tendo mais sorte do que,
respectivamente, Robert Redford, por "Até o Fim", e Daniel Brühl, de
"Rush", filmes que já estavam de fora da disputa principal, segundo as
premiações anteriores.
A lógica de que os filmes "votáveis" são os candidatos a filme do ano também teria garantido uma inesperada indicação em montagem para "Clube de Compras Dallas", em detrimento de filmes mais técnicos --e mais comuns neste quesito-- como novamente "Rush", que passou em branco no Oscar deste ano. O filme de Ron Howard não chegou ao fim da corrida com a força de "Blue Jasmine", que mesmo sem indicação a melhor filme elegeu Cate Blanchett, que ainda puxou a "irmã" Sally Hawkins, ou de "Antes da Meia-Noite", que contou com o efeito "fim de trilogia" e manteve intactas suas chances em roteiro adaptado.
O que deveria preocupar a Academia é que a estratégia para aumentar o número de filmes prestigiados pelo Oscar parece ir por água abaixo. Caso a lógica do "melhor filme" permaneça no ano que vem, corre-se um sério risco de se transformar o Oscar num terreno ainda mais restrito, onde méritos individuais são subtraídos em decorrência do conjunto. Uma reforma parece necessária --e rápido-- inclusive porque ter nove filmes concorrendo a um prêmio não parece coisa muito séria.
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