Amedrontados, fiéis apoiam suspensão de rituais no Vale do Amanhecer
| Foto: Geyson Lenin/Esp. CB/D.A Press |
A decisão veio após uma sequência de ocorrências envolvendo seguidores da Tia Neiva, fundadora da doutrina (veja Memória). Em três dias de rituais, houve 14 furtos e roubos. Armados, bandidos quebraram vidros de carros e ameaçaram frequentadores do Templo Mãe. Nem com isso, houve reforço no policiamento. Os horários preferidos para os ataques são os de 12h30, 14h30 e 18h30 — quando há um grande aglomerado de pessoas rezando e meditando. Para participar dos rituais, há uma indumentária especial — vestida apenas no ato religioso —, e, quando a vítima chega ao carro, não tem mais nem a roupa para voltar à casa.
Com quase 800 unidades em todo o mundo, a sede na capital recebe visitantes de todo o Brasil e de outros países, como Canadá, Bolívia e França. O Vale do Amanhecer também é um dos principais pontos turísticos do DF. Com tristeza, Raul Zelaya, presidente da Obras Sociais da Ordem Espiritualista Cristã (Osoec), entidade responsável pelo Vale, disse que não pode continuar expondo os frequentadores à criminalidade. “O ritual da Estrela Candente só acontece aqui. Temos visitas de pessoas de outros locais todos os dias. Mas a gente tem medo. Não posso ser omisso com tudo que está acontecendo. Só vamos voltar à agenda normal quando tiver mos segurança”, afirmou.
Filho da Tia Neiva, Zelaya decidiu que, a partir de quarta-feira, os rituais serão realizados apenas aos sábados e domingos. Até então, ocorriam diariamente. “E para acontecer no fim de semana, algumas pessoas vão ter que deixar de fazer o trabalho na recepção para tentar aumentar a segurança durante os rituais”, explicou. “Mais de mil pessoas estavam aqui na sexta-feira, quando demos a notícia. Todas ficaram muito tristes, mas aceitaram, pois é uma questão de necessidade”, ressaltou Zelaya.
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