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28 de abril de 2014

Meio ambiente »Caatinga é bioma cada vez mais raro em PernambucoNesta segunda-feira, será celebrado o dia nacional do bioma, que abriga vastas fauna e flora em Pernambuco, mas está ameaçado



Entre 2002 e 2008, o desmatamento da caatinga em Pernambuco correspondeu a dez vezes a área do Recife. Foto: Sofia Graciano/Divulgacao
Entre 2002 e 2008, o desmatamento da caatinga em Pernambuco correspondeu a dez vezes a área do Recife. Foto: Sofia Graciano/Divulgacao
A umburana-de-cambão pode ser incluída na lista dos símbolos da caatinga, cujo dia nacional será comemorado nesta segunda-feira. Cada vez mais rara de se encontrar no semiárido pernambucano, devido à derrubada ilegal, a árvore tem despertado o interesse de apicultores, artesãos e pesquisadores. Eles defendem o tombamento da espécie como patrimônio natural, o que seria mais um obstáculo à destruição de uma espécie importante para manutenção da caatinga.

O que acontece com a umburana ilustra bem a devastação sofrida pelo bioma. “Entre os problemas existentes, o maior deles é o desmatamento descontrolado”, diz Alexandrina Sobreira, presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga. Entre 2002 e 2008, o desmatamento da caatinga em Pernambuco correspondeu a dez vezes a área do Recife. Ou seja, 2,2 mil km2 de plantas nativas, a exemplo da umburana, foram transformados em lenha.

Ao se derrubar a umburuna-de-cambão, explica o presidente da Associação Pernambucana de Apicultores e Melioponicultores (Apime), Alexandre Moura, quebra-se uma das cadeias naturais importantes da caatinga. As cavidades dessas árvores, caracterizadas por serem ocas, são bastante utilizadas por colônias de abelhas indígenas para reprodução e produção de mel, como também por periquitos, papagaios e jandaias para ninhos. Segundo Alexandre, as abelhas são essenciais para se preservar a caatinga pelo poder de polinização.

“É preciso controlar o estrago que estão fazendo com a caatinga, pois estamos encontrando dificuldade para nossos trabalhos”, pontuou o santeiro Manoel Cordeiro Sá Filho, 52 anos, o Mestre Manoel. Nos anos 1980 e 1990, no início da carreira, o artesão encontrava a umburana-de-cambão a poucos quilômetros de sua casa, em Ibimirim, no Sertão, enquanto hoje precisa recorrer a áreas mais distantes e até de outros municípios da região. 

Manoel apoia a ideia da Apime que encaminhou ao Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) proposta para se proteger a umburana. A proposta encontra respaldo também no Conselho Nacional da Reserva, que enxerga na implantação de planos de manejo saídas para conter o corte ilegal da lenha no semiárido.

Para os engenheiros Frans Pareyn, da Associação Plantas do Nordeste, e Roberto Gilson da Costa Campos, do Conselho Nacional, o semiárido dispõe de área suficiente para bons planos de manejo florestal e a região possui tecnologia para implantar os planos. A estimativa é que seriam necessários 2,5 milhões de hectares para se produzir a lenha exigida para atender a demanda econômica. Para equacionar a conta faltam ações dos governos para cuidar da caatinga.

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