Após crise de nervos contra o Chile, psicóloga é reconvocada para a Seleção
Regina Brandão fez avaliação dos jogadores e não acompanha a equipe. Com o descontrole emocional contra o Chile, Felipão vai recorrer à ajuda profissional
RAPHAEL GOMIDE
Até a comissão técnica se surpreendeu com as demonstrações excessivas de emoção dos jogadores na última partida. Após o fim da prorrogação, o goleiro Julio César chorou compulsivamente, e o capitão da equipe, o zagueiro Thiago Silva, isolou-se para rezar, chorou e se negou a fazer a sexta cobrança, como o treinador planejava. Pediu para ser o último a bater, atrás mesmo do goleiro. Na disputa de penalidades, Willian e Hulk desperdiçaram o chute. Nos primeiros jogos, atletas também já haviam chorado no momento do hino nacional, demonstrando estar com as emoções à flor da pele.
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A avaliação de Felipão e da comissão técnica é de que há exagero e descontrole emocional, o que causou certa irritação a eles, embora não admitam publicamente. Após o jogo contra o Chile, o técnico procurou mandar um recado aos jogadores, ao dizer na entrevista a jornalistas que se o Brasil perder o mundo não vai acabar. Mas foi a própria comissão que trouxe parte dessa pressão para os ombros do time, ao anunciar desde o início que o Brasil era favorito e seria campeão do mundo. Agora, a preocupação é que haja excesso de medo do time de perder em casa e ficar marcado como a geração que não conquistou a segunda Copa no seu território, como ocorreu em 1950.
A psicóloga da CBF Regina Brandão, de confiança do treinador, fez apenas um trabalho preliminar de avaliação de perfil psicológico dos jogadores no início da concentração na Granja Comary, em Teresópolis, mas logo depois foi embora. Ela não acompanha o dia a dia da Seleção nem faz parte do grupo de trabalho permanente. Nesta terça-feira, retornou à Granja para trabalhar com os jogadores.
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Como Felipão não está conseguindo resolver a crise emocional dos atletas – a maioria na primeira Copa do Mundo – só na base da conversa e da motivação, decidiu recorrer à ajuda profissional de Regina Brandão, reconvocando-a de urgência antes da partida contra a Colômbia, sexta-feira (4). Ele quer entender os motivos que possam estar causando esse abalo e ter instrumentos para resolver o problema a tempo de o Brasil continuar na disputa e não ser derrotado pelos nervos na Copa em casa.
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