Braçadeira sem capitão
Milton Neves
Texto de Fábio Lucas Neves
Muitos (e muitas) encararam como machismo as críticas ao choro dos jogadores
da Seleção antes da série de pênaltis diante do Chile. Reação simplista
a algo extremamente mais grave (no campo esportivo, óbvio).
O
festival de lágrimas foi liderado por Júlio César e Thiago Silva. O
goleiro, sem alternativa, tratou de retomar a concentração para ser
decisivo nas batidas de Alexis Sanchéz e de Mauricio Pinilla e se
redimir em parte das falhas na África do Sul.
Entretanto,
o zagueiro se escondeu da responsabilidade de maneira patética. E não
falo apenas do fato de ter se recusado a caminhar até a marca da cal
para enfrentar o arqueiro Claudio Bravo, como estava pré-determinado.
O
astro do Paris Saint-Germain, considerado o melhor zagueiro do mundo,
foi incapaz de liderar os companheiros em um momento dramático. Fraco, o
capitão abandonou o barco no momento em que os “subalternos” mais
precisavam dele.
Fred, alvo de piadas e contestações nessa Copa do Mundo, poderia estar chateado pela substituição contra os andinos, mas agiu como se ostentasse a braçadeira.
Paulinho,
de titular incontestável a bode expiatório pelo desempenho desanimador
do Brasil na primeira fase do Mundial, mostrou hombridade e espírito de
grupo ao incentivar os companheiros.
Enquanto
isso, onde estava Thiago Silva? Inconsolável, sozinho, semblante
derrotado, em pânico com a tragédia que PODERIA acontecer. Não passava
pela cabeça dele naquele momento a chance de real de passar de fase. Os
saudosos Bellini e Mauro Ramos de Oliveira teriam ficado ruborizados,
assim como Carlos Alberto Torres, Dunga e Cafu certamente sentiram
vergonha do que viram.
Inseguro
e despreparado, o nosso “líder” sucumbiu e afirmo, com segurança, que
os pentacampeões eliminaram a equipe de Arturo Vidal e Gary Medel APESAR
do desequilíbrio emocional do camisa 3.
Homem chora. Jogador de futebol
chora, se emociona, tenta extravasar um momento de tensão por meio das
lágrimas. Contudo, é fundamental que o autocontrole seja recuperado a
tempo de tocar o trabalho adiante, como fez Júlio César.
Por
mais tenso que estivesse o ambiente, por mais responsabilidade que
pesasse sobre os ombros, por mais insegurança que uma série de pênaltis
pudesse provocar, é inaceitável que o capitão do time mais importante do
planeta sinta MEDO do que – quem sabe – está por vir.
Se
o Chile tivesse avançado, Thiago Silva não seria um candidato ao posto
de “novo Barbosa” do ponto de vista técnico porque faz até aqui uma
competição em alto nível. Mesmo assim, a atitude do ex-zagueiro do
Fluminense foi tão marcante negativamente que o vilão estaria eleito.
Seria impossível não trata-lo como uma referência do fracasso.
Notas
-
Tirar a braçadeira do ex-defensor do Fluminense acabaria com a
autoestima do atleta. Contudo, será fundamental que outros jogadores
assumam o vestiário. David Luiz, comenta-se nos bastidores, é mais
indicado para se tornar o capitão de direito da Seleção.
-
O Brasil passará pela Colômbia porque os cafeteros são fãs do nosso
futebol e, duvido, atuarão sem a devida dose de respeito. Basta à equipe
de Scolari se impor na disposição. Bola, Neymar e companhia têm para
bater a turma de James Rodriguez.
- Meu palpite para as semifinais: Brasil x Alemanha e Argentina x Holanda.
Nenhum comentário:
Postar um comentário