Esterco usado como combustível polui mais que veículos e indústria, alerta ONU
Estudo
sobre energias limpas adverte que ainda existem 1,3 milhão de pessoas
na Índia e na China que utilizam esterco e madeira para cozinhar e
aquecer, o que representa riscos para a saúde humana
Agência Brasil
Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta a Índia como uma das nações que mais avançou na busca de alternativas para aumentar a oferta de energia limpa, como a eletricidade, para a sua imensa população de 1,25 bilhão de habitantes.
O esforço vem fazendo com que 20 milhões de pessoas a cada ano, desde 1990, possam substituir o uso de madeira ou esterco para cozinhar ou para aquecimento, segundo o relatório intitulado "Energia Sustentável para todos".
Uma conquista seguida a pouca distância pela China, com 16 milhões de beneficiados por ano.
Mas, segundo o estudo, ainda existem cerca de 700 milhões de pessoas na Índia e mais de 600 milhões na China que ainda dependem de madeira, carvão ou estrume como combustível.
Jatana Devender, um fazendeiro indiano, usa fezes de vaca para cozinhar e aquecer sua casa de madeira e barro onde vive no campo com sua mulher e dois filhos perto de Noida, uma das cidades satélites ao redor da capital Nova Déli.
Jatana, 34, diz à Agência Efe que de janeiro a março ou abril, dependendo do tempo, sua família se dedica a recolher estrume de gado para armazenar em pilhas secas para consumir ao longo do ano.
O estrume é seco antes de ser empilhado para evitar a presença de insetos. O agricultor conta que prefere este uso ancestral de energia a outras alternativas, como o gás.
"Preparamos nossos alimentos assim desde a infância, e usamos o gás apenas quando vem alguma visita", conta ele. "É o costume de há muito tempo, porque os mais velhos da família sempre usaram isso e toda a nossa sociedade está acostumada", explica.
O modo rudimentar começa a parecer antiquado para vizinhos de grandes blocos de apartamentos cada vez mais próximos da área rural da Índia.
Um do vizinhos, Shahabudin Mohammed, de 53 anos, concorda que a maior parte da aldeia ainda prefere esterco de gado para cozinhar, por isso as casas são cercadas por pilhas de esterco seco.
"Tem sido assim há séculos", diz Shahabudin, que explica a dificuldade que isso significa durante as monções, a estação chuvosa no verão.
No entanto, este e outros combustíveis tradicionais, dos quais ainda depende cerca de 85% da população rural na Índia, segundo o relatório, são muito mais poluentes do que a princípio pode parecer.
A fumaça do esterco queimado contém partículas prejudiciais à saúde, numa proporção de 3.000 microorganismos nocivos por metro cúbico, ainda mais contaminantes que a poluição do tráfego ou das indústrias.
A ONU luta para que os combustíveis tradicionais sejam substituídos por gás ou eletricidade como forma de melhorar a saúde e a qualidade de vida da população rural da Índia e da China.
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