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2 de agosto de 2014

Parece uma cidade, mas é um campo de refugiados da guerra na Síria

ONU divulgou imagem de satélite do campo de Zaatari, na Jordânia, local onde vivem mais de 85 mil refugiados

BRUNO CALIXTO
Vista aérea do campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, onde vivem mais de 100 mil refugiados da guerra da Síria (Foto: Mandel Ngan/AP)
Imagem de satélite divulgada pela ONU mostra o campo de refugiados sírios de Zaatari, na Jordânia. O campo está se transformando em uma "cidade improvisada" com mais de 80 mil pessoas (Foto: Reprodução/ONU)
 
Na rua principal de Zaatari, batizada de Champs-Élysées, os moradores podem ir ao supermercado, comprar pizzas, visitar um pet shop ou uma floricultura. Há uma agência de viagens, com um serviço para levar ao aeroporto. A rua poderia até ser confundida com a via principal de uma cidade. Zaatari, no entanto, não é uma cidade: é o maior campo de refugiados do mundo.
>> Síria: Uma fuga pela sobrevivência
Zaatari, na Jordânia, foi o destino escolhido por milhares de pessoas fugindo da guerra na Síria. O conflito, que começou com manifestações populares contra o regime de Bashar al-Assad, transformou-se em uma guerra civil que já dura três anos, envolvendo o regime sírio, rebeldes seculares e islâmicos e a ascensão de um califado no Iraque e Síria.
Na última semana, a ONU divulgou uma imagem de satélite que mostra como Zaatari se transformou na maior "experiência urbanística" do mundo. Hoje, entre 80 mil e 85 mil sírios vivem no local, o que coloca o campo entre as quatro maiores cidades da Jordânia. São famílias que conseguem manter uma vida de relativa normalidade, apesar de sonhar em retornar para a Síria. Um vídeo, também da ONU, mostra como Zaatari cresceu e se transformou em uma cidade informal de mais de 500 hectares.

Crianças de famílias refugiadas da guerra na Síria brincam em balanço no campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia (Foto: Muhammed Muheisen/AP)
Fachada do primeiro supermercado a abrir as portas dentro do campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia (Foto:  Salah Malkawi/ Getty Images)
Uma reportagem do The New York Times compara Zaatari com outro campo que abriga sírios. Azraq, também na Jordânia, é um campo de refugiados "clássico", com tendas fixas e fortemente controlado por forças policiais. Ele foi erguido para 100 mil sírios, mas atende apenas 10 mil. Essa organização mais rígida e a falta de energia elétrica faz as famílias abandonar o local para migrar para Zaatari, onde encontram regras mais flexíveis. A ONU, responsável pelo local, não tem condições de manter o controle e evitar que os moradores transformem, aos poucos, as tendas em barracos e casas, comercializem produtos e personalizem o local onde estão morando.
Isso não significa que a vida em Zaatari seja boa. A própria ONU admite a existência de inúmeros problemas, como criminalidade e prostituição. Além disso, a maior parte do comércio é irregular. A energia elétrica só existe graças a ligações ilegais. Há até mesmo um mercado ilegal imobiliário que possibilita aos refugiados com mais posses viver em bairros mais bem localizados.
Segundo o NYT, a rápida transformação local impressiona urbanistas, e já faz as agências de ajuda a refugiados pensar em mudanças na forma de atender essa população. É até mesmo possível que, no futuro, o campo se transforme de fato em uma cidade – permanente, urbanizada e dentro da lei. Por enquanto, é local onde os refugiados têm chance de sobreviver a uma guerra que já matou mais de 170 mil pessoas, e não tem previsão de acabar.
bc

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