Ela é paulistana, mas passa facilmente como uma carioca da gema - ela
faz escaladas, slackline, anda de patins, de skate, de bicicleta, sobe
em árvores e corre atrás de sobrinho. A atriz Elea Mercurio
se mudou para o Rio há mais de cinco anos para tentar a carreira de
atriz e caiu no gosto de Luciano Rabelo, produtor de elenco da TV Globo,
que a chamou para fazer a personagem Kiki, uma prostituta em Avenida
Brasil. "Engraçado, porque eu estava atravessando um momento muito
delicado, tinha comprado passagem só de ida para São Paulo e ia passar
um tempo trabalhando lá sem data para voltar. As coisas não estavam
fluindo no Rio. Mas enviei links de vídeos e, uma semana depois, ele me
ligou chamando", diz ela. Atualmente ela está no ar como a bela Ludmila,
como par romântico do chef Pierre Bonnet (Jean Pierre Noher), em O
Rebú, cujo personagem ganhou destaque depois da morte do cozinheiro.
Elea protagonizou cenas calientes com o parceiro de cena. "Antes de
começarmos a gravar, fizemos uma reunião gastronômica regada a vinho e
muitas risadas. Trocamos histórias, confidências, 'causos', enfim,
criamos uma intimidade que sabíamos que nos ajudaria em cena. E eu e
Jean conversamos muito, ensaiamos, pensamos em várias possibilidades e
brincamos com a ideia de que esse casal curtia um jogo de sedução. Na
hora de gravar, a preocupação maior não estava em tirar a roupa ou fazer
uma cena íntima. Embora ele fosse o chefe na cozinha, ela o domina no
envolvimento pessoal", afirma ela. Beleza põe mesa? "Sempre brinco que a
beleza não abre porta nenhuma se você não souber usar a maçaneta. Não
seria considerada uma mulher bonita algumas décadas atrás. Estamos
vivendo a era do espetáculo, do mercado de consumo ditando as regras,
são os jogos vorazes, você tem que consumir e ser consumido, tem que
vestir a burca da felicidade nas redes sociais... acho tudo muito
louco!", afirma.
Elea está adaptada à cidade, tanto que cita os prós e contras: "A
sensação de anonimato. Poder ir ao cinema de chinelo, na padaria de
pijama ou ver um cara indo à praia só de sunga e nada disso ser
estranho. Aqui, as aparências importam menos. E o que não gosto é a
falta de gentileza na prestação de serviços e no trânsito. Fico arrasada
quando o padeiro não cumprimenta, ou quando o motorista acelera pra não
dar passagem. São pequenas violências que fazem muito mal e que
precisam desaparecer desta cidade linda", diz.
Logo depois de O Rebú, a atriz entrará em cartaz com a peça Garagem, em
São Paulo, e ainda este ano monta o espetáculo Discórdia, inspirado no
conto Pomo da Discórdia, do Maximo Gorki." Em Garagem, que tem texto e
direção de Gustavo Paso, contamos a história de um homem que perde todos
os seus bens e vai morar na única propriedade que lhe resta: uma vaga
de garagem de um prédio classe A. Eu faço a Alícia Ruiz, uma artista
plástica rica, que já desfrutou de quase todos os prazeres que o
dinheiro pode proporcionar e está em busca de novas emoções. Ela vê
nesse ser exótico que mora na garagem uma possibilidade de se divertir. É
uma produção incrível, com 18 atores apaixonados, oito carros em cena.
Usamos o cenário da peça, que não era um palco tradicional, e, a meu
ver, teremos uma estética totalmente inovadora", avisa a bela, que
também é dançarina e fez balé clássico, dança contemporânea, jazz,
danças de salão e também deu aula. Dicas para manter o corpão? "Aprendi a
me movimentar com prazer. Não consigo isolar o corpo da mente e do
sentimento. Faço atividades físicas que me tragam este lado lúdico, sem a
pressão de ficar com a bunda dura. Hoje em dia escalo, faço slackline,
ando de patins, de skate, de bicicleta, subo em árvore, corro atrás do
sobrinho", conta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário