Ministério Público vai à Justiça contra pagamento a funcionários da Câmara do DF
Promotores afirmam que parecer da advogada Roberta Rangel permitiu a ex-presidente da Câmara Legislativa do DF Alírio Neto pagar ilegalmente indenizações a servidores
MARCELO ROCHA
O
Ministério Público do Distrito Federal denunciou à Justiça a advogada
Roberta Rangel, o deputado distrital Alírio Neto, do PEN, o advogado
Ibaneis Rocha Júnior, presidente da OAB-DF, e outras três pessoas pelo
pagamento irregular de indenizações a funcionários da Câmara Legislativa
do Distrito Federal. Eles são acusados de facilitar a liberação do
dinheiro de “forma notoriamente equivocada”, afirmam os promotores. O
Ministério Público cobra a devolução de R$ 25 milhões aos cofres
públicos, em ação protocolada na 5ª Vara da Fazenda Pública do Distrito
Federal na semana passada.
Após 1994, funcionários, ex-funcionários e pensionistas da Câmara
Legislativa entraram com ações judiciais para contestar a forma como
seus salários foram convertidos na implantação do Plano Real. As ações
do “caso dos 11,98%” alegam que a data usada para a converter os
vencimentos do funcionalismo público resultou em prejuízo para os
servidores. Até o início de 2008, a Câmara indenizava somente quem
conquistasse esse direito na Justiça. Durante a presidência do deputado
Alírio Neto, a Câmara do DF cortava gastos para se enquadrar nos padrões
impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A insatisfação entre os
funcionários era grande por causa dos cortes. Para contornar o clima
ruim, prevaleceu a política: Alírio Neto contrariou a lógica econômica e
pediu a assessores jurídicos um estudo para fazer novos gastos.A tarefa coube a Roberta Rangel, então procuradora da Câmara. Ela fez um parecer que permitiu o pagamento a todos servidores, não apenas aqueles que ganhassem o direito na Justiça. O Ministério Público afirma que o parecer de Roberta desconsiderou a argumentação jurídica adotada por procuradores anteriores, segundo a qual não era possível indenizar todos os servidores. Até servidores que sequer trabalhavam na Casa na época do Plano Real receberam parte da indenização. De acordo com a acusação, a solução administrativa foi feita de forma atropelada. “Curioso é conceber como tantos percalços jurídicos foram ultrapassados num ‘passe de mágica’, não apenas pela completa falta de explicação de como tudo foi realizado, mas também pela agilidade como foi feito”, afirmam os promotores. As autoridades afirmam que até mesmo o prazo de prescrição da dívida – que reduziria o valor bancado pelos contribuintes - foi desconsiderada na decisão.
O deputado Alírio nega qualquer irregularidade no pagamento dos valores. Afirma ter elaborado uma solução administrativa no caso, para conter a insatisfação dos servidores na ocasião. “A Câmara foi sendo enquadrada (na LRF), e benefícios foram tirados dos servidores”, afirma. “A associação (de servidores) entrou com esse pedido. A única alternativa que encontramos para compensar a dificuldade dos servidores foi buscar essa solução.” Segundo Alírio, houve precedentes à decisão da Câmara Legislativa, caso do Tribunal de Contas da União e o Superior Tribunal de Justiça. Ele afirma ainda que o Tribunal de Contas do DF não considerou irregular a decisão da Câmara. "O Ministério Público pode até tentar, mas eu ganho todas deles", afirmou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário