Conversando sobre doações
JOANA LEE RIBEIRO MORTARI
Esta história começa com a aposentadoria de meus pais que, com parte
dos recursos advindos, resolveram montar uma organização social para
atender a população do subúrbio de Embu das Artes, com a qual conviveram
por mais de 30 anos. Com algumas vontades e muitas dúvidas,
perguntaram. Uma voz sábia os aconselhou a fazer algo que fizesse
sentido para a comunidade que eles pretendiam apoiar, não para eles.
Dez anos depois e há 4 trabalhando na organização que fundaram, entendo a plenitude e profundidade do conselho que lhes foi dado. Quantas e quantas pessoas começam com uma boa intenção mas pouco olham para o que realmente é necessário? Quando estamos falando de cultura de doação, do que estamos falando, realmente?
No começo do ano estive em um congresso, nos Estados Unidos, que discutia formas eficazes de doar. Presentes estavam muitas das mais famosas fundações americanas e a árdua missão era provoca-las ao aprofundamento. A conversa era sobre a importância de construir soluções conjuntamente com a comunidade atendida.
Acolhida pela conversa, mais uma vez ouvi sobre a importância de olhar para as situações sociais sem a presunção de ter a solução, mas com a intenção de construir junto. Mas será que as doações que fazemos hoje, pessoalmente ou através de nossas empresas, permite que esta construção aconteça?
Estas experiências somadas à responsabilidade de mobilizar recursos para a organização me fizeram pensar, e muito. Doar, para mim, é ser generoso sem ser superior. É colocar a pessoa ou organização que recebe em um lugar de igualdade com quem doa, permitindo que desta relação nasça uma conversa sincera sobre o que é necessário e o que não é. No fim do dia, estamos falando de um beneficio de bem estar a quem doa, ou podemos somar a isto a uma tentativa real de aprendizagem e apoio na solução de um problema social?
Esta é uma parte de uma conversa mais ampla sobre uma jovem democracia tentando se fortalecer e se deixar ocupar por quem tem intenção de vê-la se desenvolver. O #diadedoar nasceu para proporcionar estas conversas, em todas as esferas da sociedade brasileira.
Joana Lee Ribeiro Mortari é responsável pelo Desenvolvimento Institucional da Associação Acorde, articuladora do Movimento por uma Cultura de Doação no Brasil, Conselheira do Instituto Geração e da Associação Cairuçu
Dez anos depois e há 4 trabalhando na organização que fundaram, entendo a plenitude e profundidade do conselho que lhes foi dado. Quantas e quantas pessoas começam com uma boa intenção mas pouco olham para o que realmente é necessário? Quando estamos falando de cultura de doação, do que estamos falando, realmente?
No começo do ano estive em um congresso, nos Estados Unidos, que discutia formas eficazes de doar. Presentes estavam muitas das mais famosas fundações americanas e a árdua missão era provoca-las ao aprofundamento. A conversa era sobre a importância de construir soluções conjuntamente com a comunidade atendida.
Acolhida pela conversa, mais uma vez ouvi sobre a importância de olhar para as situações sociais sem a presunção de ter a solução, mas com a intenção de construir junto. Mas será que as doações que fazemos hoje, pessoalmente ou através de nossas empresas, permite que esta construção aconteça?
Estas experiências somadas à responsabilidade de mobilizar recursos para a organização me fizeram pensar, e muito. Doar, para mim, é ser generoso sem ser superior. É colocar a pessoa ou organização que recebe em um lugar de igualdade com quem doa, permitindo que desta relação nasça uma conversa sincera sobre o que é necessário e o que não é. No fim do dia, estamos falando de um beneficio de bem estar a quem doa, ou podemos somar a isto a uma tentativa real de aprendizagem e apoio na solução de um problema social?
Esta é uma parte de uma conversa mais ampla sobre uma jovem democracia tentando se fortalecer e se deixar ocupar por quem tem intenção de vê-la se desenvolver. O #diadedoar nasceu para proporcionar estas conversas, em todas as esferas da sociedade brasileira.
Joana Lee Ribeiro Mortari é responsável pelo Desenvolvimento Institucional da Associação Acorde, articuladora do Movimento por uma Cultura de Doação no Brasil, Conselheira do Instituto Geração e da Associação Cairuçu
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