A escassez de caixas d’água em São Paulo
Com o aumento de procura, grandes lojas de construção da capital não têm mais o produto para pronta entrega, apesar do aumento de produção das fábricas
MARINA RIBEIRO
“Está em falta”; “Só tem por encomenda”; “O prazo de entrega é de 30 dias”, são algumas das frases que interessados em comprar caixa d’água ouvem em São Paulo. Nas grandes lojas de material de construção os produtos se tornaram mais escassos do que a água.
>> Por que a falta d'água pode nos deixar sem luz. E vice-versa
O auge de vendas (até agora), segundo lojistas e fabricantes, aconteceu após a declaração do diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato Yoshimoto, sobre a proposta de fazer umracionamento de cinco dias sem água para dois com água na cidade, na semana passada (27).
“Vendi nesta semana mais do que vendi no ano de 2014 todo”, diz Celso Vieira Junior, o dono de uma loja de construção de bairro no sul da capital paulista. “Isso porque em lojas pequenas, como a minha, é difícil vender itens grandes como caixas d’água. As pessoas, em geral, deixam para home centers, mas como eles estão demorando mais a entregar, buscam a loja de bairro mesmo.”
>> O que o Rio precisa fazer para não repetir a crise hídrica de São Paulo
Para suprir a nova demanda, ele tem feito pedidos de novas peças quase diariamente em atacadistas e distribuidores especializados, mas o processo tem se tornado complicado. “Atualmente, os fornecedores estão limitando o número de caixas d’água por CNPJ. Quando fui tentar comprar mais hoje, não tinha mais, tenho que ligar de novo amanhã.”
Com o aumento na procura, o preço subiu. “O valor aumentou em média 50% em relação ao que era no fim de 2014, e deve crescer ainda mais depois do anúncio de que São Paulo pode viver um rodízio de cinco dias sem água, o preço foi reajustado em mais 25%", diz.
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O auge de vendas (até agora), segundo lojistas e fabricantes, aconteceu após a declaração do diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato Yoshimoto, sobre a proposta de fazer umracionamento de cinco dias sem água para dois com água na cidade, na semana passada (27).
“Vendi nesta semana mais do que vendi no ano de 2014 todo”, diz Celso Vieira Junior, o dono de uma loja de construção de bairro no sul da capital paulista. “Isso porque em lojas pequenas, como a minha, é difícil vender itens grandes como caixas d’água. As pessoas, em geral, deixam para home centers, mas como eles estão demorando mais a entregar, buscam a loja de bairro mesmo.”
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Para suprir a nova demanda, ele tem feito pedidos de novas peças quase diariamente em atacadistas e distribuidores especializados, mas o processo tem se tornado complicado. “Atualmente, os fornecedores estão limitando o número de caixas d’água por CNPJ. Quando fui tentar comprar mais hoje, não tinha mais, tenho que ligar de novo amanhã.”
Com o aumento na procura, o preço subiu. “O valor aumentou em média 50% em relação ao que era no fim de 2014, e deve crescer ainda mais depois do anúncio de que São Paulo pode viver um rodízio de cinco dias sem água, o preço foi reajustado em mais 25%", diz.
Produção
A indústria percebeu que o interesse pelos produtos cresceu, conforme aumentavam as notícias sobre a crise hídrica. E, por isso, se preparou para aumentar a produção. “Há 15 meses estamos tratando do aumento e notamos três etapas de reações dos consumidores à crise”, afirma o diretor Comercial e de Marketing da Fortlev, Evandro Sant’anna. Segundo ele, em um primeiro momento, os clientes buscavam uma caixa pequena – de até 500 litros - só para fazer uma reserva de água; depois passaram a adquirir caixas de tamanho médio. Agora, buscam uma solução definitiva para o caso do rodízio e caixas de mais de mil litros passaram a ser a maior parte das vendas. Considerando que, em 2013, o gasto médio por pessoa foi de188 litros por dia, segundo o Ministério da Saúde, a caixa poderia abastecer casas por dias.
>> As águas subterrâneas poderiam encher os reservatórios da Cantareira?
A Tigre notou há um ano e meio uma aumento significativo na demanda e construiu, em 2013, três fábricas para a produção de caixas d’água. As vendas do produto cresceram mais de seis vezes em 2014, em relação ao ano anterior, de acordo com o gerente de produtos da marca, Carlos Eduardo Teruel. A Acqualimp também se adaptou para produzir mais. “Tivemos remanejamento interno de funcionários, novas máquinas, e compramos mais matérias primas, tudo isso prevendo o crescimento”, afirma o diretor de varejo da empresa, Vinícius Ramos. Mesmo com esforços, o estoque das fábricas esgotam rapidamente e o prazo de entrega de novos produtos pode chegar a 45 dias.
>> Como as escolas de São Paulo driblam a crise hídrica
Com níveis de crescimento na venda de caixas d’água de 50% e 60% no ano passado em relação a 2013, e de cisternas em 200%, as empresas esperam que as vendas cresçam ainda mais. A Acqualimp, por exemplo, têm planos de expansão e previsão de contratar mais mão de obra em 2015.
Risco de desabastecimento
Para o diretor da Fortlev, é possível que a entrega de novas caixas d’água seja completamente interrompida, caso a crise se agrave. “Acredito que o nível de vendas deve se manter alto pelos próximos três meses. Se em maio, já com o começo do inverno, a situação piorar, haverá uma corrida para as lojas, o que pode fazer com que o abastecimento seja interrompido em um primeiro impacto”, disse. Para ele, o país está vivendo uma mudança de comportamento em relação à água, por isso acha que armazenar água vai se tornar uma tendência.
>> Como armazenar e utilizar a água da chuva
O interesse pelo produto, no entanto, pode ser fruto de pânico. Para o empresário Celso Vieira Junior, as pessoas estão comprando caixas d’água, mas não sabem o que farão com os produtos. “Não sabem se vão usar água de chuva, armazenar água que vem da Sabesp, não têm informações se a casa aguenta o peso da caixa cheia e nem como usar a água depois de armazenada.” Segundo ele, pouquíssimos clientes de sua loja de materiais compram também acessórios para captar água pluvial (como calhas e telhas especiais) ou uma torneira para acoplar no reservatório e utilizar a água posteriormente.
A indústria percebeu que o interesse pelos produtos cresceu, conforme aumentavam as notícias sobre a crise hídrica. E, por isso, se preparou para aumentar a produção. “Há 15 meses estamos tratando do aumento e notamos três etapas de reações dos consumidores à crise”, afirma o diretor Comercial e de Marketing da Fortlev, Evandro Sant’anna. Segundo ele, em um primeiro momento, os clientes buscavam uma caixa pequena – de até 500 litros - só para fazer uma reserva de água; depois passaram a adquirir caixas de tamanho médio. Agora, buscam uma solução definitiva para o caso do rodízio e caixas de mais de mil litros passaram a ser a maior parte das vendas. Considerando que, em 2013, o gasto médio por pessoa foi de188 litros por dia, segundo o Ministério da Saúde, a caixa poderia abastecer casas por dias.
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A Tigre notou há um ano e meio uma aumento significativo na demanda e construiu, em 2013, três fábricas para a produção de caixas d’água. As vendas do produto cresceram mais de seis vezes em 2014, em relação ao ano anterior, de acordo com o gerente de produtos da marca, Carlos Eduardo Teruel. A Acqualimp também se adaptou para produzir mais. “Tivemos remanejamento interno de funcionários, novas máquinas, e compramos mais matérias primas, tudo isso prevendo o crescimento”, afirma o diretor de varejo da empresa, Vinícius Ramos. Mesmo com esforços, o estoque das fábricas esgotam rapidamente e o prazo de entrega de novos produtos pode chegar a 45 dias.
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Com níveis de crescimento na venda de caixas d’água de 50% e 60% no ano passado em relação a 2013, e de cisternas em 200%, as empresas esperam que as vendas cresçam ainda mais. A Acqualimp, por exemplo, têm planos de expansão e previsão de contratar mais mão de obra em 2015.
Risco de desabastecimento
Para o diretor da Fortlev, é possível que a entrega de novas caixas d’água seja completamente interrompida, caso a crise se agrave. “Acredito que o nível de vendas deve se manter alto pelos próximos três meses. Se em maio, já com o começo do inverno, a situação piorar, haverá uma corrida para as lojas, o que pode fazer com que o abastecimento seja interrompido em um primeiro impacto”, disse. Para ele, o país está vivendo uma mudança de comportamento em relação à água, por isso acha que armazenar água vai se tornar uma tendência.
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O interesse pelo produto, no entanto, pode ser fruto de pânico. Para o empresário Celso Vieira Junior, as pessoas estão comprando caixas d’água, mas não sabem o que farão com os produtos. “Não sabem se vão usar água de chuva, armazenar água que vem da Sabesp, não têm informações se a casa aguenta o peso da caixa cheia e nem como usar a água depois de armazenada.” Segundo ele, pouquíssimos clientes de sua loja de materiais compram também acessórios para captar água pluvial (como calhas e telhas especiais) ou uma torneira para acoplar no reservatório e utilizar a água posteriormente.
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