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6 de fevereiro de 2015

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Feira da Liberdade em São Paulo inspira fotógrafos de viagem

HAROLDO CASTRO (TEXTO E FOTOS) DE SÃO PAULO

No último fim de semana estive em São Paulo para dar minha oficina “Fotografia de Viagem”. Boas aulas de fotografia demandam também quatro paredes e um escurinho de cinema, pois ver e discutir imagens é uma parte essencial do aprendizado. Assim, em uma sala do Estúdio Madalena, viajamos por dezenas de países de cinco continentes e analisamos os principais temas fotografados quando estamos fora de nossa cidade.
Mas caminhar com uma câmera nas mãos faz tão bem às pernas quanto aos olhos que, como um radar, escaneam o ambiente em busca de uma bela imagem. Decidimos, assim, que o dever de casa dos 13 participantes seria fotografar a Liberdade, um bairro central de São Paulo.
 
Bonequinhos de madeira são vendidos na Feira da Liberdade por Midori Aoshima (Foto: © Monica Vaquer Perreti   )
Alguns dos paulistanos que participavam do curso não acharam muita graça. Afinal, a Feira da Liberdade acontece há muitas décadas e não há novidade nisso. “Prefiro viajar à Mongólia para fotografar”, disse Luiza Helena Cosenza, empresária radicada na capital. Já os três cariocas gostaram do programa. “Não temos bairros orientais no Rio”, afirmou Cristiana Lobo.
O bairro da Liberdade começou a receber japoneses há mais de um século. Em 1912, as primeiras famílias de imigrantes alugaram, a preços baixos, porões na ladeira da rua Conde de Sarzedas e a tendência foi agrupar membros da colônia. Poucos anos depois, apareceram alguns comércios especializados, oferecendo alimentos e produtos tradicionais, como o tofu, queijo de soja. Em 1932, já moravam mais de 2 mil japoneses no bairro – os que saíam da lavoura vinham diretamente para a Liberdade.
 
Monumento na Praça da Liberdade (Foto: © Pamela Maranhão)
A partir de 1968, com a abertura da avenida Diametral Leste-Oeste e, logo depois, da estação de Metrô, a Liberdade passou a receber chineses e coreanos. De apenas japonês, o bairro passou a ser oriental. Ganhou uma decoração própria e o comércio cresceu.
A Feira da Liberdade tem 40 anos de idade e passou por várias etapas. Hoje nem todas as barracas vendem produtos orientais. Artesãos de outros cantos viram no encontro semanal uma oportunidade de expor seus produtos aos paulistanos e aos turistas de outros Estados que visitam a feirinha. Esse pedacinho de São Paulo é um exemplo da globalização da cidade.
A tarefa proposta aos participantes da oficina fotográfica foi imaginar que eles estariam em algum lugar na Ásia e, assim, buscar imagens para ilustrar a cultura oriental. Essas são as fotos escolhidas para a crônica de hoje. (Na semana que vem, tem mais).
 
Depois de se aposentar como dentista, Ieco, 84 anos, resolveu vender artesanato na Liberdade (Foto: © Cristiana Lobo)
As bancas de jornais na Liberdade vendem dezenas de revistas publicadas no Japão (Foto: © Francisco Vaquer)

Um calendário lembra a filosofia oriental que a felicidade acontece “aqui e agora” (Foto: © Camila Vieira Gil)

Wang, chinesa de Taiwan, faz suas compras na rua Galvão Bueno, uma das principais do bairro (Foto: © Eva Reiter)

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