Ministério da Justiça apaga peça publicitária após polêmica nas redes sociaisImagem com mulheres rindo de outra causou polêmica nas redes sociais Foto: Reprodução
Ana Carolina Pinto
O Ministério da Justiça retirou do Facebook uma peça publicitária da campanha "Bebeu, perdeu", depois da repercussão negativa nas redes sociais. Na imagem, duas jovens segurando celulares riem de outra. A mensagem da imagem traz o texto: “Bebeu demais e esqueceu o que fez? Seus amigos vão te lembrar por muito tempo”.
Além de apagar a foto, o Ministério da Justiça publicou uma retratação no Facebook em que pede desculpas pelo "equívoco".
"A campanha #BebeuPerdeu é muito mais do que isso. Nós nos equivocamos com a peça. Ela tem o objetivo de conscientizar jovens até 24 anos sobre os malefícios do álcool. Atuamos em políticas públicas em conjunto com a Secretaria de Políticas para a Mulher (SPM) contra a violência doméstica, o feminicídio e outras formas de violência contra a mulher. Pedimos desculpas pelo mal entendido e ao mesmo tempo contamos com a colaboração de todos na campanha".
Para os usuários das redes sociais, a campanha culpabiliza vítimas de assédio e abuso sexual e estimula o bullying. No perfil do Facebook do Ministério, em apenas três horas a imagem recebeu mais de 400 comentários, a grande maioria criticando e questionando o posicionamento do órgão federal
Foto: Reprodução/Facebook
“Por que o alvo da campanha é uma mulher? Vocês querem dar a entender que se a mulher beber demais e for humilhada e violentada de alguma forma, a culpa é dela, e não de quem violentou e de quem expôs? Com que direito vocês naturalizam a violência contra a mulher? PERDEU o quê? Que tipo de conselho é esse? Mulher que bebe perde a dignidade, o direito ao respeito, ao próprio corpo, à privacidade, à intimidade, à vida?”, questiona uma seguidora.
Outra mulher declarou: “Vergonha! Não se pode naturalizar os danos morais, onde fica a privacidade da pessoa? Aonde fica a integridade dessa pessoa? Não esperava esse tipo de campanha irresponsável vinda do Ministério da Justiça. Vergonha!”.
Foto: Reprodução/Facebook
Um homem afirma ainda que o Ministério erra em recriminar quem bebe e se torna vitima de alguma situação, em vez da pessoa responsável pelo possível crime. “Errar é humano. Beber é lícito. Quem erra é quem humilha e despreza quem bebeu e "pagou mico". Há uma confusão aqui entre vítima e agressor”.
Foto: Reprodução/Twitter
Uma outra peça da campanha, em que um jovem aparece sentado no chão, faz brincadeira com o hábito de enviar mensagens indevidas após o consumo de bebidas alcoólicas. A foto também foi criticada, mas com bem menos intensidade. Nesta imagem, o perfil do Ministério Público respondeu às críticas com uma nota, afirmando que o objetivo da campanha é conscientizar sobre os perigos do consumo excessivo de álcool, com “situações do cotidiano dos jovens”.
OUtra imagem, que cita envio de mensagens indevidas, recebeu menos comentários Foto: Reprodução/Facebook
“O Ministério da Justiça lança no início de ano uma campanha de prevenção do abuso de álcool. Com o mote “Bebeu, perdeu”, a campanha procura desestimular o uso de álcool por adolescentes e alertar jovens acima de 18 anos para os riscos do seu abuso. Trazendo situações do cotidiano dos jovens, a campanha mostra como o abuso do álcool pode estragar momentos de diversão, atrapalhar relacionamentos e provocar situações de vergonha que trazem arrependimento mais tarde. Para a primeira etapa da campanha, durante o Carnaval, cinco vídeos publicitários serão exibidos em salas de cinema de cinco cidades com forte tradição de carnaval de rua - Ouro Preto (MG), Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo - onde também serão divulgados outdoors e painéis alusivos à campanha em aeroportos, rodoviárias, hotéis e transporte urbano. A iniciativa também vai se estender a grandes shows, feriados e festas populares tradicionais. Vale lembrar que venda de bebidas a menores de idade é prática criminosa de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”, diz a nota.
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, a campanha foi criada especialmente para o Carnaval e já foi divulgada no ano passado. O órgão retirou a peça do ar, mas explicou que não teve a intenção de fazer nenhuma menção a crimes cometidos contra mulheres.
Ainda de acordo com a pasta, todos os dias, até o Carnaval, serão compartilhadas imagens relacinadas à campanha. A escolha das fotos é feita por uma equipe de Comunicação e os personagens se alteram nas imagens, entre homens e mulheres, aleatoriamente.
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