D2 homenageia Chorão durante o Lolla: "A gente se encontrava pra fumar um"
Mariane Zendron
Do UOL, em São Paulo
Do UOL, em São Paulo
O ex-vocalista do Planet Hemp Marcelo D2 fez uma homenagem ao amigo Chorão durante sua apresentação no palco Axe. "Lembro de quando a gente se encontrava no hotel depois de um show para fumar um", disse ele. "Então eu dedico '1967' a ele e a todos os skatistas."
Com a ajuda de Fernando Pitbox, D2 agitou a juventude indie com mistura de samba de Bezerra da Silva, "Seven Nation Army" do White Stripes, antigo e mais famoso grupo de Jack White e, claro, "Mantenha o Respeito", sucesso do Planet Hemp.
"Isso aqui não é festival de rock? Então vamos mandar um rock pra galera", disse ele antes de improvisar a musica do White.
Apesar de um show curto, de pouco mais de uma hora, o publico dançou todas as músicas, inclusive do último CD, "Nada Pode me Parar", e posou atrás de D2 para uma foto no final.
St. Vincent rouba a cena no Lolla com
show performático e guitarra visceral
Tiago Dias
Do UOL, em São Paulo
Do UOL, em São Paulo
O dia é do guitar hero Jack White e do ex-vocalista do Led Zeppelin Robert Plant, mas St. Vincent roubou a cena com a vocalista Anne Clark de guitarra em punho, abusando de solos estridentes e microfonias no último volume, a serviço do seu pop-rock robótico e performático. O show aconteceu no primeiro dia do festival Lollapalooza, que ocorre nos dias 28 e 29 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.
Com atraso de 15 minutos --a produção tem atrasado os shows no Palco Axe para tapar o buraco deixado por Marina and the Diamonds que cancelou sua apresentação em cima da hora--, Anne subiu ao palco com vestido preto curto, meia calça com caracteres, guitarra verde e coreografia esquisita. Sua performance é inteiramente teatral, com o braço estendido, séria na hora de cumprimentar o público, e movimentos de mãos que acompanham a levada hipnótica de suas músicas. A frente do palco não chegou a lotar, mas a plateia devolveu a barulheira com palmas e gritos.
Devota do art-rock do Talking Heads, chegando a gravar um álbum com o dândi David Byrne, Anne definitivamente não é apenas um rostinho bonito. Na última música ela desceu do palco para solar e, sobre os ombros do segurança, deu a guitarra para um fã. Foi puxada pelo público, se enrolou na bandeira do Brasil e voltou para o palco simulando um espasmo, caindo no chão e agradecendo ao público.
Com uma banda enxuta --bateria, baixo e teclado -- ela não brincou com a guitarra e caprichou em todos os riffs e solos de "Huey Newton", "Digital Witness", "Birth in Reverse" e "Rattleshake", todas do ultimo disco, o ótimo "St. Vincent", que ganhou o prêmio de melhor álbum de música alternativa no último Grammy.
No início, com "Bring me Your Loves", as caixas de som na lateral esquerda do palco pararam de funcionar e só voltou na segunda música.
Robert Plant supera problemas de som no
Lolla com rock, blues e world music
Leonardo Rodrigues
Do UOL, em São Paulo
Do UOL, em São Paulo
Lenda do rock, Robert Plant tirou de letra um problema que poderia deixar muito novato em apuros no Lollapalooza. Com insistentes chiados saindo do lado direito do sistema de som durante toda a apresentação, o ex-Led Zeppelin subiu ao palco principal pontualmente às 18h20 e levantou o público, baseado no repertório de sua antiga banda, acrescentando uma ou outra faixa solo e covers de blues.
A estratégia, conservadora, funcionou. Mesmo com o som incomodando, não houve vaias nem reclamações por parte do público, que simplesmente preferiu se concentrar em clássicos como "Black Dog", "The Lemon Song" e "What Is and What Should Never Be".
"Oi, galera", arriscou o vocalista, pouco afeito a longos discurso e à pirotecnia cênica, em português. Na intepretação solo de Plant, as faixas do Led --tradicionalmente marcadas pelo blues elétrico— ganham forte sabor de world music, abrindo espaço para longas jams e o uso de instrumentos exóticos, como o ritti (tipo de violino africano de uma corda só).
Denso, o show é uma grande orgia de sonoridades. Além do rock, blues e da chamada world music, congrega música celta, country, oriental e africana. Um namoro explícito que Plant começou no álbum "No Quarter", lançado em 1994 com o ex-parceiro Jimmy Page.
No palco, havia sons para o todos gostos, divididos entre momentos de puro peso e outros mais introspectivos, com destaque para o ecletismo experimental da Sensational Space Shifters, banda que, remodelada, o acompanha desde 2012.
Como era de se esperar --apesar do grande momento de palmas na recente "Rainbow", do álbum "Lullaby and the Ceaseless Roar"--, é nos hinos roqueiros que o público reage com maior entusiasmo. Acústica, "Going to California" emocionou.
A plateia de Plant no festival, aliás, é mais diversa do que se poderia imaginar. Com mais jovens e apenas alguns fãs na casa dos 40 e 50. Ao que parece, o "indie" Lollapalooza está à prova de motoqueiros e roqueiros, digamos, mais "clássicos".
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