Eduardo Paes: "A conversa com Levy
foi dura"
Prefeito do Rio de Janeiro diz que tentou acordo com governo federal antes de ir à Justiça contestar dívida da cidade
CRISTINA GRILLO
Durante pouco mais de um mês, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, tentou negociar com o governo federal uma forma de usar a lei de 2014 que renegocia a dívida de estados e municípios para pagar à União o que, nas suas contas, era o valor justo -- R$ 300 milhões e não os R$ 6 bilhões calculados pelo Executivo. Nesse período, teve conversas ríspidas com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy; aconselhou-se com um amigo, o ex-governadorSérgio Cabral; e avisou à presidente Dilma que poderia recorrer à Justiça. Na segunda-feira (23), conseguiu uma liminar que lhe permitiu depositar em juízo R$ 28 milhões e, assim, quitar o que considera ser a dívida da cidade com a União.
ÉPOCA – Suas conversas com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foram ásperas, não?
Eduardo Paes – Na segunda-feira à noite (em jantar na casa do vice-presidente Michel Temer), o Joaquim me disse que era normal eu entrar na Justiça, assim como seria normal depois ele tentar cassar a liminar. Não tem conflito político, tem visão institucional diferente. Há duas semanas a conversa foi dura, com Dilma assistindo (a presidente esteve no Rio para inaugurar obras de ampliação do Porto). Briguei com ele na frente dela. Foi uma conversa difícil, de dois homens enfáticos. Ele já deve ter tido conversas assim muito mais vezes do que eu, afinal ele é o homem do não. Estou pronto para um acordo. O que eu não quero é pagar à União, porque depois eu nunca mais vejo a cor desse dinheiro.
Eduardo Paes – Na segunda-feira à noite (em jantar na casa do vice-presidente Michel Temer), o Joaquim me disse que era normal eu entrar na Justiça, assim como seria normal depois ele tentar cassar a liminar. Não tem conflito político, tem visão institucional diferente. Há duas semanas a conversa foi dura, com Dilma assistindo (a presidente esteve no Rio para inaugurar obras de ampliação do Porto). Briguei com ele na frente dela. Foi uma conversa difícil, de dois homens enfáticos. Ele já deve ter tido conversas assim muito mais vezes do que eu, afinal ele é o homem do não. Estou pronto para um acordo. O que eu não quero é pagar à União, porque depois eu nunca mais vejo a cor desse dinheiro.
ÉPOCA – O senhor sempre diz que tem o melhor emprego do mundo, o de prefeito do Rio, mas no final de 2016 o senhor vai ficar desempregado (Paes está no segundo mandato e não pode se candidatar à reeleição). Qual será seu próximo emprego?
Paes – Vou tentar, na reforma política, defender o fim da reeleição para todos os cargos, menos para prefeito. Acho que prefeitos podem se reeleger para sempre (ri). Manda avisar ao Pedro Paulo, ao Leonardo Picciani (deputados federais do PMDB e eventuais candidatos à sucessão de Paes), e até ao Sérgio Cabral que eu vou ficar aqui para sempre. Eu sei que vai acabar e isso me dá uma agonia, uma tristeza tão profunda que preciso fazer um trabalho terapêutico para superar o trauma.
Paes – Vou tentar, na reforma política, defender o fim da reeleição para todos os cargos, menos para prefeito. Acho que prefeitos podem se reeleger para sempre (ri). Manda avisar ao Pedro Paulo, ao Leonardo Picciani (deputados federais do PMDB e eventuais candidatos à sucessão de Paes), e até ao Sérgio Cabral que eu vou ficar aqui para sempre. Eu sei que vai acabar e isso me dá uma agonia, uma tristeza tão profunda que preciso fazer um trabalho terapêutico para superar o trauma.
ÉPOCA – Apesar da tristeza e de sua intenção de fazer terapia, o senhor tem que pensar para frente. Qual será seu futuro político?
Paes – Se eu conseguir terminar bem avaliado é natural que eu seja candidato a governador. Ainda tenho um ano e oito meses de governo e depois mais quase dois anos para pensar, organizar candidatura. Quero muito, a partir de 1º de janeiro de 2017, tirar um tempo com a Cris (Cristiane Paes, mulher do prefeito) e as crianças, estudar numa universidade americana, mas sem ter que fazer prova. Pezão não pode se candidatar, Cabral não quer voltar... Pode ser que eu seja o nome do PMDB.
Paes – Se eu conseguir terminar bem avaliado é natural que eu seja candidato a governador. Ainda tenho um ano e oito meses de governo e depois mais quase dois anos para pensar, organizar candidatura. Quero muito, a partir de 1º de janeiro de 2017, tirar um tempo com a Cris (Cristiane Paes, mulher do prefeito) e as crianças, estudar numa universidade americana, mas sem ter que fazer prova. Pezão não pode se candidatar, Cabral não quer voltar... Pode ser que eu seja o nome do PMDB.
ÉPOCA – Um dos grandes alvos das manifestações de 2013 foi o então governador do Rio, Sérgio Cabral. O senhor tem falado com ele?
Paes – Sempre, todo dia. Tenho o luxo de contar com um consultor chiquérrimo à minha disposição, um homem experiente, um grande governador, e não pago nada por isso. Outro dia falei para o presidente Lula que, se eu fosse a presidente Dilma, ligava para ele todo dia. Ligo para o Cabral de manhã para bater papo, contar um problema meu... O cara passou oito anos cuidando do estado. Não vou usar um companheiro desses? Uso e abuso! Uma vez, perguntei ao Cesar Maia se podia ligar e ele disse: “pode, mas eu vou vazar”. Então não ligo mais.
Paes – Sempre, todo dia. Tenho o luxo de contar com um consultor chiquérrimo à minha disposição, um homem experiente, um grande governador, e não pago nada por isso. Outro dia falei para o presidente Lula que, se eu fosse a presidente Dilma, ligava para ele todo dia. Ligo para o Cabral de manhã para bater papo, contar um problema meu... O cara passou oito anos cuidando do estado. Não vou usar um companheiro desses? Uso e abuso! Uma vez, perguntei ao Cesar Maia se podia ligar e ele disse: “pode, mas eu vou vazar”. Então não ligo mais.
ÉPOCA – Os senhores conversam sobre a Operação Lava Jato?
Paes – Claro que sim, não vivemos em outro planeta. Ele e Pezão estão indignados, mas entendem que como homens públicos nós estamos sujeitos a esse tipo de coisa. A angústia de todos que são investigados e não têm culpa no cartório é que se dê logo uma resposta, se vão denunciar ou não. A delação é pouco crível, de um sujeito que participou de um esquema corrupto. Qualquer um de nós teria essa indignação e desconforto se estivesse no lugar de Cabral e Pezão.
Paes – Claro que sim, não vivemos em outro planeta. Ele e Pezão estão indignados, mas entendem que como homens públicos nós estamos sujeitos a esse tipo de coisa. A angústia de todos que são investigados e não têm culpa no cartório é que se dê logo uma resposta, se vão denunciar ou não. A delação é pouco crível, de um sujeito que participou de um esquema corrupto. Qualquer um de nós teria essa indignação e desconforto se estivesse no lugar de Cabral e Pezão.
ÉPOCA – As investigações da Lava Jato sobre empreiteiras podem prejudicar o andamento das obras das instalações olímpicas?
Paes – O que eu posso afirmar é que aqui não tem Paulo Roberto nem Lava Jato. A prefeitura toca boa parte das obras dos jogos e não há nenhum escândalo, nenhum sobrepreço. Se houver uma crise sistêmica é claro que vai afetar, mas até agora caminha tudo bem. Aqui eu pago em dia, não enrolo empreiteiro.
Paes – O que eu posso afirmar é que aqui não tem Paulo Roberto nem Lava Jato. A prefeitura toca boa parte das obras dos jogos e não há nenhum escândalo, nenhum sobrepreço. Se houver uma crise sistêmica é claro que vai afetar, mas até agora caminha tudo bem. Aqui eu pago em dia, não enrolo empreiteiro.
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