Novo livro traça a biografia de Carlos Castello Branco, mestre do jornalismo político
Ele transformou sua coluna diária em tribuna do pensamento político nacional
JOSÉ SARNEY
Há uma velha polêmica se o jornalismo é gênero literário, ao lado da poesia, do romance, da crônica, do ensaio, da novela e de muitos outros.
Na verdade, se muitas vezes o jornalismo não é literatura na sua definição da arte de escrever com arte, também pode-se fazer literatura no jornalismo. O exemplo mais explícito é o nosso grande Machado de Assis. Suas crônicas nada têm de jornalismo e tudo é literatura.O jornal é a notícia, quer seja o fato em si, quer seja o comentário e a análise do fato.
Evaristo da Veiga, José do Patrocínio, Joaquim Serra faziam do jornalismo um gênero da literatura, como era ambição daquela época, tendo uma causa por fundamento e a arte de escrever como moldura dourada para realçar o retrato do que pregavam. Seus estilos são vivos, carregados, cheios de verrinas, paráfrases, citações, metáforas e o bem cuidado trato da língua.
Tobias Monteiro era o contrário. No livro, ele fazia jornalismo. Pesquisas e depoimentos para a história é um compêndio do melhor jornalismo. Tobias é um precursor do moderno jornalismo de análise.
Carlos Castello Branco, pelo estilo despojado e conciso, fez também literatura. Mas, no fundo,foi repórter para ser um grande escritor.
Na verdade, se muitas vezes o jornalismo não é literatura na sua definição da arte de escrever com arte, também pode-se fazer literatura no jornalismo. O exemplo mais explícito é o nosso grande Machado de Assis. Suas crônicas nada têm de jornalismo e tudo é literatura.O jornal é a notícia, quer seja o fato em si, quer seja o comentário e a análise do fato.
Evaristo da Veiga, José do Patrocínio, Joaquim Serra faziam do jornalismo um gênero da literatura, como era ambição daquela época, tendo uma causa por fundamento e a arte de escrever como moldura dourada para realçar o retrato do que pregavam. Seus estilos são vivos, carregados, cheios de verrinas, paráfrases, citações, metáforas e o bem cuidado trato da língua.
Tobias Monteiro era o contrário. No livro, ele fazia jornalismo. Pesquisas e depoimentos para a história é um compêndio do melhor jornalismo. Tobias é um precursor do moderno jornalismo de análise.
Carlos Castello Branco, pelo estilo despojado e conciso, fez também literatura. Mas, no fundo,foi repórter para ser um grande escritor.
Talento extraordinário, caráter incorruptível, isenção tão fria que nem a mais afetiva amizade fazia transigir sua ação no dia a dia do jornal, que extrapolava para ser uma atividade de excepcional importância cultural.
Poder de síntese, extraordinária capacidade de análise, Carlos Castello Branco exercia a profissão de jornalista, a que se dedicou de corpo e alma, com a mais presente de todas as coragens, a de dizer a verdade dos fatos e o que pensava.
Dele podíamos discordar, muitas vezes duramente criticados, mas não podíamos jamais negar a importância do seu talento. Na história do jornalismo brasileiro, Carlos Castello Branco tem um lugar sagrado, pelo seu valor profissional, pela capacidade de atualização e modernização, e pelo poder de, ao lado de Odylo Costa, filho – o Papa –, Pompeu de Souza, Mino Carta, Samuel Wainer, Janio de Freitas e Elio Gaspari, introduzir novas técnicas, abrir estradas de novos estilos.
O verdadeiro jornalista não é contra nem a favor, na concepção simplista da tomada de uma atitude. É o analista justo. Falo do jornalismo do J maiúsculo, como dizia Nabuco da Política. Suas feridas podem coçar todas as manhãs, mas são testemunho para a posteridade, com todas as paixões e os seus afluentes culturais.
Ele herdou a pena com que José Eduardo de Macedo Soares, por quase meio século, debateu os problemas políticos nacionais. Esse, por sua vez, havia sucedido a Alcindo Guanabara. Porque há toda uma genealogia do comentário político brasileiro, que vem de José Bonifácio, Evaristo da Veiga, Ferreira de Araújo, José do Patrocínio, Joaquim Serra e Quintino Bocaiúva. Castello está entre eles, na sua linha de frente.
O jornalismo é, muitas vezes, para o puro homem de letras, uma atividade paralela, que ele comparte com a poesia, o romance, o ensaio crítico, o teatro. No caso de Castello, o jornalismo, além de ser a atividade dominante, tinha uma feição especial, a do jornalismo político, embora tenha escrito um grande romance, Arco de triunfo.
E que é o jornalismo político? É o político que fez do jornalismo a sua tribuna. Em vez de se orientar no sentido da tribuna parlamentar, Castelinho usava a tribuna do jornal, e ali exercia uma tão grande influência, que se pode dizer, sem lisonja e sem perigo de erro, que foi um dos líderes do pensamento político do Brasil.
No Jornal do Brasil foi mais do que um espelho da atualidade. Foi um processo de consciência da política nacional. Não se limitou à condição de expositor dos acontecimentos: soube ser o pensador e o teorizador, com a capacidade de ver, de intuir e de concluir.
Eu acho que a política tem muito de realidade e de ficção. Em toda murmuração política háfantasia e verdade. Por vezes a fantasia é mais verossímil, com todas as aparências da verdade, enquanto a verdade muitas vezes parece fantasia. Só uma coisa imita o inusitado e o imprevisível na política: a vida. Ele sabia discernir uma e outra, como se ambas passassem por um exame de laboratório, capaz de detectar o fato real e o simples boato.
Dele podíamos discordar, muitas vezes duramente criticados, mas não podíamos jamais negar a importância do seu talento. Na história do jornalismo brasileiro, Carlos Castello Branco tem um lugar sagrado, pelo seu valor profissional, pela capacidade de atualização e modernização, e pelo poder de, ao lado de Odylo Costa, filho – o Papa –, Pompeu de Souza, Mino Carta, Samuel Wainer, Janio de Freitas e Elio Gaspari, introduzir novas técnicas, abrir estradas de novos estilos.
O verdadeiro jornalista não é contra nem a favor, na concepção simplista da tomada de uma atitude. É o analista justo. Falo do jornalismo do J maiúsculo, como dizia Nabuco da Política. Suas feridas podem coçar todas as manhãs, mas são testemunho para a posteridade, com todas as paixões e os seus afluentes culturais.
Ele herdou a pena com que José Eduardo de Macedo Soares, por quase meio século, debateu os problemas políticos nacionais. Esse, por sua vez, havia sucedido a Alcindo Guanabara. Porque há toda uma genealogia do comentário político brasileiro, que vem de José Bonifácio, Evaristo da Veiga, Ferreira de Araújo, José do Patrocínio, Joaquim Serra e Quintino Bocaiúva. Castello está entre eles, na sua linha de frente.
O jornalismo é, muitas vezes, para o puro homem de letras, uma atividade paralela, que ele comparte com a poesia, o romance, o ensaio crítico, o teatro. No caso de Castello, o jornalismo, além de ser a atividade dominante, tinha uma feição especial, a do jornalismo político, embora tenha escrito um grande romance, Arco de triunfo.
E que é o jornalismo político? É o político que fez do jornalismo a sua tribuna. Em vez de se orientar no sentido da tribuna parlamentar, Castelinho usava a tribuna do jornal, e ali exercia uma tão grande influência, que se pode dizer, sem lisonja e sem perigo de erro, que foi um dos líderes do pensamento político do Brasil.
No Jornal do Brasil foi mais do que um espelho da atualidade. Foi um processo de consciência da política nacional. Não se limitou à condição de expositor dos acontecimentos: soube ser o pensador e o teorizador, com a capacidade de ver, de intuir e de concluir.
Eu acho que a política tem muito de realidade e de ficção. Em toda murmuração política háfantasia e verdade. Por vezes a fantasia é mais verossímil, com todas as aparências da verdade, enquanto a verdade muitas vezes parece fantasia. Só uma coisa imita o inusitado e o imprevisível na política: a vida. Ele sabia discernir uma e outra, como se ambas passassem por um exame de laboratório, capaz de detectar o fato real e o simples boato.
Já se definiu a missão do jornalista, no plano do jornalismo opinativo, como poder de transformar a opinião pessoal em opinião pública. Esse poder continua a existir no jornalismo impresso, a despeito da competição exercida por meios mais modernos de comunicação de massa, como o rádio e a televisão. Ele é ainda o instrumento reflexivo por excelência. Pauta toda a mídia.
Carlos Castello Branco, pelo jornalismo, foi o grande historiador do Brasil nos últimos 50 anos. Foi a fonte primária, interpretada em tempo real, de nossa política. Desliza em seu texto a própria História, feita de homens, fatos e tempo.
Sua obra é incorruptível, única no jornalismo de análise.Não hesito em dizer que foi o primeiro, amassando o barro diário da notícia para transformá-la em pedra da História. Isso é o melhor jornalismo.
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