Ao Vivo

3 de dezembro de 2015


Escândalo da Petrobras 'engoliu 2,5% da economia em 2015'



Ruth Costas
Da BBC Brasil em São Paulo
  • Agência Brasil
Não fosse o impacto da operação Lava Jato, a recessão brasileira neste ano seria bem menor, segundo Alessandra Ribeiro, economista da Consultoria Tendências.

Pelos cálculos da consultoria, a Lava Jato deve ter um impacto negativo de 2,5 pontos percentuais no PIB (Produto Interno Bruto) deste ano.

Por enquanto, a estimativa da consultoria é de uma retração na economia brasileira de 3,2% em 2015, embora o número deva ser revisado para uma queda ainda mais brusca em função dos resultados do PIB do terceiro trimestre, divulgados na manhã da última terça-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - e piores do que o esperado.

Descontados os efeitos econômicos atribuídos às investigações, a queda do PIB seria, portanto, de algo em torno de 0,7% e 1,3% (dependendo da revisão).

"A Lava Jato paralisou setores que têm um peso grande nos investimentos totais da economia, então é natural que tenha um impacto negativo expressivo no PIB no curto prazo", explica Ribeiro.

"O lado positivo dessa história é que as instituições estão funcionando e o risco de os corruptos serem pegos está aumentando - o que tende a limitar a corrupção no longo prazo."

Outra consultoria, a GO Associados, também estima um efeito da Lava Jato no PIB da mesma magnitude. Segundo seu levantamento, os impactos diretos e indiretos da operação poderiam ser de R$ 142,6 bilhões em 2015 - algo em torno de 2,5% do PIB.

"Trata-se de um cenário relativamente pessimista, mas que reflete o peso dessas empresas e setores para a economia", diz Fernando Marcato, sócio da GO Associados.

Petrobras e construtoras

Pelos cálculos da Tendências, os investimentos da Petrobras corresponderiam a 2% do PIB brasileiro e os aportes de grandes construtoras envolvidas no escândalo em obras de infraestrutura, 2,8%.

Em seu conjunto, portanto, os investimentos de todas as empresas envolvidas na Lava Jato chegariam a quase 5% do PIB, em um país em que o nível total dos investimentos varia de 17% a 20%.

Em função da Lava Jato, construtoras como a Odebrecht e a Camargo Correa, além da própria Petrobras, revisaram seus planos de investimentos, fizeram mudanças em sua estrutura organizacional ou em contratos com fornecedores e parceiros.

Só a Petrobras reduziu em mais de 30% o volume de investimentos previstos entre 2015 e 2019, por exemplo. E muitas empresas do setor de óleo e gás ou construção civil realizaram demissões.

A operação também teria elevado os riscos derivados da maior dificuldade de financiamento das empresas, que podem não conseguir "fazer frente a suas obrigações", segundo a Tendências.

Longo Prazo

Para Marcato, da GO Associados, não há como garantir que o efeito econômico da Lava Jato será positivo no médio e longo prazo.

"É claro que o resultado de uma operação como essa pode ser uma melhoria institucional, mas se comprometer a própria existência de algumas empresas terá um efeito indesejado para a economia", acredita.

"Por isso, acho que uma caça às bruxas em estilo medieval não interessaria a ninguém, e precisamos discernir entre indivíduos que cometeram falhas e as empresas, que são grandes geradoras de emprego e devem ter sua capacidade de investimento preservadas."

O professor André Biancarelli, da Unicamp, lembra que nos EUA houve situações em que empresas ameaçadas de quebrar por práticas inadequadas de seus executivos foram salvas pelo Estado.

"Não acho que o combate à corrupção deva ser subordinado à necessidade das empresas, mas é natural que haja uma preocupação com preservar empregos e companhias em determinados setores da economia", diz.

Já o consultor da Transparência Internacional Fabiano Angélico discorda que essa deva ser uma preocupação no que diz respeito à Lava Jato.

"Toda a sociedade ganha com regras claras, um ambiente mais transparente e menos corrupção porque o sobrepreço tende a desaparecer nas obras públicas e os contratos são feitos de forma mais eficiente", diz ele.

"Se algumas grandes empresas que não agiam de acordo com as regras sofrem e são obrigadas a demitir, seus funcionários certamente vão encontrar trabalho em empresas médias que acharão mais espaço e mais oportunidades para operar no mercado."

No mês passado, questionado pela BBC Brasil sobre a possibilidade de o país sair prejudicado se as construtoras da Lava Jato quebrarem, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal na Lava Jato, respondeu:

"Não temos dúvida de que o que prejudica a economia e a sociedade não é o combate à corrupção, mas a corrupção em si. Usando uma analogia do juiz Sergio Moro (responsável pela operação na primeira instância), não se pode culpar o investigador que achou o cadáver resultante de um assassinato. O responsável é quem matou a vítima."

Colaborou Adriano Brito, da BBC Brasil em São Paulo

ENTENDA O QUE É O PIB E COMO ELE É CALCULADO

Ampliar

Como é o presídio para onde foram levados suspeitos da Lava Jato5 fotos

2 / 5
Ao contrário do que ocorre em outras prisões, no Complexo Médico Penal o pátio frequentado pelos detentos possui um ambiente calmo. O CMP também abriga um número de presos acima de sua capacidade -- são 692 pessoas para 554 vagas --, mas há bastante rotatividade. De acordo com os funcionários, cerca de 50 detentos chegam e saem do local todos os dias Leia mais BBC
Leia mais em: http://zip.net/bxst5v

2 de dezembro de 2015

Borat do "Amor & Sexo" deixa sunga 


ousada de lado e posa nu em revista gay



Do UOL, em São Paulo
Ampliar

Borat do "Amor & Sexo" faz ensaio sensual para revista "Mais JR"4 fotos

1 / 4
2.dez.2015 - Bruno Miranda, o Borat, do programa "Amor & Sexo", estampa a capa de dezembro da revista Mais JR Divulgação/Revista Mais JR
Conhecido pela sunga excêntrica que usa durante suas aparições no programa "Amor & Sexo", o modelo Bruno Miranda, o Borat, deixou o traje de lado e posou nu para a revista "Mais JR".
O assistente de palco de Fernanda Lima contou à publicação que a sunga usada no programa é feita sob medida, mas ainda causa incômodo quando precisa usá-la.
Bruno também afirmou que desde que começou a aparecer no programa Global, tem recebido muitas cantadas, de mulheres e homens. "As mulheres costumam elogiar o meu corpo, dizem que sou um gato. Já os gays...já teve até quem dissesse 'me engravida', principalmente nas redes sociais", afirma.
A "Mais JR" com ensaio de Bruno Miranda será lançada no dia 10 de dezembro.
Leia mais em: http://zip.net/bystKL

ESTREIA-Angelina Jolie aborda crise conjugal em drama "À Beira-Mar"

SÃO PAULO (Reuters) - Saindo da temática de guerra que serviu de fonte aos seus dois primeiros longas, Angelina Jolie continua em um território tão minado quanto: em “À Beira-Mar” (2015), o campo de batalha é do amor, mais especificamente de um casamento em crise.
Após seu début no modesto romance dramático sobre a guerra da Bósnia em “Na Terra de Amor e Ódio” (2011) e sua experiência em uma superprodução de tom épico, “Invencível” (2014), biografia do atleta olímpico Louis Zamperini, a atriz e realizadora muda totalmente o curso, apostando em um cinema mais autoral, com forte influência dos filmes europeus dos anos 60 e 70.
É justamente em meados da década setentista que se situa a história do par fictício, interpretado pela própria diretora e seu marido Brad Pitt, reunidos em cena novamente após 10 anos do lançamento de “Sr. & Sra. Smith” (2005), quando os dois iniciaram o relacionamento mais badalado de Hollywood dos últimos tempos.
Se a apresentação dos protagonistas é feita de forma glamourosa, que remonta à época áurea das estrelas e casais da indústria cinematográfica norte-americana, o que vem em seguida é a desconstrução disso, embora a atriz nunca perca a pose, mesmo no auge da depressão de sua personagem.
A viagem de Roland (Brad Pitt) e da esposa Vanessa (Angelina Jolie) para a costa sul da França – as gravações foram realizadas, na realidade, na ilha de Gozo, em Malta – não são férias e sim uma busca de salvação para o seu casamento. Além da crise conjugal, ele ainda vê no novo cenário uma forma de buscar inspiração e pôr fim a um bloqueio criativo que o faz questionar sua carreira como escritor.
A apatia e desconexão entre ambos causam uma frieza e passividade inicial que tornam o primeiro ato mais maçante, apesar de justificável. É curioso que, no entanto, a trilha sonora de Gabriel Yared, ganhador do Oscar por “O Paciente Inglês” (1996), peque pelo exagero logo aí, destoando no começo e encontrando seu caminho complementar à narrativa somente mais à frente no longa.
De certa maneira, isso ocorre concomitantemente à introdução do voyeurismo na trama, que ganha ritmo a partir disto, pois é o gatilho para que os cônjuges finalmente comecem a expor e compartilhar suas aflições e dificuldades no relacionamento, embora as consequências disso sejam tanto positivas como negativas para os dois.
A chegada de um casal em lua de mel ao hotel, justamente no quarto ao lado, é o contraponto à situação deles, pois a jovialidade, empolgação e envolvimento de Lea (Mélanie Laurent, que trabalhou com Pitt em “Bastardos Inglórios”) e François (Melvil Poupaud, de “Laurence Anyways”) escancara um estágio a que o casamento de Roland e Vanessa parece não ter mais condições de voltar.
Em conjunto, essa gritante diferença é usada como representação de um abismo entre gerações, com o olhar daquela de que os dois principais fazem parte, ainda arraigada em valores conservadores em relação à família; para a outra, simbolizada nos recém-casados, já resultante da consolidação da revolução sexual daquelas décadas.
Contudo, ao transformar os protagonistas também em espectadores, deste e de outros filmes, Jolie estabelece uma relação entre personagens e público quando ambos projetam e aliviam suas frustrações na felicidade que veem pelo “buraco” da tela. Um intercâmbio que seria mais intenso se a maior destreza que agora demonstra na direção se espelhasse no roteiro, o vilão neste caso.
Com uma obra centrada basicamente em duas figuras que passam, na maior parte do tempo, separadas, é louvável o domínio das elipses temporais e espaciais através do trabalho dela, da montagem de Martin Pensa e Patricia Rommel e do desenho de som de Becky Sullivan e David Stephenson. Frente à fragilidade e, às vezes, histeria de Vanessa, a perseverança de Roland na relação é, ao mesmo tempo, invejável e duvidosa.
Mas é a naturalidade que Brad consegue imprimir ao personagem um tanto incompleto que impele a plateia a dar uma nova chance ao seu par, já que o sofrimento dela é muito teatral e fotográfico.
Mais do que qualquer comparação entre os casamentos real e fictício e até a motivação explícita de tratar sobre o luto depois da perda de sua mãe, enxerga-se no trabalho de Angelina uma grande vontade de reafirmação, enquanto mulher e estrela, especialmente com a utilização de seu próprio corpo exposto.
Imageticamente, o filme é sedutor e a fotografia imersiva e vintage de Christian Berger, parceiro constante de Michael Haneke, dá uma imensa contribuição neste sentido, com o azul do mar ganhando vida entre os tons pastéis das pedras e construções, destacados pela luz natural mediterrânea.
Elo fraco do longa, o script da cineasta expõe, por vezes, subtextos em diálogos que soam artificiais e desconfiam da inteligência do público, além de perder ritmo no terceiro ato, quando toda a eficiência da tensão gerada pelo relacionamento deles se esvai com a justificativa dada ao final para tal crise.
Muitos ficarão decepcionados, considerando que muita tempestade em copo d'água é feita durante toda a história, pois o que era até então desconhecido se mantinha mais interessante e a ambiguidade seria, talvez, uma melhor solução.
Porém, quando Roland diz a Vanessa que eles precisam parar de ser tão estúpidos, há um sarcasmo, intencional ou não, que define não só o espírito da obra como ironiza a tendência humana de supervalorizar seus próprios problemas.
(Por Nayara Reynaud, do Cineweb)
* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb
Leia mais em: http://zip.net/bsstCz

Aposta feita no Brasil revela alta rejeição


 de Maitê Proença em Portugal

Do UOL, em São Paulo
  • Reprodução/SporTV
    Aposta feita no Brasil revela alta rejeição de Maitê Proença em Portugal
    Aposta feita no Brasil revela alta rejeição de Maitê Proença em Portugal
A aposta feita por Maitê Proença no SporTV, que ficaria nua ao vivo se o Botafogo subisse à Série A do Campeonato Brasileiro, expôs nesta terça-feira (2) a alta rejeição que a atriz da Globo mantém em Portugal.
A notícia sobre a tal promessa foi exibida com estardalhaço pela SIC Notícias, o principal canal de notícias do país. A repercussão foi imediata e, em poucos minutos, muitos portugueses lançaram xingamentos contra a atriz da Globo, como v**** e porca, e pediram ao canal para que boicotasse Maitê do noticiário local.
Reprodução/GNT Arquivo/out.2013
Maitê Proença cospe em monumento português
"A SIC Notícias já se esqueceu dos comentários desta gaja acerca de Portugal e dos portugueses para ainda estar a falar dela?", reclamou um internauta na página da emissora. "E mesmo uma cretina, se gosta de cumprir promessas porque não promete ir estudar? E que a estupidez dessa mulher e a sua maior virtude", esbravejou outro.
E as inúmeras reclamações não pararam por aí: "Tanta importância se dá a uma mulher que gozou com os portugueses e Portugal , uma verdadeira fonte de estupidez ambulante", disse um usuário.
O motivo para a alta rejeição da atriz em Portugal está num fato ocorrido em 2007, quando Maitê produziu uma reportagem para o programa "Saia Justa", do canal GNT, e cuspiu em monumento, chamou os portugueses de "esquisito", e fez piadas durante a visita ao país. Entre outras coisas, ela brinca com uma placa pendurada ao contrário em frente a uma casa e sobre problemas que enfrentou no hotel em que estava hospedada. (Para assistir o vídeo, clique aqui)
A deselegância motivou até mesmo a criação de um abaixo-assinado na internet.
Após a repercussão negativa, Maitê Proença pediu desculpas através do jornal O Globo, do Rio de Janeiro.
Ao jornal, a atriz declarou que só quem não vê o 'Saia Justa' pode levar o vídeo a sério, acrescentando que 'se considera uma portuguesa', porque seu avô, Augusto Galo, era português e patrono do Clube Ginástico (formado por portugueses que moram no Brasil). Maitê ainda disse que está faltando humor nas pessoas, mas termina pedindo desculpas, se realmente ofendeu um português com o programa.
Leia mais em: http://zip.net/bjstdK

Hino contra a ditadura, "Caminhando", de Vandré, perdeu festival em 1968


  • Revista Manchete/Divulgação
    Público de 30 mil pessoas consagrou Geraldo Vandré e a canção "Caminhando (Pra Não Dizer que não Falei das Flores)"
    Público de 30 mil pessoas consagrou Geraldo Vandré e a canção "Caminhando (Pra Não Dizer que não Falei das Flores)"
Leia, em primeira mão, trechos do capítulo "A Vida não se Resume a Festivais" da biografia "Geraldo Vandré - Uma Canção Interrompida" (Ed. Kuarup), em que o jornalista Vitor Nuzzi reconta o anúncio dos vencedores do Festival Internacional da Canção em 1968:
"O público, estimado pela imprensa da época em 20 mil a até 30 mil pessoas, queria a vitória de "Pra não Dizer que não Falei das Flores". E se manifestou com veemência após conhecer a decisão dos jurados. O áudio é inequívoco. Mas, infelizmente, não há imagens conhecidas daquele momento. O Centro de Documentação da TV Globo diz possuir alguns poucos takes do festival, mas nenhum em que apareça Vandré. Mesmo a interpretação disponível de Sabiá, com Cynara e Cybele, já é a da fase internacional.
Quando foi entrevistado para a GloboNews, em 12 de setembro de 2010, Geraldo chegou a pedir ao jornalista Geneton Moraes Neto que localizasse as imagens do festival. "Lá na sua estação deve ter", afirmou. Mas elas não foram encontradas, assim como as da entrevista forjada de 1973, na volta do artista ao Brasil. Ao pesquisar para o documentário Uma Noite em 1967, sobre o festival da Record daquele ano, os diretores Renato Terra e Ricardo Calil também não acharam uma única imagem de Vandré. O "sumiço" de Vandré nos arquivos foi tema de uma reportagem publicada em abril de 2011 pelo jornal Brasil de Fato.
Os nomes foram sendo anunciados. (...)
A tensão cresce. E aumenta quando o apresentador Hilton Gomes anuncia que o segundo lugar é de "Pra não Dizer que não Falei das Flores". As vaias tomam conta do ginásio. É preciso que se saiba que não estamos vaiando "Sabiá", mas a decisão do júri, afirmou um espectador ao jornal Última Hora.
Luiz Roberto, parceiro de Vandré em Tristeza de Amar e Ninguém pode mais Sofrer, também estava no Maracanãzinho. E ficou impressionado. "A ideia de entrar sozinho no palco foi genial. Aquilo foi arrasador. Se pusesse aquela orquestra acompanhando – e era uma orquestra muito boa –, não ia ter o mesmo impacto, porque ele foi na essência, foi incrível."
Divulgação
"Geraldo Vandré - Uma Canção Interrompida" (Ed. Kuarup)
Como as vaias não paravam, o próprio Vandré decidiu interceder, defendendo os vencedores do festival, que ainda nem haviam sido anunciados.

Olha... Sabe o que eu acho? Antônio Carlos Jobim e Chico Buarque de Hollanda merecem o nosso respeito(aplausos e vaias). A nossa função é fazer canções. A função de julgar, neste instante, é do júri que ali está.
Vaias, muitas vaias, para o eclético júri, formado por Alceu Bocchino, Ary Vasconcelos, Bibi Ferreira, Billy Blanco, o maestro Carioca (Ivan Paulo da Silva), Carlos Lemos, Donatello Grieco, Eli Halfoun, Eneida Costa Martins, Isaac Karabtchevsky, Justino Martins, Nilo Scalzo, Paulo Mendes Campos, Ricardo Cravo Albin e Ziraldo.
Vandré continua: Pra vocês... Pra vocês que continuam pensando que me apoiam vaiando... O público começa a gritar "É marmelada" repetidas vezes, enquanto Vandré, parecendo aflito, tenta falar.Gente! Por favor! Por favor!
A intensidade das vaias diminui, e ele completa, pausadamente. Tem uma coisa só mais. A vida não se resume em festivais. E começa a dedilhar o violão. Enquanto cantava, a multidão agitava lenços brancos – "caloroso adeus ao artista cuja canção vai ser cantada por muito tempo", descreveu o jornal O Globo na edição de 30 de setembro. (...)
Vandré deixou o Maracanãzinho em seu Galaxie e foi para o hotel Plaza, em Copacabana, onde outros artistas estavam hospedados. Depois, saiu para a noite carioca. O desenhista Ziraldo fazia parte do grupo – ele conheceu Vandré exatamente naquela noite. "Ficamos, um bando de amigos, flanando por Copacabana, na madrugada. Pareciam-me, todos, muito despreocupados", conta Ziraldo, que recorda ainda de uma rápida conversa com Vandré. "Ele me disse: Precisava ganhar esse festival. E, com um jeito de mistério: Eu tinha exatamente o que fazer com o dinheiro. Os companheiros precisavam dessa ajuda. Nunca soube que companheiros eram esses. Naquela noite a frase me pareceu qualquer coisa meio parecida com bravata. Soube mais tarde que jovens militares andavam rondando a gente naquela noite com a pior das intenções."
Talvez o receio de Vandré fosse justificado. (...)
Na autobiografia escrita em 1991 com o auxílio do jornalista Gabriel Priolli, o ex-diretor da Globo Walter Clark conta que recebeu uma "ordem" para que Caminhando ou América, América não vencesse. O recado, segundo ele, partiu do ajudante de ordens do general Sizeno Sarmento.
Não era um recado qualquer. Comandante do I Exército, Sizeno havia sido major da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na 2ª Guerra Mundial – é citado várias vezes pelo escritor Rubem Braga em seus relatos de guerra para o Diário Carioca. No início do governo Castello Branco, após a derrubada de João Goulart, foi chefe de gabinete de Costa e Silva quando este era ministro da Guerra. De acordo com o relato, a tal ordem foi ignorada e sequer chegou ao conhecimento dos jurados.
Boni assegura que o júri não sofreu qualquer tipo de pressão. "Não houve nenhuma interferência, nem a mais leve sugestão. O júri foi soberano."
Sobre o relato de Clark relativo ao episódio com os militares, ele conta que não foi informado. "O Walter, talvez para não me preocupar, nunca mencionou esse fato. Quando conversávamos sobre consequências, a gente pensava no endurecimento da censura com nossos telejornais, novelas e outros festivais, mas estávamos acostumados com isso e a só agir quando surgiam problemas. O risco do endurecimento era permanente e não apenas uma consequência do festival."

Serviço:
Lançamento - "Geraldo Vandré - Uma Canção Interrompida"
Data: 2 de dezembro, 20h
Local: Biblioteca Mário de Andrade. Rua da Consolação, 94, Consolação, São Paulo – SP
Entrada gratuita

Bate-papo e noite de autógrafos com Vitor Nuzzi
Data: 11 de dezembro, 19h
Local: Livraria da Vila . Rua Fradique Coutinho, 915, Pinheiros, São Paulo - SP
Entrada gratuita

 
Leia mais em: http://zip.net/bcstdl

Escolas cariocas trazem a melhor safra


 de sambas dos últimos anos

Anderson Borde/AgNews
Anderson Baltar
Do UOL, no Rio
Lançado com uma festa para convidados na noite de terça (1), no Rio de Janeiro, o CD das escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval carioca chega às lojas cercado de expectativa. Pelas quadras e barracões, a empolgação dos sambistas é movida pela percepção de que a safra de sambas-enredo pode ser a melhor dos últimos 15 anos. A coletânea das escolas, que até o início dos anos 90 liderava a lista dos mais vendidos na época natalina (em 1989, vendeu 1,5 milhão de cópias), viveu um longo período de ostracismo, sendo batida nas paradas e no inconsciente coletivo por ritmos como o axé.

Mas, na esperança dos especialistas que participaram de uma enquete organizada pela Rádio Arquibancada (webradio especializada em Carnaval), no que depender da qualidade das obras escolhidas para 2016, o samba-enredo poderá voltar à moda. "A safra de 2016 é uma das melhores dos últimos tempos e equilibrada em alto nível. Talvez tenhamos a melhor leva de sambas desde meados dos anos 90. O que mostra que o samba-enredo é um gênero musical que é sujeito a idas e vindas e renasce, de forma altamente surpreendente", acredita o jornalista e comentarista de Carnaval Fred Soares.

De acordo com os analistas, três sambas largam na frente dos demais em relação à sua qualidade: Imperatriz Leopoldinense, Unidos da Tijuca e Portela. Curiosamente, as duas primeiras escolas trazem enredos baseados no mundo rural. A Imperatriz faz uma homenagem à dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano e a Tijuca exalta a pujança do agronegócio da cidade mato-grossense de Sorriso. Mas, segundo o jornalista Fábio Fabato, a pouca familiaridade dos temas com a folia carioca não foi suficiente para atrapalhar a inspiração dos poetas: "São enredos que, num primeiro momento, causaram estranheza. Porém suas sinopses foram muito bem escritas e ajudaram a surgir bons sambas". A Portela, sob o comando do carnavalesco Paulo Barros, traz um samba com jeitão de anos 80 – o que despertou uma reação apaixonada de seus torcedores.

Na opinião dos analistas, Salgueiro, Beija-Flor, Mangueira, Vila Isabel e Estácio de Sá também contam com sambas de ótima qualidade. Mas, na opinião do produtor musical Chico Frota, ao contrário de anos anteriores, até as obras menos bem avaliadas têm suas virtudes. "Não temos, como em outros anos, sambas de nível muito ruim, que fazem o folião pular a faixa do CD. Temos sambas de qualidade muito boa puxando a safra e outros, bastante interessantes, que devem propiciar bons desfiles", acredita. O jornalista Ralph Guichard destaca como um diferencial nos sambas de 2016 o fato de que todos foram escolhidos em suas quadras com o apoio das comunidades das agremiações: "Sem dúvidas, quando o samba cai no gosto dos componentes da escola, suas qualidades se acentuam, já que o canto é muito mais apaixonado".

Gênero musical de características totalmente singulares, o samba-enredo é feito por encomenda pelos compositores, que buscam vencer a disputa interna  contando  uma história pré-definida pela escola a partir de uma sinopse. E, em um ano de crise, o Carnaval 2016 tem um fator que a distingue dos anos anteriores: a pouca presença de enredos patrocinados.

Na opinião do escritor e historiador Luiz Antônio Simas, as escolas tiveram que usar a cabeça para encontrar bons temas e, a partir daí, propiciar aos seus compositores a oportunidade de fazer sambas de melhor qualidade. "Um enredo ruim dificilmente consegue trazer um bom samba. Já, mesmo com um bom enredo, o samba, se não for brilhante, pode conquistar seus componentes e ser burilado até o desfile. O samba-enredo não é uma obra fechada; ele pode crescer muito nos ensaios e explodir na avenida. Muitas vezes um samba em que acreditamos muito não acontece e outro, que ninguém apostava, vira a sensação do carnaval", conclui Simas.
Leia mais em: http://zip.net/bcstfq

Após cirurgia, Bonner estranha "umbigo 


novo" e Justin Bieber

Do UOL, em São Paulo
  • Reprodução/Instagram/realwbonner
    O jornalista William Bonner
    O jornalista William Bonner
Recuperado da retirada da vesícula, William Bonner comentou o resultado da cirurgia nas redes sociais. Em seu perfil no Twitter, o jornalista brincou que teve três "choques psicológicos pós-cirurgicos". Entre eles, Bonner estranhou seu "umbigo novo" e ter curtido Justin Bieber.
"Três choques psicológicos pós-cirúrgicos. 1) Não tenho vesícula; 2) Mudaram meu umbigo; 3) Eu... eu ouvi uma música do Justin Bieber. E gostei", escreveu Bonner no Twitter, com um "emoji" envergonhado.
O jornalista revelou que, além da cirurgia na vesícula, descobriu uma hérnia umbilical e teve que operar o umbigo. "Os médicos disseram assim: 'Olha, a gente tirou a vesícula, mas achou uma hérnia umbilical e resolveu consertar. Esperamos que você goste...", comentou.
Bonner continuou: "Ontem eu troquei o curativo do umbigo novo. Ficou meio... tipo: não é o meu umbigo, sabe? Fiquei olhando para ele, tipo: 'E aí? Beleza?".
O jornalista retirou a vesícula no último final de semana. Por causa da cirurgia, ele está afastado do "JN" desde segunda-feira (30) e voltará apenas na próxima segunda. Heraldo Pereira está substituindo Bonner.
Leia mais em: http://zip.net/bfss8H