Ao Vivo

3 de dezembro de 2015


Espiritualista, não espírita: entenda a base religiosa de "Além do Tempo"
Felipe Pinheiro*
Do UOL, em São Paulo
  • Reprodução/GShow/"Além do Tempo"
    Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) vivem em um amor de outras vidas na novela de Elizabeth Jhin
    Lívia (Alinne Moraes) e Felipe (Rafael Cardoso) vivem em um amor de outras vidas na novela de Elizabeth Jhin
"Além do Tempo", a atual novela das 18h da Globo, estreou se passando no século 19 e, após três meses, deu um salto cronológico de mais de 100 anos, levando o telespectador para o século 21. No entanto, pela temática abordada, ela poderia se passar em qualquer período, em eras tão antigas quanto o próprio questionamento feito na trama, o de se há vida após a morte.
Tema central na obra de Elizabeth Jhin, a reencarnação é pano de fundo para uma história de encontros e desencontros, ou, como foi anunciada a segunda fase da trama pela emissora, de "amores que não cabem numa só vida". Para contar seu romance espiritualista água com açúcar, da mocinha que sofre até o último capítulo para poder ficar com seu grande amor, a autora resolveu contextualizar seu dramalhão na circularidade da vida.
Em entrevista ao UOL, Jhin explicou sua tendência em retratar um conceito que, salvo a devidas particularidades, aparece em crenças e sistemas filosóficos bastante próprios. "Eu gosto muito de falar sobre espiritualidade, mas sem ligar a religião, a doutrina nenhuma. A reencarnação é uma questão de várias religiões, quase todas as grandes religiões estabelecidas falam nisso. E todos os povos, desde a mais remota antiguidade, falam muito nessa coisa de voltar", afirmou.
Nas principais religiões divulgadoras da reencarnação no Brasil se encontra o espiritismo codificado por Allan Kardec, que buscou legitimá-lo como sendo uma tríplice entre ciência, filosofia e religião. Segundo dados revelados em 2010 pelo censo do IBGE, cerca de 4 milhões de brasileiros (2% do total da população) se identificam como espíritas – o que faz do espiritismo o terceiro maior grupo religioso do país. Mas seu alcance, acredita-se, deve ser ainda maior na medida em que conteúdos da doutrina são praticados e aceitos por adeptos de outras religiões.
"Eu gosto muito de falar sobre espiritualidade, mas sem ligar a religião, a doutrina nenhuma. A reencarnação é uma questão de várias religiões, quase todas as grandes religiões estabelecidas falam nisso. E todos os povos, desde a mais remota antiguidade, falam muito nessa coisa de voltar"
Elizabeth Jhin, autora da novela "Além do Tempo"
Diretor da Federação Espírita Brasileira (FEB), João Rabelo acredita que "Além do Tempo" pode ser vista equivocadamente pelo público leigo como uma novela espírita justamente porque fala de vidas passadas, uma das características da doutrina que tem ainda pontos centrais como mediunidade e comunicação com os mortos.
"Essa é a imagem que está ficando na sociedade, de que é uma novela espírita porque trata de reencarnação. Se fosse essencialmente espírita, a novela faria proselitismo. Aí viraria uma aula de religião. Ela provoca o interesse do público para conhecer mais [sobre reencarnação e espiritismo]. Durante a novela, os nossos livros de reencarnação aumentaram as vendas em 20%", diz Rabelo, que gosta da abordagem da trama.
A possível confusão, se é ou não uma novela espírita, também pode ser explicada porque o próprio espirtualismo, que se ocupa primordialmente do plano espiritual como um fato da realidade, é um campo bastante vasto que abrange muitas religiões reencarnacionistas. "Há uma transitividade entre espiritualismos e espiritismos, não são campos opostos e nem com fronteiras muito rígidas. Nenhuma religião forma um bloco monolítico. Dentro delas, há várias correntes e interpretações, filosofias e até várias teologias", explica a cientista da religião e professora da Pontifícia Universidade Católica de Sã Paulo (PUC-SP) Maria Angela Vilhena. "Há tradições afro, ibéricas , medievais, europeias atuais, hinduístas, budistas... Não faltam tradições espiritualistas e reencarnacionistas", exemplifica.
Espiritismo e reencarnação
Apesar da liberdade que o próprio tema oferece à autora, que não precisa se comprometer com uma corrente filosófica ou religiosa específica para se lançar em um tipo de abordagem metafísica, cabe certa correspondência entre a reencarnação trabalhada na novela com a que é própria do kardecismo. Não por acaso, Wagner de Assis, diretor do filme espírita "Nosso Lar", é um dos colaboradores de Jhin.
Reprodução/Além do Tempo/Gshow
Vitória e Emília são rivais de vidas passadas na novela de Elizabeth Jhin; na nova encarnação, serão mãe e filha
 "É muito agradável aos espíritas pensar que a reencarnação não é um castigo, mas uma nova oportunidade que Deus está dando para o espírito evoluir. Kardec começa a trabalhar nisso no momento em que  a teoria do [Charles] Darwin sobre o evolucionismo das espécies era a novidade científica da época. É dentro dessa linha evolucionista que ele começa a falar na reencarnação, como uma chance para se aperfeiçoar em novas experiências possibilitadas em uma outra encarnação", afirma Maria Ângela.
No folhetim das seis, os personagens não apenas têm seus destinos cruzados na nova vida como voltam, em alguns casos, em relações de sangue aparentemente imprevisíveis como é o caso de Vitória (Irene Ravache) e Emília (Ana Beatriz Nogueira). Se elas tinham uma rivalidade complicada na primeira fase, agora elas reencarnam como mãe e filha. Tudo gira em torno da lei do carma, na causa e efeito, e visando a evolução espiritual.
"Dentro do pensar espírita, existe a possibilidade de, no plano astral, se escolher onde renascer e com quem conviver [na encarnação]. Eu, por exemplo, escolhi ser mãe da minha e filha e ela escolheu ser minha filha. É uma análise combinatória metafísica complicadíssima (risos). Se eu fui, por exemplo, uma mãe muito chata, castradora, posso ser a filha da minha filha – mas é sempre nessa ótica do Kardec de aprendizado, e não como castigo", pondera a cientista da religião.
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Saiba como foi produzida cena da morte de mocinhos em "Além do Tempo"10 fotos

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22.out.2015 - Boa parte da cena em que Lívia (Alinne Morais), Melissa (Paolla Oliveira) e Felipe (Rafael Cardoso) morrem em "Além do Tempo" foi realizada em externa e no próprio Projac, complexo de estúdios da emissora no Rio. A equipe usou chroma key --fundo verde ou azul preenchido com imagens de computação gráfica--, dublês e um piscina coberta com um plástico preto Reprodução/TV Globo
Públicos das novelas espiritualistas
Novelas com foco na espiritualidade são uma tradição na teledramaturgia da Globo, que em seu histórico traz as bem sucedidas "A Viagem" (1994), "Alma Gêmea" (2005) e "Alto Astral" (2014). A própria Elizabeth Jhin já tateou o tema em produções que assinou, como "Eterna Magia" (2007), "Escrito nas Estrelas" (2010) e "Amor Eterno Amor" (2012). As apostas da emissora nesse filão, portanto, não acontecem por acaso. O resultado de audiência que se obtém justifica que elas sejam produzidas. Mas por que novelas de cunho espiritualista costumam agradar o público?
"As pessoas costumam gostar porque se trata de uma das questões fundamentais da humanidade, para onde vamos ou que podemos esperar após a morte. São novelas que oferecem uma resposta que não é tão trágica quanto a que é dada pelo monoteísmo cristão e islâmico. É algo muito menos trágico do que o inferno cristão e islâmico, onde não há mais chance. Quem é que quer algo assim? Os espiritualismos oferecem uma resposta menos dolorosa, mais palatável, em relação ao futuro. Se a todos é dada uma nova oportunidade, é melhor assim do que uma condenação eterna", analisa Maria Angela.

Você gostou da mudança de fase em "Além do Tempo"?

Resultado parcial
Eduardo Miyashiro, diretor geral da Aliança Espírita Evangélica, tem uma hipótese para  identificação dos telespectadores com "Além do Tempo". "Na reencarnação e no carma existe uma forma de se recompensar ou incentivar uma boa conduta moral, ou então de tentar se restringir um comportamento prejudicial a outras pessoas. O senso moral é uma questão do ser humano", diz.
A fluidez do campo religioso brasileiro, com limites por vezes frouxos entre, por exemplo, correntes do catolicismo, espiritismo e umbanda, permite que públicos diferentes se identifiquem com a novela. 
Descendente de italianos, o paulista Chester Raymondi cresceu na igreja católica e teve acesso, também, aos universos do espiritismo kardecista e da umbanda. Há 42 anos ele dirige na Vila Maria, Região Norte  de São Paulo, a Associação Beneficente Irmão Juarez, uma casa com trabalhos de cura às terças, quando ele incorpora um médico, e voltada às sextas para "um misto de kardecismo e umbanda", em suas palavras. 
O senhor Chester também faz parte dos espectadores alcançados pela novela. Ele fala da identificação com a trama: "Tem um fundo espiritual, e isso é importante porque está despertando as pessoas para esse algo a mais". "Vi alguns capítulos [de 'Além do Tempo']. A reencarnação diz muito sobre as nossas vidas. Existem espíritos evoluídos que reencarnam. E os apóstolos? Vai saber se Allan Kardec não foi um apóstolo do Cristo? Aos 16 anos ele substituía [o pedagogo suíço] Pestalozzi, de quem era discípulo, nas aulas. Era um homem muito inteligente", especula.
*Colaboração: Giselle de Almeida
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Veja cenas de "Além do Tempo"24 fotos

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Melissa não aceita que Felipe se separe para ficar com Lívia Reprodução/"Além do Tempo"/GShow
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Briga arquivada? Como será o reencontro


 de Britto Junior com Ronaldo Ésper?


do UOL
Colunas - Flavio Ricco
  • Reprodução/TV Record
    Ronaldo Ésper abandonou programa ao vivo
    Ronaldo Ésper abandonou programa ao vivo
A Record também procura e quem procura,às vezes, acha: foi falado aqui sobre a escolha do Britto Junior, voltando ao ar, para fazer as férias do César Filho no "Hoje em Dia".
Mas só foi lembrado agora que o mesmo Britto andou se pegando com o Ronaldo Ésper no passado. Teve abandono de estúdio, depois de muito xingamento e de um chamar o outro de ladrão.
Como vai ser agora, ninguém sabe responder. E se já arquivaram aquele bronca, também não. O reencontro está marcado para janeiro.
O desentendimento entre os dois aconteceu no "Programa da Tarde", porque o apresentador relembrou a acusação que pesava sobre o estilista de ter furtado vasos do cemitério do Araçá. Ronaldo abandonou o programa.
Agora, usando a pombinha que também é um dos símbolos da casa e até porque não interessa a mais ninguém levar esse caso à frente, a Record poderá usar o programa para restabelecer a paz. 
* Colaboração de José Carlos Nery
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Regina Casé garante que "Esquenta" 


continua em 2016

Marcela Ribeiro
Do UOL, no Rio
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Prêmio Cariocas do Ano da revista Veja Rio - dezembro 20158 fotos

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1.dez.2015 - Fernanda Montenegro e Regina Casé no Prêmio Cariocas do Ano da revista Veja Rio Roberto Valverde/Brazil News
Regina Casé falou sobre o futuro do programa "Esquenta" na noite desta terça-feira (1).
"A gente fica no ar até o dia 27 de dezembro, pára nas férias, em fevereiro já começo a gravar e em março o 'Esquenta' está no ar", afirmou durante o prêmio Veja Rio Cariocas do Ano 2015, no Rio de Janeiro.
Além de apresentar o dominical, Regina também falou sobre a vontade que tem de trabalhar mais como atriz. Ela levou o troféu pela atuação em "Que Horas Ela Volta?".
 
"Tenho muita vontade de voltar a atuar na televisão, teatro e cinema. Por causa do 'Esquenta' não daria para fazer novela, mas eu e o Guel Arraes (diretor da Globo) já estamos sonhando com uma série que tivesse um lado de comédia e um de drama, aproveitar que todo mundo viu no filme este outro lado e trabalhá-lo também". "Que Horas Ela Volta?" também entrou na lista dos cinco melhores filmes estrangeiros do ano divulgada pelo National Board of Review.
 
Instagram Hackeado
Na última segunda-feira (30), Regina teve o seu perfil do Instagram hackeado e fotos com mensagens depreciativas foram postadas para os seus 800 mil seguidores.
"Minha equipe é tão incrível que em quatro horas resolveu tudo", explicou
Leia mais em: http://zip.net/bqstYk

Suspeito de golpes contra 40 mulheres 


ricas é encontrado morto em Brasília


Alessandra Modzeleski
Colaboração para o UOL, em Brasília
  • Reprodução/Facebook
    Antônio Carlos Guimarães, 45, ostentava nas redes sociais para enganar mulheres
    Antônio Carlos Guimarães, 45, ostentava nas redes sociais para enganar mulheres
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte de um suposto estelionatário conhecido como "Don Juan do Lago", que foi preso há quatro meses suspeito de seduzir e aplicar golpes em socialites de Brasília. O homem foi encontrado em um condomínio no bairro Paranoá, dentro do porta-malas do próprio carro, por volta da 14h de terça-feira (1º). Ele estava amordaçado, amarrado, com muitos hematomas e com marca de bala em uma das pernas.
Antônio Carlos Guimarães tinha 45 anos e 25 passagens pela polícia, a maioria por acusações de ter aplicado golpes e de falsificar documentos -- há ainda uma acusação de homicídio. Sua última prisão foi registrada em agosto, mas ele foi liberado em seguida.
O homem era suspeito de criar uma vida de ostentação nas redes sociais, exibindo carros importados e casas em Miami para atrair mulheres de classe alta, na maioria das vezes casadas. Após ganhar a confiança das vítimas, ele usava o nome das mulheres para fazer compras e empréstimos, segundo informações da Polícia Civil. O prejuízo que teria causado é estimado em R$ 300 mil.
Segundo o delegado da 6ª DP, do Paranoá, Marcelo Portela, o carro onde o corpo de Guimarães estava circulou a tarde toda no condomínio em alta velocidade. "Os moradores perceberam a movimentação e viram quando o veículo foi abandonado com o vidro traseiro quebrado. Em seguida, localizaram a vítima no porta-malas."
Um bombeiro que mora no local foi chamado para socorrer o homem, que tinha sinais de tiro na perna esquerda e pancadas na cabeça. Guimarães ainda estava vivo, mas morreu no local.
O delegado disse ainda que a corporação está perto de achar um desfecho para o caso. "Pelo que apuramos e pelo histórico criminal da vítima, alguém que foi prejudicado por ele tentou reaver o patrimônio roubado e utilizou desses meios", argumentou. "Provavelmente, a pessoa não queria matar Antônio Carlos, mas a situação acabou saindo do controle."
 "Testemunhas nos relataram que viram uma pessoa do sexo masculino saindo correndo do carro. Nos próximos dias teremos o fechamento do caso", disse Portela. 
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