Tabu no sexo: pornografia pode afetar a relação?
O assunto pornografia ainda incomoda as pessoas e muitas consideram um tabu para discutir dentro da relação. Mesmo para o Brasil, o país que mais consome pornografia na Internet, segundo uma pesquisa divulgada pela Symantec (empresa especializada em segurança online) em 2008 e realizada com 4.687 usuários adultos e 2.717 usuários juvenis em oito países.
Na novela "Amor à Vida", a personagem Joana (Bel Kutner) curte assistir a DVDs pornô. Numa cena recente da trama, a moça estava no quarto com namorado Luciano (Lucas Romano) escolhendo um filme quando ele se deparou com um título pornográfico. "Enfermeira Joana! Não imaginei que você gostava...", disse ele. Ela explicou que usava o filme para se distrair porque trabalhava muito e quase não saía de casa. "Não debocha, por favor", pediu. Animado, Luciano optou pelo filme adulto e declarou: "Para nos inspirar".
Para a psicóloga e terapeuta sexual Paula de Montille Napolitano, o brasileiro ainda tem muito preconceito em admitir maneiras diferentes de alcançar prazer sexual por herança da educação sexual de tempos atrás, feita por meio da repressão e do silêncio sobre o assunto.
Na opinião de Juliana Bonetti, é a partir do diálogo que o casal vai encontrar um ponto de equilíbrio para experimentar outras formas de expressão sexual dentro do casamento como é o caso do consumo de pornografia. "Claro, respeitando sempre o duplo consentimento", explica a especialista em sexualidade.
Para a psicóloga e terapeuta sexual Paula de Montille Napolitano, o brasileiro ainda tem muito preconceito: 'A sexualidade ainda é um tabu em nossa sociedade. A educação sexual até pouco tempo atrás era feita através da repressão ou do silêncio, gerando um solo fértil para a desinformação, mitos e preconceitos. Ainda hoje falta diálogo, tanto na educação quanto nos relacionamentos, para que o casal possa se abrir e conversar sobre suas preferências sexuais', analisa.
Por que algumas mulheres tratam o tema pornografia como tabu? Na opinião da psicóloga e especialista em sexualidade Juliana Bonetti, por fatores sociais e culturais. Mas isso está mudando na medida em que se informam e vivenciam, através da literatura ou de filmes, o seu lado erótico e pornográfico. Pouco a pouco, as mulheres estão se autorizando a vivenciar suas próprias fantasias.
'Não é uma exigência que se admita este consumo, pois isto é da ordem do privado, mas pode ser difícil para elas se apropriarem da vontade de se estimular sexualmente. Com a revolução feminina elas inseriram na sociedade uma nova identidade, mas ainda estão em transformação', explica Juliana.
Repressão sexual explica porque algumas tratam o tema como tabu
Já a terapeuta sexual Paula de Montille Napolitano recorda a história sociocultural de repressão sexual: 'O direito ao prazer sexual foi 'socialmente concedido' às mulheres há muito pouco tempo. Antigamente, o desejo sexual não era permitido nem mesmo em pensamentos. O que acontecia muitas vezes era ter um sonho noturno e, se esse fosse recordado, ainda poderia gerar culpa. As mulheres podem perfeitamente gostar de pornografia. Menos que os homens? Difícil saber. O que o passado nos mostra é que a eles sempre foi possível liberar suas fantasias, mas a elas não', contextualiza a terapeuta.
Pornografia é positivo à relação
Na opinião de Paula Montille, a pornografia pode afetar positiva e negativamente as relações. Seu consumo pode trazer vários benefícios aos casais como apimentar sua vida sexual ao assistirem a um filme juntos, por exemplo. 'O casal pode escolher diferentes gêneros de filmes, aqueles que se aproximam de suas fantasias e inclusive aqueles mais extremos, mas que não desejam realizar e continuam no plano da imaginação. Esses filmes podem trazer mais intimidade, estimular a criatividade sexual gerando novas ideias e a concretização de algumas fantasias', opina a terapeuta.
Conteúdo pode ser usado para incrementar a relação
'A pornografia em si não é negativa desde que utilizada como possibilidade de incrementar os relacionamentos reais, ou como busca de prazer e autoconhecimento corporal através da masturbação”, opina a psicóloga clínica e terapeuta sexual Paula de Montille Napolitano.
Mas a pornografia pode afetar negativamente as relações quando a sexualidade fica restringida apenas ao plano virtual, quando as pessoas tentam fazer sexo da mesma forma como veem nos filmes. Desta maneira, o 'contexto' da relação e a outra pessoa são negados em prol de um roteiro tido como ideal.
'Além disso, devido à rápida e intensa excitação que o consumo de materiais pornográficos pode provocar, isso pode se tornar um fator dificultante do controle da ejaculação, por exemplo', observa a terapeuta.
Erotismo da Trilogia '50 Tons de Cinza'
Um dos responsáveis em aproximar as mulheres do universo erótico, analisa Paula, foi a literatura. Ela cita o sucesso da trilogia '50 Tons de Cinza', da autora britânica E. L. James e ressalta que, mais do que aproximá-las da pornografia, ela deu às mulheres a possibilidade mais plausível de falar, pensar, conversar e sentir sobre a sexualidade, a sensualidade, a excitabilidade, as fantasias, os desejos e as carícias.
'Penso que estes livros geraram uma reflexão maior quanto à própria sexualidade, ao que lhes dá prazer e ao que pode lhes dar prazer, mas que você ainda não sabe. Trouxeram uma inquietação, uma maior curiosidade delas se desnudarem e se descobrirem', avalia Paula.
Na opinião de Juliana , a trama romântico-erótica adequou-se principalmente ao gosto das mulheres por causa desse caráter de contos de fadas que permeia o livro. 'Acho que o livro aproximou as mulheres mais de produtos com conteúdos eróticos do que de pornografia ao pé da letra', opina a psicóloga.
O assunto pornografia ainda incomoda as pessoas e muitas consideram um tabu para discutir dentro da relação. Mesmo para o Brasil, o país que mais consome pornografia na Internet, segundo uma pesquisa divulgada pela Symantec (empresa especializada em segurança online) em 2008 e realizada com 4.687 usuários adultos e 2.717 usuários juvenis em oito países.
Na novela "Amor à Vida", a personagem Joana (Bel Kutner) curte assistir a DVDs pornô. Numa cena recente da trama, a moça estava no quarto com namorado Luciano (Lucas Romano) escolhendo um filme quando ele se deparou com um título pornográfico. "Enfermeira Joana! Não imaginei que você gostava...", disse ele. Ela explicou que usava o filme para se distrair porque trabalhava muito e quase não saía de casa. "Não debocha, por favor", pediu. Animado, Luciano optou pelo filme adulto e declarou: "Para nos inspirar".
Para a psicóloga e terapeuta sexual Paula de Montille Napolitano, o brasileiro ainda tem muito preconceito em admitir maneiras diferentes de alcançar prazer sexual por herança da educação sexual de tempos atrás, feita por meio da repressão e do silêncio sobre o assunto.
Na opinião de Juliana Bonetti, é a partir do diálogo que o casal vai encontrar um ponto de equilíbrio para experimentar outras formas de expressão sexual dentro do casamento como é o caso do consumo de pornografia. "Claro, respeitando sempre o duplo consentimento", explica a especialista em sexualidade.
Para a psicóloga e terapeuta sexual Paula de Montille Napolitano, o brasileiro ainda tem muito preconceito: 'A sexualidade ainda é um tabu em nossa sociedade. A educação sexual até pouco tempo atrás era feita através da repressão ou do silêncio, gerando um solo fértil para a desinformação, mitos e preconceitos. Ainda hoje falta diálogo, tanto na educação quanto nos relacionamentos, para que o casal possa se abrir e conversar sobre suas preferências sexuais', analisa.
Por que algumas mulheres tratam o tema pornografia como tabu? Na opinião da psicóloga e especialista em sexualidade Juliana Bonetti, por fatores sociais e culturais. Mas isso está mudando na medida em que se informam e vivenciam, através da literatura ou de filmes, o seu lado erótico e pornográfico. Pouco a pouco, as mulheres estão se autorizando a vivenciar suas próprias fantasias.
'Não é uma exigência que se admita este consumo, pois isto é da ordem do privado, mas pode ser difícil para elas se apropriarem da vontade de se estimular sexualmente. Com a revolução feminina elas inseriram na sociedade uma nova identidade, mas ainda estão em transformação', explica Juliana.
Repressão sexual explica porque algumas tratam o tema como tabu
Já a terapeuta sexual Paula de Montille Napolitano recorda a história sociocultural de repressão sexual: 'O direito ao prazer sexual foi 'socialmente concedido' às mulheres há muito pouco tempo. Antigamente, o desejo sexual não era permitido nem mesmo em pensamentos. O que acontecia muitas vezes era ter um sonho noturno e, se esse fosse recordado, ainda poderia gerar culpa. As mulheres podem perfeitamente gostar de pornografia. Menos que os homens? Difícil saber. O que o passado nos mostra é que a eles sempre foi possível liberar suas fantasias, mas a elas não', contextualiza a terapeuta.
Pornografia é positivo à relação
Na opinião de Paula Montille, a pornografia pode afetar positiva e negativamente as relações. Seu consumo pode trazer vários benefícios aos casais como apimentar sua vida sexual ao assistirem a um filme juntos, por exemplo. 'O casal pode escolher diferentes gêneros de filmes, aqueles que se aproximam de suas fantasias e inclusive aqueles mais extremos, mas que não desejam realizar e continuam no plano da imaginação. Esses filmes podem trazer mais intimidade, estimular a criatividade sexual gerando novas ideias e a concretização de algumas fantasias', opina a terapeuta.
Conteúdo pode ser usado para incrementar a relação
'A pornografia em si não é negativa desde que utilizada como possibilidade de incrementar os relacionamentos reais, ou como busca de prazer e autoconhecimento corporal através da masturbação”, opina a psicóloga clínica e terapeuta sexual Paula de Montille Napolitano.
Mas a pornografia pode afetar negativamente as relações quando a sexualidade fica restringida apenas ao plano virtual, quando as pessoas tentam fazer sexo da mesma forma como veem nos filmes. Desta maneira, o 'contexto' da relação e a outra pessoa são negados em prol de um roteiro tido como ideal.
'Além disso, devido à rápida e intensa excitação que o consumo de materiais pornográficos pode provocar, isso pode se tornar um fator dificultante do controle da ejaculação, por exemplo', observa a terapeuta.
Erotismo da Trilogia '50 Tons de Cinza'
Um dos responsáveis em aproximar as mulheres do universo erótico, analisa Paula, foi a literatura. Ela cita o sucesso da trilogia '50 Tons de Cinza', da autora britânica E. L. James e ressalta que, mais do que aproximá-las da pornografia, ela deu às mulheres a possibilidade mais plausível de falar, pensar, conversar e sentir sobre a sexualidade, a sensualidade, a excitabilidade, as fantasias, os desejos e as carícias.
'Penso que estes livros geraram uma reflexão maior quanto à própria sexualidade, ao que lhes dá prazer e ao que pode lhes dar prazer, mas que você ainda não sabe. Trouxeram uma inquietação, uma maior curiosidade delas se desnudarem e se descobrirem', avalia Paula.
Na opinião de Juliana , a trama romântico-erótica adequou-se principalmente ao gosto das mulheres por causa desse caráter de contos de fadas que permeia o livro. 'Acho que o livro aproximou as mulheres mais de produtos com conteúdos eróticos do que de pornografia ao pé da letra', opina a psicóloga.
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