Sarkozy é formalmente acusado de corrupção e tráfico de influência
Se condenado, o ex-presidente francês pode pegar até 10 anos de prisão e pagar uma multa de 150 mil euros
REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA EFE
O ex-presidente da França
Nicolas Sarkozy foi indiciado formalmente pelos crimes de corrupção
ativa, tráfico de influência e encobrimento da violação de sigilo
profissional. A decisão da Procuradoria francesa foi anunciada na noite
de terça-feira (1º), depois que Sarkozy passou mais de 15 horas sob custódia policial numa
delegacia da cidade de Nanterre para depor sobre as acusações. Foi a
primeira vez que um ex-chefe de Estado francês foi detido numa
investigação criminal.
Aos 59 anos, Nicolas Sarkozy é acusado de receber financiamento ilegal
para sua campanha presidencial de 2007 da multimilionária Liliane
Bettencourt, herdeira do grupo de cosméticos L'Oréal, e do ditador líbio
deposto Muammar Khadafi. Segundo as investigações, o governo da Líbia
destinou 50 milhões de euros para a campanha de Sarkozy. Pelo código
penal francês, Sarkozy pode ser condenado a até dez anos de prisão e a
150 mil euros (o equivalente a R$ 450 mil) de multa pelo crime de
tráfico de influência.Segundo as acusações, o ex-presidente da França também recebia, ilegalmente, informações sigilosas da Justiça sobre a evolução dos processos judiciais contra ele. Por esta acusação, também foram indiciados seu advogado, Thierry Herzog, e um alto magistrado do Tribunal de Cassação, Gilbert Azibert. Os investigadores, que gravaram conversas telefônicas de Sarkozy e de alguns de seus ministros mais próximos, acreditam que Herzog recebia informação de conselheiros do Tribunal Supremo e as repassava a Sarkozy. Ainda segundo as denúncias, Sarkozy prometeu uma promoção a Azibert em Mônaco em troca das informações sigilosas.
Nicolas Sarkozy falará sobre as acusações numa entrevista que será transmitida nesta quarta-feira (2) pelas emissoras de televisão "TF1" e "Europe 1". Até o momento, o primeiro ex-chefe do Estado francês obrigado a prestar testemunho como detido não fez declarações sobre a situação.
Diante da repercussão mundial do caso, o atual presidente da França, François Hollande, afirmou nesta quarta-feira perante seu conselho de ministros que, "os dois grandes princípios" sobre os quais se apoia são "a independência da Justiça" e "a presunção de inocência". O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, disse que as acusações contra Sarkozy são graves e que "ninguém está acima da lei". Contudo, frisou a importância da presunção da inocência tanyo para o ex-presidente, como para seu advogado e o juiz envolvido nas acusações.
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