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2 de julho de 2014

Sarkozy é formalmente acusado de corrupção e tráfico de influência

Se condenado, o ex-presidente francês pode pegar até 10 anos de prisão e pagar uma multa de 150 mil euros

REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA EFE
Nicolas Sarkozy está encrencado com a Justiça francesa (Foto: Carlos Alvarez/Getty Images)
O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy foi indiciado formalmente pelos crimes de corrupção ativa, tráfico de influência e encobrimento da violação de sigilo profissional. A decisão da Procuradoria francesa foi anunciada na noite de terça-feira (1º), depois que Sarkozy passou mais de 15 horas sob custódia policial numa delegacia da cidade de Nanterre para depor sobre as acusações. Foi a primeira vez que um ex-chefe de Estado francês foi detido numa investigação criminal.
Aos 59 anos, Nicolas Sarkozy é acusado de receber financiamento ilegal para sua campanha presidencial de 2007 da multimilionária Liliane Bettencourt, herdeira do grupo de cosméticos L'Oréal, e do ditador líbio deposto Muammar Khadafi. Segundo as investigações, o governo da Líbia destinou 50 milhões de euros para a campanha de Sarkozy. Pelo código penal francês, Sarkozy pode ser condenado a até dez anos de prisão e a 150 mil euros (o equivalente a R$ 450 mil) de multa pelo crime de tráfico de influência.
Segundo as acusações, o ex-presidente da França também recebia, ilegalmente, informações sigilosas da Justiça sobre a evolução dos processos judiciais contra ele. Por esta acusação, também foram indiciados seu advogado, Thierry Herzog, e um alto magistrado do Tribunal de Cassação, Gilbert Azibert. Os investigadores, que gravaram conversas telefônicas de Sarkozy e de alguns de seus ministros mais próximos, acreditam que Herzog recebia informação de conselheiros do Tribunal Supremo e as repassava a Sarkozy. Ainda segundo as denúncias, Sarkozy prometeu uma promoção a Azibert em Mônaco em troca das informações sigilosas.
Nicolas Sarkozy falará sobre as acusações numa entrevista que será transmitida nesta quarta-feira (2) pelas emissoras de televisão "TF1" e "Europe 1". Até o momento, o primeiro ex-chefe do Estado francês obrigado a prestar testemunho como detido não fez declarações sobre a situação.
Diante da repercussão mundial do caso, o atual presidente da França, François Hollande, afirmou nesta quarta-feira perante seu conselho de ministros que, "os dois grandes princípios" sobre os quais se apoia são "a independência da Justiça" e "a presunção de inocência". O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, disse que as acusações contra Sarkozy são graves e que "ninguém está acima da lei". Contudo, frisou a importância da presunção da inocência tanyo para o ex-presidente, como para seu advogado e o juiz envolvido nas acusações.

O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy é fotografado nesta quarta-feira (2) em frente à sua casa, em Paris (Foto: AP Photo/Jacques Brinon)

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