Até onde chega o seu tuíte
A rede social do passarinho tem poucas regras e bom nível de transparência. Por isso, torna-se mais convidativa ao usuário exigente e atarefado
BRUNO FERRARI E ISABELLA CARRERA,
DE SAN FRANCISCO
O trabalho do engenheiro argentino Nicolas Belmonte está entre os mais
divertidos do Twitter. Belmonte chefia a área que analisa a montanha de
dados produzidos pelos usuários. Sua tarefa consiste em criar gráficos
animados, que ilustrem o comportamento deles. Numa sala de reuniões no
9o andar da sede da empresa, Belmonte mostra alguns de seus últimos
trabalhos. As conclusões são interessantes: paulistanos dormem mais cedo
que os nova-iorquinos (o fluxo de mensagens no Brasil cessa mais cedo).
Em Tóquio, praticamente não se usa o Twitter no horário de trabalho, ao
contrário do que fazem os moradores de Istambul. Durante a disputa de
pênaltis entre Brasil e Chile, na Copa do Mundo, um gráfico mostrava, a
partir do aumento ou da diminuição no fluxo de postagens, o momento
exato em que o juiz apitou, em que o jogador se preparava para bater e
quando fazia o gol. O volume de tuítes diminuía drasticamente no momento
em que ele partia para a cobrança e aumentava consideravelmente logo
depois do gol ou da defesa. “Por causa do atraso na transmissão da TV
americana, de oito segundos, descobríamos se havia sido gol antes de a
imagem aparecer”, diz Belmonte.
>>Os canadenses resolveram ensinar geografia a Putin pelo Twitter
O exemplo dos pênaltis diz muito sobre a espontaneidade com que o usuário abraça o Twitter. Ela se explica, em parte, pela diferença entre as duas redes sociais mais importantes da atualidade. Essas diferenças põem o Twitter no time dos “bons moços” – e o Facebook no time dos “bad boys”. No livro O filtro invisível, publicado pelo ativista de cidadania digital americano Eli Parisier, a diferença é apresentada de forma contundente. Segundo Parisier, os dois sites se assemelham em vários aspectos. Ambos dão aos usuários a oportunidade de compartilhar pequenas informações e links para vídeos, notícias e fotos. Ambos dão a oportunidade de ouvirmos o que dizem as pessoas que nos interessam e de bloquearmos as que não nos interessam. Mas a característica que distingue as duas redes é fundamental. “O universo do Twitter se baseia em poucas regras, muito simples e bastante transparentes”, afirma Parisier. “Em comparação, as regras que governam o universo do Facebook são incrivelmente turvas e parecem mudar quase todo dia. Se postarmos uma atualização de status, não temos como saber se ela será vista ou por quem ela será vista.”
>>Personalidades da web perguntam a Dick Costolo, presidente do Twitter
>>Os canadenses resolveram ensinar geografia a Putin pelo Twitter
O exemplo dos pênaltis diz muito sobre a espontaneidade com que o usuário abraça o Twitter. Ela se explica, em parte, pela diferença entre as duas redes sociais mais importantes da atualidade. Essas diferenças põem o Twitter no time dos “bons moços” – e o Facebook no time dos “bad boys”. No livro O filtro invisível, publicado pelo ativista de cidadania digital americano Eli Parisier, a diferença é apresentada de forma contundente. Segundo Parisier, os dois sites se assemelham em vários aspectos. Ambos dão aos usuários a oportunidade de compartilhar pequenas informações e links para vídeos, notícias e fotos. Ambos dão a oportunidade de ouvirmos o que dizem as pessoas que nos interessam e de bloquearmos as que não nos interessam. Mas a característica que distingue as duas redes é fundamental. “O universo do Twitter se baseia em poucas regras, muito simples e bastante transparentes”, afirma Parisier. “Em comparação, as regras que governam o universo do Facebook são incrivelmente turvas e parecem mudar quase todo dia. Se postarmos uma atualização de status, não temos como saber se ela será vista ou por quem ela será vista.”
>>Personalidades da web perguntam a Dick Costolo, presidente do Twitter
>>Como milhões de tuítes viram dinheiro
Nos Estados Unidos, praticamente toda propaganda de TV exibe alguma hashtag, símbolo que começa a se popularizar no Brasil. Programas ao vivo por aqui costumam usar o Twitter para saber a opinião do espectador em tempo real. Uma pesquisa do instituto de pesquisa Ipsos, sob encomenda do Google, mostrou que 68 milhões de brasileiros assistem à televisão com a companhia de uma segunda tela. O que permite essa integração entre a TV e o Twitter é a própria dinâmica das duas plataformas. Ambos exibem conteúdo dinâmico, sem qualquer tipo de discriminação. Para muitos analistas, o Twitter continuará a ser uma rede social de nicho, para os sedentos por informação, fanáticos por celebridades e eleitores de políticos engajados digitalmente. Sozinho, o Twitter ficará longe de alcançar a difusão do Facebook. Mas, associado à TV e amparado em sua transparência, deverá conquistar cada vez mais relevância. No cenário ideal, isso pressionará o Facebook a se tornar, também, mais transparente. Os beneficiados pelo embate das duas redes seremos nós, os usuários.
>>Dick Costolo: "O debate público, agora, é permanente, sem pausa"
Nenhum comentário:
Postar um comentário