A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a distribuição, e comercialização do lote 90602 (com validade até junho de 2015), do medicamento Harmonet®, 0,075 mg de gestodeno e 0,02 mg de etinilestradiol, 21 drágeas, fabricado em novembro de 2013 pelo laboratório Pfizer Ireland Pharmaceuticals. A suspensão foi publicada nesta segunda-feira (30), no Diário Oficial da União,
De acordo com o texto, a própria empresa enviou à Anvisa comunicado de recolhimento voluntário do lote depois de ter recebido duas reclamações sobre incorreção no corte da cartela onde ficam armazenados os comprimidos.
A Pfizer Ireland Pharmaceuticals informou que a decisão de fazer o recolhimento voluntário do lote foi tomada ao detectar que, em duas unidades do produto, a cartela que normalmente acondiciona 21 drágeas continha apenas 16.
"O fato, investigado após a companhia ser contatada por duas consumidoras que detectaram a quantidade menor de drágeas, ocorreu em função de um corte incorreto do blister [embalagem] que acondiciona o produto", explicou o fabricante, por meio de nota.
Ainda segundo a Pfizer, ações corretivas já foram adotadas. Em caso de dúvida, o consumidor pode entrar em contato com a empresa por meio do telefone 0800 160 625.
O recado das vítimas dos anticoncepcionais
A luta de um grupo de mulheres pela informação sobre os riscos das pílulas representa um novo jeito de ser paciente
CRISTIANE SEGATTO
O vergonhoso desempenho educacional do Brasil emperra o país de várias maneiras. Uma das consequências mais cruéis da ignorância é a perda da saúde. A falta de informação não só contribui para o adoecimento como impede que os cidadãos reflitam sobre os cuidados médicos que recebem. De forma geral, os pacientes brasileiros são excessivamente passivos. Não questionam nada nem ninguém.
Quando um deles rompe esse padrão de forma contundente, as razões que o movem devem, no mínimo, ser conhecidas. Foi o que senti quando fui procurada pela professora Carla Simone Castro, de Goiânia, em outubro do ano passado. Ela pedia que eu fizesse uma investigação jornalística abrangente sobre os riscos e benefícios dos anticoncepcionais.
Professora universitária prestes a concluir o doutorado, Carla havia sido surpreendida, aos 41 anos, por uma trombose cerebral sete meses depois de começar a tomar a pílula Yasmin, daBayer. Teve três acidentes vasculares cerebrais (AVC) e, durante 55 dias, mal conseguia enxergar. Naquela mesma semana, contei a história aqui, mas era preciso ir além.
Uma discussão que diz respeito a 11 milhões de consumidoras de pílulas anticoncepcionaisno Brasil (e também a seus parceiros e familiares) merecia ser aprofundada. É o que ÉPOCA faz na reportagem de capa desta semana ao narrar em detalhes histórias de mulheres que descobriram – tarde demais – que jamais deveriam ter tomado um anticoncepcional hormonal. Ao lado, os relatos que elas mesmas gravaram em vídeo.
É o caso da pedagoga Daniele Medeiros Alvarenga, de 33 anos. Ela é portadora de uma condição genética (chamadatrombofilia) que aumenta em até 30 vezes o risco de formação de coágulos na corrente sanguínea de mulheres que usam hormônios. Daniele diz ter mencionado a trombofilia quando uma ginecologista sugeriu que ela usasse a pílula Yasminpara tratar cistos ovarianos. “Ela respondeu que, nesse caso, receitaria uma pílula com baixa dosagem hormonal”, afirma Daniele.
A paciente se convenceu e tomou o remédio. Depois de três meses, sofreu uma embolia pulmonar. Isso acontece quando um coágulo formado em alguma veia do corpo chega aos pulmões e obstrui a passagem do sangue por uma artéria.
As consequências foram gravíssimas. Três paradas cardíacas, dois meses de internação, 40 dias em coma. Daniele se salvou por pouco, mas os medicamentos que a mantiveram viva na UTI provocaram uma sequela permanente: a necrose e amputação dos dez dedos dos pés.
Daniele foi vítima do desrespeito às recomendações da Organização Mundial da Saúde para o uso seguro de anticoncepcionais. Mulheres com o perfil genético dela não devem tomar hormônios. Isso está escrito explicitamente no documento da OMS. Infelizmente, muitos prescritores de pílula não o conhecem.
Esse é um problema que até mesmo as entidades de classe reconhecem. “Os ginecologistas precisam ter critério para recomendar esses remédios”, diz a médica Marta Franco Finotti, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). “Se todos eles seguissem as normas da OMS, já seria maravilhoso.”
Os estudos disponíveis revelam que danos graves (trombose, embolia pulmonar, AVC etc) em consumidoras de pílula anticoncepcional são raros. No período de um ano, ocorrem cerca de 10 casos a cada 10 mil consumidoras de medicamentos à base de drospirenona (uma das substâncias da pílula Yasmin). A estimativa é da agência europeia que regula medicamentos (EMA). “As pílulas são seguras, usadas por 100 milhões de mulheres no mundo e até mais estudadas que os antibióticos”, diz Marta.
Ainda assim, casos gravíssimos como o de Carla e Daniele acontecem. Ninguém pretende fazer campanha contra a pílula. Isso seria uma insanidade, principalmente num país onde, todos os anos, 13 milhões de adolescentes se tornam mães. O ponto é outro e diz respeito à autonomia do paciente.
É inadmissível que a informação sobre os riscos continue a ser sonegada das mulheres que buscam uma forma de evitar a gravidez. Elas precisam conhecê-los para tomar uma decisão consciente. Precisam entender que a pílula não é a única forma eficaz de contracepção e assumir o controle das decisões sobre o seu corpo. A reportagem de ÉPOCA traz uma comparação dos riscos e benefícios dos diferentes métodos e das diversas formulações de pílula.
Cercar-se de informação foi exatamente o que Carla decidiu fazer quando recebeu o diagnóstico de trombose cerebral, uma doença que não conhecia. Ali mesmo, na cama do hospital, ela agarrou o celular e começou a buscar artigos científicos que relacionassem o problema ao uso de pílula. Encontrou centenas de referências.
A história de Carla ganhou as redes sociais depois que um aluno decidiu postar um vídeo em que ela contava todo o sofrimento decorrente da decisão de tomar a pílula. Mulheres de todo o Brasil começaram a procurá-la e a enviar vídeos com relatos semelhantes. Assim nasceu no Facebook a página Vítimas de Anticoncepcionais – Unidas a Favor da Vida, uma comunidade que já soma 28 mil pessoas.
Antes de Carla, as vítimas estavam isoladas. Cada uma aceitava a explicação de que era uma raridade e, bem ou mal, tentava se conformar com a falta de sorte. Carla uniu essas mulheres porque é uma paciente incomum que decidiu fazer pesquisa científica com as próprias mãos.
A professora já conseguiu reunir relatos de 305 casos de reações graves ocorridas em brasileiras. Compilou informações sobre saúde e dados adicionais como nome, endereço, renda familiar, circunstâncias em que os problemas ocorreram etc. Os principais achados estão publicados na reportagem de ÉPOCA. Ela descobriu, entre outras coisas, que 92% das mulheres que sofreram danos graves não haviam sido alertadas pelo ginecologista sobre o risco de trombose.
O próximo passo de Carla é mais ousado. Pretende se associar a médicos e outros pesquisadores para investigar cada um dos relatos que já conseguiu reunir. Quer publicar um trabalho com rigor e validade científica. “Não podemos aceitar que continuem dizendo que esses casos são raros no Brasil, se ninguém os relata e os investiga”, diz.
Carla é uma boa notícia. Não apenas pela discussão relevante que desperta como pelo tipo de paciente que simboliza. Aquele que busca informação, tem apreço pelo conhecimento científico e plena consciência de que saber é poder.
Padrão irregular de sono faz jovem
consumir mais calorias
Do UOL, em São Paulo
Getty Images
Adolescente que varia o número de horas de descanso consome mais calorias
Adolescente que não mantém um padrão regular de sono consome mais calorias, segundo um estudo apresentado na reunião da Associação Americana do Coração.
Os pesquisadores da Universidade Penn State, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, analisaram dados e hábitos de sono de 342 adolescentes. Em média, eles dormiam cerca de sete horas por noite. No entanto, os estudiosos descobriram que, quando o tempo de sono variava em uma hora —tanto para mais quanto para menos—, os jovens consumiam 200 calorias a mais por dia, aumentando a ingestão de gorduras e de carboidratos.
Pesquisas anteriores haviam mostrado que os adolescentes que não dormem o suficiente têm maior risco de obesidade, mas a maioria desses estudos foi baseada apenas em relatos de jovens.
No estudo da Universidade Penn State, os pesquisadores mediram objetivamente o padrão de sono dos adolescentes e de atividade física por mais de uma semana, além de seus hábitos alimentares. Para isso, os jovens usaram uma pulseira que registrou o ciclo de atividade e de repouso para estimar quanto tempo eles dormiam por noite. Ficou por conta dos adolescentes responder um questionário sobre alimentação. Por meio do documento, analisou-se a quantidade de calorias, proteína, gordura e carboidratos que ingeriam.
Veja dez temas que você já deveria ter conversado com seu filho adolescente11 fotos
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Atualmente, as relações familiares são mais informais. Em vários lares, as pessoas conversam sobre os mais diversos tipos de assunto, o que ajuda a fortalecer os vínculos afetivos e a estabelecer uma convivência mais harmoniosa e verdadeira. No entanto, por motivos como vergonha, desconhecimento, questões e tabus particulares ou mesmo dificuldade em lidar com o amadurecimento do filho, muitos pais acabam esperando a chegada da adolescência para tratar de determinados temas. Conheça alguns importantes, apontados por especialistas, e veja dicas sobre como conduzir melhor o diálogo | Por Heloísa Noronha - Do UOL, em São Paulo Stefan/Arte UOL
Em seguida, os pesquisadores analisaram as relações entre a duração do sono, o dia a dia dos jovens, as variações do tempo que eles dormiam e a ingestão de alimentos.
Com base nos padrões do sono, os pesquisadores descobriram que os adolescentes dormiam mais no fim de semana do que durante a semana, e, por consequência, acabavam comendo mais nesse período.
Para eles, uma possível explicação é que as mudanças nos padrões de sono resultam em um desequilíbrio hormonal, fazendo com que os jovens comam mais.
Segundo Fan He, epidemiologista da universidade e principal autor do estudo, o resultado da pesquisa mostrou que ter um padrão regular de sono é mais importante do que dormir mais um dia e menos no outro. Ele espera que, com base na descoberta, os cientistas possam entender melhor como a obesidade se desenvolve entre os adolescentes.
"Prefiro TV que não babe por
espectador", diz Dan Stulbach sobre
audiência
Do UOL, em São Paulo
Reprodução/Facebook/Dan Stulbach
Rafael Cortez, Dan Stulbach e Marco Luque aparecem na nova bancada do "CQC"
Durante bate-papo com os internautas no Twitter nesta segunda-feira (30), Dan Stulbach rebateuas notícias sobre a queda do Ibope do "CQC", da Band, e afirmou que o programa está melhor comparado ao ano passado, quando era comandado por Marcelo Tas. "A audiência é melhor que no ano passado e ainda vamos crescer mais", escreveu ele.
Ainda sobre o assunto, o internauta Eduardo Lomb perguntou como ele se sentia diante da "cobrança ridícula (e capitalista/mercenária) por audiência?". O apresentador demonstrou não se importar com os números. "Eu prefiro uma televisão que não corra babando pelo espectador", respondeu. Atualmente, San, Rafael Cortez e Marco Luque comandam a bancada.
Sobre a cobrança do público, Dan disse ser um processo natural. "O 'CQC' é um programa muito querido e é natural uma repercussão intensa, mas o saldo é bem positivo", afirmou.
Questionado sobre a baixa popularidade do novo elenco (que perdeu Dani Calabresa, Felipe Andreoli, Oscar Filho, Ronald Rios e Guga Noblat), o apresentador desconversou. "Não é verdade. Se você assistir, vai ver que não é bem assim e que a galera tá arrasando".
Dan também adiantou que o programa está preparando novidades, que devem ir ao ar em breve e comentou sobre seu novo trabalho. "Muito boa [sensação de ser âncora do programa]. Aprendizado total e novos desafios", afirmou.
Sobre sua permanência no GNT, Stulbach disse que não foi possível conciliar as agendas, já que o "CQC" vai ao ar às segundas e a versão masculina do "Saia Justa" também. "Apesar do GNT querer e eu também, não vai dar", disse ele.Sobre a carreira de ator, Dan afirmou que não desistiu. "Uma coisa não impede a outra. Estava no teatro, acabei um filme e estreio outra peça em breve e dramaturgia na TV também".
Objetivo:Visualização para eliminar pensamentos obsessivos e repetitivos. Aquietar a mente.
Respire profundamente três vezes.
Diga a si mesmo o objetivo do exercício (acima - objetivo).
Imagine bolinhas pretas espalhadas em sua cabeça. Perceba como elas batem entre si e como elas incomodam quando se deslocam.
Elas representam os seus pensamentos. Você pode imaginar elas se tocando como bolas em um jogo de bilhar.
Sinta no seu corpo visceralmente o quanto elas o importunam.
Respire profundamente e imagine que do alto uma chuva pulverizadora azul cai sobre a sua cabeça, penetrando internamente e atingindo toda essa região. Conforme o azul se espalha, vai estourando uma a uma estas bolinhas.
Sinta que conforme elas estouram e desaparecem, a região interna da cabeça vai sendo tomada por uma luz límpida amarela clara bem brilhante.
Quando todas as bolinhas tiverem desaparecido, veja somente esta luz calmante iluminando toda a região da cabeça, cérebro, neurônios, corrente sanguínea…
Respire e relaxe… Respire e relaxe.
Veja agora a cor dourada bem acima de sua cabeça envolvendo todo o seu corpo e formando um halo dourado dos pés a cabeça.
O dourado harmoniza e alivia a tensão.
Abra os olhos!
Duração: 1min30s
Você pode gravar esta visualização para facilitar.
Se você quiser saber mais sobre esta técnica acesse aqui.
Os signos do elemento AR, Gêmeos, Libra e Aquário, têm em comum o fato de serem mais racionais, ligados ao mental, extrovertidos e comunicativos. A Lua fornece indicações, entre outras, sobre as reações emocionais.
Quando encontramos, em um Mapa Natal a lua localizada em um desses signos, sabemos que a pessoa sentirá os eventos sob uma ótica mental. Não se entregará às emoções, ao contrário, tudo passará primeiro pela cabeça, será pensado e ponderado, para depois atingir o coração.
Um dia meu filho, então com 12 anos, me perguntou sobre o relato bíblico da expulsão de Lúcifer do paraíso. Ele tem a lua em Aquário. Contei que ele era um anjo de luz, sábio e que estava sempre próximo a Deus. Um belo dia ele pensou ser tão importante que poderia pleitear a igualdade. Aí se deu mal e foi expulso do paraíso, junto com os outros anjos amotinados.
Diz a história bíblica que, durante três dias e três noites choveram anjos do céu para a terra. De primeira, coisa bem típica dos signos de Ar, ele processou o que eu dissera e devolveu da seguinte forma: - Vejamos, Lúcifer era o principal executivo, abaixo apenas do big boss. Aí ele planejou um golpe, junto com outros acionistas, para depor o presidente. Só que não imaginou que Deus era megapoderoso, conseguiu descobrir o golpe antes de consumado e, na assembleia, demitiu o carinha. Então, Lúcifer teve que se mandar com os simpatizantes, e fundou uma empresa que passou a operar na clandestinidade.
Caí na gargalhada, mas é uma versão, digamos, mais moderna e bem típica de um signo de Ar. Entretanto, apesar de ser do mesmo elemento Ar, cada signo tem uma característica própria. Geminianos são mais comunicativos, conhecem todo mundo, fazem conexões entre as pessoas, são ótimos vendedores.
Librianos são os anfitriões perfeitos, organizam como ninguém grupos com interesses afins, querem ver todo mundo bem, em paz e, de preferência, casado e feliz. Aquarianos têm a agenda mais completa, com pessoas de todas as tribos. São aqueles que têm um número imenso de amigos adicionados no orkut. Não gostam de dar ordens e detestam ser vigiados.
Outra característica do signo de Ar é a surpresa, o inesperado e o humor. Mais outra história de meu filho, dessa vez aos sete anos. Exposição de Renoir no Masp. Telas afixadas nas paredes, salas divididas por temas, espectadores em fila caminhando lentamente, com as pessoas parando em frente aos quadros, apreciando, anotando. Silêncio na sala.
Lá pela metade da exposição, na sala dedicada aos nus, o garoto fala baixo, mas, mesmo assim, em meio ao silêncio, a voz quebra a liturgia e é ouvida por todos que estavam próximos, com a seguinte observação: - Caramba, o cara era um tarado. Só pintava mulher nua! No mais, na hora de um sufoco, um acidente em que alguém precisa ter juízo e raciocinar friamente, nada melhor que alguém com a luazinha aérea. Essas pessoas conseguem pensar nas várias saídas, acionar os contatos certos e resolver com rapidez, precisão e eficiência os problemas.
Num momento de acidente e emergência, melhor ter por perto alguém com lua em signo de ar do que alguém com lua em signo de água. Esses de água segurarão a mão, chorarão junto e até mesmo desmaiarão, mas nada de se tocar que a ambulância precisa ser chamada, os parentes avisados e o médico acionado. Os de lua em signo de terra então... Primeiro irão pesquisar se a vítima tem consigo a carteira da assistência médica, caso contrário, melhor encaminhar para hospital público.
Já as pessoas de lua em signo de fogo vão mobilizar todos em volta, identificar quem tem carro que possa transportar a vítima rapidamente até o hospital mais próximo, agitar tudo, entrar no carro e mandar correr a toda para, três quarteirões depois, descobrir que na pressa esqueceu de trazer o acidentado! Claro que isso não é regra geral, apenas um exemplo de como reagimos em situações de emergência, de acordo com a posição lunar no Mapa Natal.
A lua, entre outras coisas, explica nossas reações emocionais ao inesperado. Para saber mais sobre isso é necessário estudar o Mapa Natal. Além do signo, saber em qual área (Casa do Mapa) se encontra e se guarda alguma relação (aspecto ou ângulo) com outro planeta. Como informação, os signos do elemento Ar: Gêmeos, Libra e Aquário; de Água: Câncer, Escorpião e Peixes; de Terra: Touro, Virgem e Capricórnio e de Fogo: Áries, Leão e Sagitário
30.mar.2015 - Uma imagem comovente de uma garotinha síria tomou conta das redes sociais nesta semana. A cena foi compartilhada pela fotojornalista gaza Nadia Abu Shaban no Twitter, que contou que a criança teria se rendido a uma câmera fotográfica pensando ser uma arma. Entretanto, segundo a Folha de S.Paulo, um usuário do serviço de hospedagem de imagens Imgur afirmou que a foto foi feita em 2012 pelo fotojornalista turco Osman Sagirli e retrata o menino Adi Hudea, de quatro anos. Ele teria perdido o pai no bombardeio a Hama (uma das cidades mais devastadas pelo conflito na Síria) e, depois, sido transferido para o acampamento com a mãe e três irmãos Reprodução/Twitter
Alan Fiske: “Precisamos entender a violência para eliminá-la”
O antropólogo americano diz que, na maioria das vezes, cometemos atos agressivos graças à ética que prevalece numa sociedade – e não por impulso ou cálculo racional
CRISTINA GRILLO
Dos tempos em que viveu em uma pequena vila em Burkina Faso, na África, o antropólogo e professor da Universidade da Califórnia Alan Fiske guarda a lembrança do dia em que o líder da comunidade visitou sua casa, gostou de algumas cadeiras e, sem cerimônia, resolveu levá-las consigo. O que aos nossos olhos seria um ato de violência – o roubo das cadeiras – naquela comunidade era aceito com naturalidade. Afinal, como líder da vila, ele tinha o direito de subtrair de quem quer que fosse os bens que lhe agradassem. A partir de experiências como essa e de vários anos de estudo e leitura, Fiske elaborou o conceito da violência virtuosa. Grande parte daqueles que cometem atos de violência, afirma, é motivada por seus julgamentos morais. Por exemplo, o ataque ao semanário francês Charlie Hebdo foi praticado por assassinos fanáticos que acreditavam, na verdade, defender suas crenças. É essa racionalização interna da violência que permite toda sorte de atos atrozes. A tese é defendida no livro Virtuous violence: hurting and killing to create, sustain, end and honor social relationships (em tradução livre, Violência virtuosa: ferindo e matando para criar, manter, terminar e honrar relações sociais). Para Fiske, o pai violento que bate no filho acredita que está fazendo o melhor para educá-lo; e o troglodita assassino que espanca e mata sua mulher quer, em muitas situações, resgatar sua honra e a de sua família.
ÉPOCA – O senhor trabalhou como voluntário do Peace Corps (organização de trabalho voluntário criada em 1961 pelo presidente John Kennedy) em algumas partes do mundo. Como o contato com culturas diferentes o ajudou a desenvolver a tese da violência virtuosa? Alan Fiske – A experiência com os Peace Corps me ajudou a começar a entender a violência, mas minha pesquisa etnográfica em uma pequena vila em Burkina Faso foi muito mais importante. Dois anos lá me ajudaram a ver quando e como as pessoas usam a violência, de formas delimitadas e culturalmente aceitas como “certas” para fazer com que as relações sociais funcionem. Ler centenas de etnografias de várias culturas ao redor do mundo me deu a perspectiva necessária para construir e contextualizar essas visões. Sou um pacifista. Abomino todo tipo de violência e acredito que, para reduzir e prevenir, primeiro precisamos entendê-la. É por isso que estudo a violência: para eliminá-la. Só podemos entender a violência quando transcendemos nossos julgamentos morais para descrever o que de fato motiva aqueles que a cometem. Só quando compreendermos suas motivações sociais e culturais começaremos efetivamente a transformar esses motivos de forma que as pessoas não sintam mais a necessidade de agir de forma violenta.
ÉPOCA – É senso comum que a maioria dos atos de violência acontece por impulso (como nas brigas de trânsito) ou para que quem a comete tenha algum ganho econômico (por exemplo, quando assalta alguém). Mas o senhor defende a tese de que atos de violência são cometidos por questões morais, o que chama de “violência virtuosa”. Como chegou a essa conclusão? Fiske – Revimos centenas de artigos e livros descrevendo os motivos que levam a atos de violência em várias culturas diferentes e em diversos períodos históricos. Descobrimos que em toda cultura, em todo momento histórico, grande parte dos atos de violência cometidos tem motivação moral. Quando alguém fere ou mata outra pessoa, ou fere a si mesmo, ou se suicida, está geralmente tentando de alguma forma controlar uma relação social, seja com a vítima ou com outra pessoa. Mas o objetivo é sempre fazer com que aquela relação transcorra da forma que ele considera correta, dentro dos padrões morais de sua família, de seus amigos ou de sua comunidade.
ÉPOCA – Em países pobres ou em desenvolvimento, como o Brasil, a violência criminal é uma grande preocupação. Mesmo onde há alta incidência de roubos, tráfico de drogas, a violência virtuosa é preponderante? Fiske – Quando digo que determinado tipo de violência é “virtuosa”, não estou fazendo uma avaliação moral nem descrevendo as justificativas que os perpetradores dessa violência usam para convencer os outros, mas sim os motivos reais para que cometam esses atos. Alguns atos de violência são puramente instrumentais, para que se tenha algum benefício material. Mas a maioria deles surge a partir dos relacionamentos sociais. Mesmo quando ocorre entre pessoas que não se conhecem, geralmente o autor está tentando regular seu relacionamento com quem lhe é próximo.
ÉPOCA – Se a maior parte dos atos de violência está ligada a questões morais, como combatê-la? Fiske – A violência é um problema sério, terrível. Mas há evidências muito fortes de que as sociedades primitivas, dos primeiros seres humanos, eram muito mais violentas. E há proporcionalmente menos violência nos Estados modernos do que há alguns séculos. Nos Estados Unidos e na Europa, vários índices estão em declínio significativo. Não tomamos conhecimento disso pela mídia, que dramatiza a violência, mas é a verdade. Para reduzir ainda mais os índices de violência, precisamos mudar nossa cultura. Quando todos nós tivermos a noção de que qualquer tipo de violência é sempre errado, talvez não tenhamos mais tantos casos.
"Há evidências fortes de que as sociedades primitivas eram muito mais violentas"
ÉPOCA – O conceito de violência virtuosa não pode ser usado como desculpa para que pais e cônjuges continuem a abusar de seus filhos e companheiros? Fiske – Temos de ajudar essas famílias a encontrar formas pacíficas de lidar com seus relacionamentos – ou, se não conseguirmos, ajudar as vítimas a abandonar relações familiares violentas. Quando as pessoas encontram caminhos para lidar com seus pares de forma não violenta, normalmente o fazem. É preciso criar formas para que não haja tolerância, por parte de amigos ou familiares, a respeito de violência doméstica. E temos de fazer nossa parte, insistindo para que todos os que conhecemos cuidem de seus relacionamentos com palavras e outros meios não violentos.
ÉPOCA – Nas últimas décadas, as sociedades ocidentais receberam migrantes com códigos morais e pontos de vista diferentes, mas com a intenção de manter suas tradições. Como lidar com essa situação? Fiske – Quando alguém migra para outro país, deve obedecer as suas leis. Elas se aplicam a todos os cidadãos, não importa de onde tenham vindo.
ÉPOCA – Em seu livro, o senhor afirma que a polícia valoriza a violência contra criminosos como forma de aumentar o respeito da população. A mesma lógica se aplica aos traficantes, que têm suas próprias leis, como punir com tiros nas mãos aqueles que cometem furtos dentro da própria comunidade? Fiske – Apesar de eu não ter estudado essas localidades, parece que sim. Em grande parte das comunidades há pessoas que acreditam ter autoridade legítima sobre os outros, fazendo cumprir as “leis” locais para proteger “suas” pessoas.
ÉPOCA – Um pai que bate em seu filho com o argumento de que está ensinando valores morais está praticando a violência virtuosa ou está usando seu poder para causar dor e medo a uma pessoa que não tem meios para reagir? Fiske – Em muitas culturas, ao longo da história, praticamente todos os pais acreditaram que para transformar crianças em adultos moralmente responsáveis teriam de bater nelas. Agora sabemos que crianças que nunca apanharam, com pais que as tratam com carinho e amor, se tornam adultos respeitáveis, que têm compaixão e compreensão pelos outros. Entretanto, continuam a existir pais psicopatas, alcoólatras, que agridem brutalmente seus filhos. Precisamos impedir que essas pessoas continuem a agir assim, e, se não conseguirmos, essas crianças têm de ser retiradas desse ambiente e entregues aos cuidados de pais adotivos carinhosos.
ÉPOCA – Mas, se concordarmos que há aspectos morais que poderiam, de alguma forma, justificar o uso da violência, como poderemos proteger essas vítimas? Fiske – A violência contra crianças é ilegal em quase todos os países. Então, se os pais não podem ser persuadidos por suas famílias, grupos religiosos ou líderes políticos, a polícia e os agentes sociais devem intervir.
ÉPOCA – Não é uma contradição que a maior parte dos atos de violência seja motivada por valores morais, em tempos que as pessoas se preocupam em alcançar liberdade e felicidade? Fiske – Não podemos ser livres ou felizes até que estejamos a salvo e seguros – a salvo da violência alheia e seguros de nossa capacidade de lidar de forma não violenta com nossos relacionamentos.