Exibicionistas criam redes sociais sem restrições para mostrar o corpo
Animados para compartilhar fotos e detalhes de sua vida sexual, exibicionistas da internet buscam um ambiente sem censura
JÚLIA KORTE

A superexposição nas redes sociais caiu na rotina. Desde que Facebook e Instagram
nos transformaram numa sociedade de exibicionistas digitais, os
verdadeiros descarados sentem a necessidade de um ambiente para
ultrapassar os limites convencionais. Para eles, não basta compartilhar o
que comem no almoço, as roupas que vestem, as compras que fazem e
narrar cada minuto do dia a dia. Na rede mais popular, o Facebook, a
nudez é proibida, mesmo em obras de arte. Qualquer conteúdo pornográfico
está sujeito a denúncias e pode ser excluído do perfil de um usuário.
Até fotos de amamentação correm o risco de cair nos filtros da rede.
Àqueles que desejam expor na internet mais que as trivialidades do cotidiano, a alternativa é buscar um ambiente sem censura.

>> Piadas e difamações em redes sociais com anonimato garantido
Se apenas descrever uma noite de sexo não for o bastante, há opções ainda mais ousadas. O Pornostagram, versão apimentada do Instagram, permite aos usuários baixar, editar e compartilhar imagens de retratos eróticos. Os administradores do site promovem concursos com diferentes temas e uma votação elege as melhores fotos. Lançado há poucos meses, o Pornostagram já tem mais de 10 mil integrantes. É a rede de conteúdo adulto mais popular da Europa.
Além de agradar aos voyeurs e exibicionistas, essas redes fazem sucesso com um público que teria vergonha de se expor na vida real, mas não se incomoda em fazê-lo na internet. Eles têm a sensação (enganosa) de que o mundo virtual é algo separado da realidade. A sensação de publicar uma foto de cunho sexual na internet é diferente do mal-estar de ser espiado pela janela por um vizinho. “As atividades e as expressões sexuais que costumeiramente eram compreendidas como exceções passaram a ser algo socialmente aceitável nesse meio”, diz Oswaldo Rodrigues Jr., diretor do Instituto Paulista de Sexualidade. Comportamentos tidos como desvios em redes como o Facebook passam a ser bem-vistos em nichos e causam menos rejeição. “Esse nicho contribui para a experimentação da sexualidade. É uma plataforma auxiliar na divulgação da liberdade dessa nova geração”, afirma Luciana Ruffo, psicóloga do Núcleo de Psicologia em Informática da PUC-SP. Não há nada de errado em se mostrar na internet, desde que seja para alguém que queira e tenha idade para ver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário