Ao Vivo

10 de junho de 2014

Passamos uma semana ligados no Spotify

ALEXANDRE MANSUR E BRUNO FERRARI
Tela do tocador dedicado do Spotify no computador (Foto: Reprodução)
Experimentamos com ouvidos atentos e coração aberto a versão em português do Spotify, o serviço de streaming de música. Ele foi lançado no Brasil em meados do mês passado. Funciona como outros serviços parecidos. Por US$ 5,99 (algo como R$ 14,90) por mês, o assinante pode ouvir quantas músicas quiser conectado à internet. Ou baixar álbuns e faixas para escutar quando estiver desconectado. A seguir, nossas experiências:
Tela de um álbum no tocador do Spotify no aplicativo para Android (Foto: Reprodução)
"Se eu tivesse começado minha vida de streaming com o Spotify, talvez tivesse me apegado mais a ele"
Uso há mais de um ano o Deezer, serviço de músicas por streaming concorrente do Spotify. Mas, como não sou fiel a nenhuma marca, resolvi aceitar a proposta do Spotify para fazer um teste de graça por um mês. A oferta é válida para qualquer usuário novo.
O site deles é bonito. Comecei ouvindo música direto pelo navegador do computador. Depois, instalei na máquina o tocador deles. A experiência é parecida com a do site. Mas a maior parte do teste foi feita com o aplicativo do Spotify para celular. Especificamente para o sistema Android, do meu Nexus 5.
A primeira tentativa com o programa foi complicada. Assim que abri e fiz o login, selecionei um álbum do Iron Maiden e botei para tocar sem fone de ouvido. Só para ver como funcionava. O som veio alto, claro e barulhento, como deve ser uma música da banda de heavy metal britânica. Quando o vocalista Bruce Dickinson começou a incomodar meus colegas de redação, decidi dar uma pausa na música. Aí os problemas começaram. O tocador não tinha um botão aparente para interromper a música. Revirei o aplicativo. Fechei o aplicativo. Abri outros. A música continuava tocando, em execução no plano de fundo. Passei meu celular para colegas que também não localizaram um botão de parar, enquanto os guitarristas Dave Murray e Adrian Smith seguiam seu trabalho. Precisei entrar no gerenciador de aplicativos e fazer uma parada forçada para desligar a música.
Na segunda vez que abri o aplicativo e comecei a executar outro álbum (dessa vez com fones de ouvido), surgiu embaixo da tela claramente uma faixa com os botões de pausar ou avançar para a próxima música. Desde então, o programa funcionou sem apresentar o problema inicial.
A versão do tocador que eu testei tinha um aspecto mal pensado. Para baixar um álbum, era preciso dar uma volta imensa. Primeiro você buscava o álbum, depois salvava. Depois fechava a seção de busca e ia na área de suas músicas. Aí sim selecionava o álbum e, pressionando o dedo sobre ele, surgia a opção para baixar. No Deezer, você desde sempre faz isso com um toque. É muito mais simples. No dia 2 de junho, o Spotify lançou uma nova versão do aplicativo, com um jeito mais fácil de baixar os álbuns. Agora, basta apertar um botão.
Por outro lado, o tocador do Spotify tem uma vantagem aparente sobre seu concorrente. No Deezer, quando você dá pausa na execução e fica horas sem retomar, há boa chance de o aplicativo fechar. E você perder o ponto em que estava no álbum ou na música. No Spotify, isso não ocorreu. Pelo menos não durante a semana de teste. Uma limitação dos dois serviços é que as versões de celular e desktop não conversam muito. Na conta da Amazon, se você começa a ler um livro no aparelho Kindle, pode continuar na mesma página no aplicativo para celular ou tablet. É um conforto. Nos dois serviços de música que testei (Deezer e Spotify), isso não ocorre.
A opção para ir navegando por artistas semelhantes e descobrir coisas novas é bem mais satisfatória no Deezer. Em compensação, o Spotify tolera melhor quando você digita o nome do artista trocando uma ou outra letra.
Fazer uma comparação do repertório disponível no Deezer e no Spotify é difícil. O Spotify ganha do Deezer porque oferece Led Zeppelin. O Deezer tem um mísero álbum do AC/DC. O Spotify, nenhum. Beatles, nenhum dos dois têm. O saxofonista noruegues Jan Garbarek, só achei no Deezer. Na prática, ao cabo de alguns dias, não fazia muita diferença o repertório de um ou de outro. Em ambos os casos, a diversidade é gigantesca e a oferta muito maior do que você é capaz de conhecer ou curtir ao longo de toda sua vida, mesmo que não faça mais nada além de ouvir música.
Ao fim de uma semana, cansei do Spotify e voltei para o meu Deezer. Se eu tivesse começado minha vida de streaming com o Spotify, talvez tivesse me apegado mais a ele. Mas não vi muita vantagem agora.
(Alexandre Mansur)
Tela do aplicativo na versão para iPhone e iPod (Foto: Reprodução)

"Não é o suficiente para me fazer abandonar os outros serviços"
Sou daqueles que torcia para o Spotify chegar logo ao Brasil. Muitos amigos de fora do país sempre falaram maravilhas do serviço. Uso o Deezer e o Rdio, concorrentes. Também tenho minha biblioteca digital no iTunes. Era mais do que o suficiente, mas a minha esperança com o Spotify era poder concentrar tudo isso num lugar só, num aplicativo mais esperto, mais simples e relativamente barato (R$ 15 por mês representa um ótimo custo-benefício em relação à qualidade do serviço). O veredicto é o seguinte: é mais uma boa opção de serviço de música por streaming que chega ao Brasil, mas não o suficiente para me fazer abandonar os outros serviços e a minha biblioteca de música.
Toda a minha experiência foi num aplicativo para smartphones, um iPhone 4S. Usei o Spotify durante uma viagem de São Paulo a Patos de Minas (MG), que incluiu um avião até Belo Horizonte e mais cinco horas de carro. Em regiões mais centrais dessas cidades, o serviço funcionou bem. Mas bastou me afastar um pouco, como no trajeto entre o aeroporto de Confins e o centro de BH, ou então na estrada para Patos, para o serviço engasgar. Culpa, obviamente, das redes de celular. Aconteceria isso com qualquer concorrente. Mas é bom que se tenha em mente que isso pode ocorrer e tornar a experiência de usar o aplicativo frustrante. A solução é pré-selecionar o que você pretende escutar e baixar no telefone, em modo offline. Melhor fazer isso por Wi-Fi para não correr o risco de ver o seu plano de dados afundando.
Achei a experiência de uso boa. Há alguns probleminhas de praticidade. Assim como o Mansur, demorei para entender que o player da música ficava numa barra inferior, meio escondida. Também pensei para baixar álbuns antes de a atualização sair. Em termos de praticidade, prefiro o Deezer. Mas assim como ocorre com os teclados quando a gente troca de celular, acredito que seja uma questão de tempo para se acostumar.
Quanto ao algoritmo de sugestões de música, acho que precisa de mais tempo para “refiná-lo”. A primeira sugestão que me apareceu hoje quando eu coloquei em “Descobrir” foi Kid Abelha. Até gosto de algumas músicas, mas está longe de ser uma banda que eu pensaria assim de bate-pronto. Gostei bastante das listas com músicas pré-selecionadas. Há opções para festas, exercícios físicos, viagem etc. Também não senti falta de artistas que procurei. Alguns óbvios não estão ali, como Beatles. Mas eu acho que a pegada desses programas é muito mais para descobrir coisas novas do que propriamente ouvir as músicas que você já tem guardadas em sua discoteca.
O Spotify tem uma versão gratuita de um mês. Até lá, continuarei a usá-lo junto com os outros. Se você já usa o Deezer, talvez seja o caso de ficar nele. Mas, se você nunca topou pagar por um serviço de streaming e está pensando em começar, o Spotify pode ser uma boa pedida. Afinal, estamos falando do maior serviço de música online do mundo.
(Bruno Ferrari)

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