Pais devem orientar jovem sobre contracepção, mas não vigiá-lo
Priscila Tieppo
Do UOL, em São Paulo
Do UOL, em São Paulo
- Getty Images
A camisinha é o melhor método contraceptivo para adolescentes, diz médico
Em 2012, última pesquisa, o instituto mostrou que as mães nessa faixa etária representam 17%. Segundo especialistas, a desinformação e falta de orientação são as principais causas para esse índice continuar alto no país. Diante disso, qual é o papel dos pais na prevenção de uma gravidez não planejada?
Para Maria Claudia Lordello, psicóloga da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e uma das coordenadoras do Projeto Afrodite, grupo que promove palestras e ações sobre sexualidade, a conversa deve acontecer em casa, de forma natural, sem pressões e explicando aos adolescentes a importância de se prevenir.
"Os pais devem orientar, mas não vigiar se os filhos estão usando camisinha, fazendo cobranças ou os repreendendo. A responsabilidade da contracepção deve ser dos jovens", afirma a psicóloga.
Maria Claudia, porém, ressalta que é saudável os pais acompanharem os métodos contraceptivos utilizados e se mostrarem dispostos a tirar dúvidas dos filhos.
"Deve-se mostrar, desde o começo, que a relação sexual é uma coisa boa e natural na vida das pessoas. Preocupar-se com a contracepção é a parte da responsabilidade, que não deve ser tratada de forma aterrorizante", diz.
Em
geral, os adolescentes se mostram tímidos com os adultos e falar de
sexo pode gerar muito constrangimento, mesmo nas famílias que procuram
tratar o tema de forma natural. Para quebrar eventuais barreiras, os
pais podem iniciar o papo fazendo comentários sobre algum fato ou
informação que viram na TV ou na internet, relacionando-o à sua própria
experiência. A partir daí, devem dar espaço para que o jovem fale de sua
vivência caso queira. Veja, a seguir, algumas orientações importantes
que podem ser transmitidas nesses diálogos | Por Rita Trevisan e Suzel
Tunes - Do UOL, em São Paulo | Consultoria: Lélia Marília dos Reis,
psicanalista, doutora em psicologia e integrante do Grupo de Pesquisa
Sexualidade Vida, da USP (Universidade de São Paulo); Maria Helena
Vilela, diretora do Instituto Kaplan - Centro de Estudos da Sexualidade
Humana; Oswaldo Martins Rodrigues Junior, psicoterapeuta sexual do
InPaSex (Instituto Paulista de Sexualidade), e Kátia Mendes, psicóloga e
especialista pela Sociedade Brasileira de Estudos e Pesquisa da
Infância Igor Pizzuto/Arte UOL
Camisinha
Para que a prevenção seja efetiva, é importante que rapazes e moças entendam os métodos contraceptivos de ambos, já que, em uma eventual gravidez, a responsabilidade é do casal."Os meninos devem aprender como funciona o corpo da mulher, saber sobre períodos férteis, como atua o anticoncepcional hormonal, falar sobre a pílula do dia seguinte para casos de emergência, por exemplo. As meninas, por sua vez, devem saber como colocar a camisinha", diz Maria Claudia Lordello.
Para Alexandre Pupo, ginecologista do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, o contraceptivo mais indicado para os jovens é a camisinha, já que não interfere no ciclo hormonal natural.
"Usada de maneira adequada, esse método previne doenças e a gravidez. Nos casos de falha, é recomendada a pílula do dia seguinte. Esse seria o padrão para adolescência", diz o médico.
Segundo pesquisa da Unifesp, realizada em 2012, 29% dos garotos e 38% das garotas declararam não utilizar camisinha quase nunca ou nunca nas relações sexuais. Das jovens entre 14 e 20 anos, 32% já engravidaram, pelo menos, uma vez.
"Os adolescentes costumam se expor mais, acham que não vão engravidar e não usam a camisinha. Por isso, muitos optam pelo anticoncepcional hormonal. Mas é importante lembrar que essa opção deve ser secundária. Mesmo usando o medicamento, a camisinha deve continuar sendo o principal para evitar doenças", afirma Alexandre Pupo.
O ginecologista diz que não existe pílula ou injeção hormonal feita especificamente para o organismo adolescente, cabendo a um médico definir a melhor opção para a jovem que quiser usar uma. "O ideal é que ela não usasse esse método antes dos 19 anos, quando o aparelho reprodutor e as mamas ainda estão em desenvolvimento."
O médico também ressalta que a pílula do dia seguinte deve ser restringida apenas a emergências, como quando a camisinha estoura. "A jovem não pode tomar sempre que tiver relação sexual, pois, dessa forma, ela não terá a eficácia desejada", afirma.

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