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17 de fevereiro de 2015

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A dieta da deusa negra

Nada de marmitinha de frango desfiado com batata doce. Por que ouvir o segredo de beleza da passista do ano



Danielle do Nascimento Passista Quem 2015 (Foto: Marcio Nunes/QUEM)
Parem as máquinas! A professora e dançarina Danielle do Nascimento, eleita a passista do ano pela Revista QUEM, revela ser adepta de uma prática incomum entre musas, celebridades e aspirantes a celebridade que desejam brilhar no Carnaval. Danielle come.

Sim, CO-MI-DA. Comida de verdade. Arroz, feijão, macarrão. Nada de marmitinha de frango desfiado com batata doce ou a mesmice da dieta da clara de ovo – os “segredos de boa forma” sempre citados pelas estrelas do Carnaval.

Com a passista da Unidos da Viradouro, a história é outra. Pelo menos, foi o que ela declarou à reportagem da QUEM. Para garantir energia extra antes dos ensaios, Danielle gostava de comer churros. Que notícia é essa, minha gente? Capaz de provocar um pico de glicemia em qualquer blogueira pseudo-saudável.   
É sempre difícil saber quanto há de verdade nas declarações de celebridades (e mesmo de anônimos) sobre dieta e preparo físico. Nenhum repórter passa 24 horas por dia com o entrevistado para saber o que ele realmente coloca no prato. Nem consegue checar facilmente se a pessoa toma anabolizante, aditivos ou faz qualquer outra intervenção amalucada para modificar o corpo em pouco tempo.

Seja como for, as declarações de Danielle representam uma benéfica quebra de padrão. Está cada vez mais difícil encontrar gente bonita que não tenha vergonha de dizer que come comida. O mundo da fama e da beleza está impregnado de modismos alimentares e recursos exóticos para esculpir o corpo que nada tem a ver com saúde nem com boa forma física. 

Quando celebridades divulgam dietas desbalanceadas e perigosos modismos de academia, elas não estão apenas enriquecendo os pilantras da vez. Elas endossam hábitos que até parecem saudáveis, mas não passam de terrorismo nutricional – a imposição de restrições exageradas e sem sentido Ao mesmo tempo, reforçam padrões de beleza inatingíveis. Quando o público tenta reproduzir esses modelos, o resultado é ganho de peso e frustração.

Por tudo isso, é uma alegria ouvir a passista do ano dizer que come comida. E não é só isso. Ela também diz que não faz academia porque não vê graça em se exercitar em lugares fechados. Para manter 65 quilos em 1m65, Danielle (uma mulher de 30 anos, com genética privilegiada e gasto calórico de quem dança muito e tem samba no pé), não precisa se submeter a privações para manter o corpo de Deusa Negra – apelido que recebeu dos alunos da escola primária. Dá até para comer churros de vez em quando e sem medo.

Danielle foi eleita passista do ano com 32 mil votos do público (32% do total). É a primeira vez que desfila na ala de passistas da escola de Niterói. Começou no Carnaval ainda criança, na ala de baianinhas da Beija-Flor. “Carnaval é minha cachaça”, diz. 
Minha torcida é uma só. Que a dieta da Deusa Negra nunca saia de moda. Coma comida. Sambe muito. Sorria à beça.

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