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11 de junho de 2014


Seleção deixa o confinamento “europeu” de Teresópolis para se integrar ao país da Copa

A equipe de Felipão chegará à capital paulista na noite desta terça-feira. O time estreia na Copa na quinta-feira, no Itaquerão

ALBERTO BOMBIG
Enquanto algumas seleções europeias se esbaldam no Brasil de clichês turísticos e culturais, o time brasileiro se preparou para a estreia na Copa em clima de Europa, na serra fluminense. Em Teresópolis, onde os comandados de Luiz Felipe Scolari estão concentrados desde o dia 26 de maio, moradores, comércio e turistas se esforçam para imitar cidades e vilas da região dos Alpes Suíços e Franceses. Há cabanas e chalés por todos os lados das sinuosas ruas de paralelepípedos, especialmente nas proximidades da Granja Comary, a propriedade da CBF onde a Seleção Brasileira se hospeda. A temperatura média anual é de 16º C, as chuvas são frequentes e a neblina costuma baixar todas as tardes, por volta das 17h.
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A Seleção ficou distante do Cristo Redentor, que encantou os jogadores holandeses, da capoeira, que embalou os ingleses, e dos índios que botaram os alemães na roda. A Seleção Brasileira ficou distante da greve do metrô de São Paulo e das manifestações que tomaram as ruas de várias capitais do país. Até aqui, tudo como planejado por Felipão e pela CBF. É dessa forma que o treinador gosta de trabalhar, foi assim que ele levou os jogadores do Brasil ao penta em 2002, isolando-os do convívio externo para fortalecer as relações interpessoais no elenco.
“O ambiente entre os jogadores está bem descontraído, com todo mundo focado ao máximo. Mas, na medida em que se aproxima a estreia, todos sentem a ansiedade e o frio na barriga”, disse o meia Ramires, um dos escalados pela CBF nesta terça-feira (10) para falar com a imprensa. Após um longo de período de rotina de treinos, Ramires avaliou como “excelente” a preparação até agora.
O preço dessa estratégia, no entanto, é a distância do torcedor brasileiro, um personagem raro na entourage de jornalistas, cinegrafistas, ex-jogadores e assessores que rondam a Granja Comary, distante do centro de Teresópolis, cidade com cerca de 170 mil habitantes muito acostumados com a Seleção. Somente no domingo passado, quando os jogadores retornaram de uma folga de quase 48 horas, um grupo grande de torcedores, muitos oriundos do Rio de Janeiro, aguardava a delegação ne entrada da concentração com faixas e gritos de apoio. Felipão não se sensibilizou e manteve o grupo apartado dos campos de treinamento. Apenas os abastados sócios do Clube Comary, contíguo à Granja, puderam ter algum acesso ao time brasileiro neste período de concentração, além dos familiares dos jogadores e da comissão técnica.
Nesta terça, último dia da Seleção na Granja Comary antes da estreia, apenas meia dúzia de abnegados torcedores enfrentavam a chuva e o frio, na portaria do local da concentração, para se despedir da Seleção.
Os únicos contatos diretos com a torcida vieram nos dois amistosos. No primeiro deles, em Goiânia, contra o Panamá, tudo saiu conforme o previsto. O público vibrou e apoiou o time na goleada por 4 a 0 ante o fraco adversário e também no único treino aberto realizado pela Seleção, na véspera, uma exigência da Fifa. Mas, em São Paulo, na sexta-feira (6), a Seleção chegou a ser vaiada durante a partida, no estádio do Morumbi, que terminou com a vitória de 1 a 0 sobre a Sérvia. O atacante Fred, autor do gol, chegou a pedir o apoio dos torcedores após a partida.
A relação com esse torcedor brasileiro, quase bipolar, é uma das incógnitas que a Seleção Brasileira terá de elucidar a partir desta terça, quando deixa o isolamento de Teresópolis, ao menos temporariamente, para entrar de verdade no país da Copa. Para enfrentar os aeroportos, as ruas e as arquibancadas. “Será uma pressão positiva, das pessoas nos apoiando em busca de um objetivo principal, que é a vitória”, disse o volante Luiz Gustavo, o titular escalado para a entrevista desta terça.
O primeiro teste de verdade será talvez o mais simbólico, a estreia na conflagrada São Paulo, palco de violentas manifestações contra o Mundial, metrópole de migrantes, ricos e pobres, de graves problemas urbanos e sociais. Na partida de quinta-feira (12) com a Croácia, na Arena Corinthians, a Seleção iniciará, de verdade, sua relação com os brasileiros nesta Copa. Em São Paulo, a Seleção ficará hospedada perto do Parque do Ibirapuera, ao lado da Avenida Vinte e Três de Maio – uma das mais movimentadas vias da capital, um cenário bem diferente da bucólica Granja Comary.
“Agora vai começar, é o sonho de todos”, disse Ramires nesta terça. Na quarta-feira, saberemos como estão os ânimos de Felipão e Neymar, os escalados para falar com a imprensa na véspera da estreia.

O ônibus da Seleção Brasileira e, ao fundo, o pico Dedo de Deus, na Serra dos Órgãos, um dos principais cartões-postais de Teresópolis (Foto: Divulgação/CBF)
 

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